26 Março 2026
O veredito foi alcançado em um julgamento que envolveu o partido, após uma queixa apresentada por um californiano de 20 anos. As empresas: Discordamos. O que acontece agora?
A reportagem é de Arcangelo Rociola, publicada por La Repubblica, 02-09-2024.
Uma decisão judicial em Los Angeles está prestes a mudar radicalmente o debate sobre plataformas online. O Google e o Meta foram considerados responsáveis pelo vício em redes sociais entre jovens. O veredito foi proferido em um julgamento sobre o vício em redes sociais. O processo teve origem em uma queixa apresentada por uma jovem californiana de 20 anos que alegou que o YouTube (Google) e o Instagram (Meta) alimentaram sua depressão, levando-a a ter pensamentos suicidas desde a infância.
A acusação feita contra a Meta e o Google não se refere apenas ao conteúdo hospedado, mas também à forma como as plataformas são construídas. Os advogados da vítima apontaram o dedo para os algoritmos de recomendação, o próprio cerne das redes sociais, aquelas ferramentas que sugerem o que assistir para nos manter grudados nas telas. Mas eles também culpam o sistema de notificações e a falta de filtros que impeçam o acesso de menores a conteúdo potencialmente prejudicial.
O que acontecerá a seguir é altamente incerto. Espera-se que milhares de ações judiciais semelhantes sejam movidas, especialmente nos Estados Unidos. Enquanto isso, a decisão pode levar a Meta e o Google a revisarem seu projeto, desativando recursos cruciais para seu algoritmo de recomendação. Na prática, trata-se de uma decisão que confere às autoridades judiciais uma legitimidade sem precedentes e, embora seja uma decisão de primeira instância, elas agora poderão impor restrições severas.
O caso de Los Angeles envolve uma jovem de 20 anos que afirmou ter se viciado nos aplicativos ainda jovem devido ao seu design atraente. A promotoria focou no design da plataforma em vez do seu conteúdo, dificultando que as empresas se esquivem da responsabilidade. Segundo o Pew Research Center, pelo menos metade dos adolescentes americanos usa o YouTube ou o Instagram diariamente.
Na última década, as principais empresas de tecnologia dos EUA têm enfrentado críticas cada vez mais severas em relação à segurança de crianças e adolescentes. O debate agora se deslocou para os tribunais e governos estaduais, já que o Congresso dos EUA desistiu de aprovar uma legislação abrangente para regulamentar as redes sociais.
Tanto a Meta quanto o Google criticaram a decisão de Los Angeles. A Meta afirmou que discorda "respeitosamente" da decisão. A gigante da tecnologia usou as mesmas palavras que empregou após a outra decisão de ontem, no Novo México. Um porta-voz do Google, por sua vez, comentou que a decisão "interpreta erroneamente a natureza do YouTube, que é uma plataforma de streaming construída de forma responsável e não uma plataforma de mídia social".
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