Padres pedófilos e o Papa: "Prevenir o abuso sem improvisar; devemos ouvir as vítimas"

Foto: Vatican Media

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17 Março 2026

Leão agradece à Comissão Pontifícia para a Proteção de Menores e a encoraja a continuar seu trabalho sobre "adultos vulneráveis" e na internet.

A informação é de Iacopo Scaramuzzi, publicada por La Repubblica, 16-03-2026.

O Papa Leão XIV apela para que a prevenção dos abusos cometidos por padres pedófilos não seja tratada com "improvisação" e "superficialidade" e pede aos responsáveis, bispos e superiores religiosos, que se encontrem pessoalmente com as vítimas.

Prevenção sem superficialidade

O Papa recebeu pela segunda vez a Comissão Pontifícia para a Proteção de Menores, presidida pelo bispo francês Thibault Verny, e elogiou, em particular, o seu relatório anual como "um instrumento de grande importância. Representa", explicou, "um exercício de verdade e responsabilidade, mas também de esperança e prudência, que devem caminhar juntas para o bem da Igreja. A esperança impede-nos de ceder ao desânimo; a prudência preserva-nos da improvisação e da superficialidade na abordagem da prevenção dos abusos". O último relatório continha, entre outras coisas, críticas à "resistência cultural" presente em Itália em relação ao tema dos abusos.

Reuniões presenciais

“A vossa missão é ajudar a garantir a prevenção do abuso”, disse Leão ao órgão criado no início do pontificado de Francisco. “No entanto, nunca se trata apenas de um conjunto de protocolos ou procedimentos. Trata-se, antes, de ajudar a formar, em toda a Igreja, uma cultura de cuidado, na qual a proteção de menores e pessoas em situação de vulnerabilidade não seja vista como uma obrigação imposta externamente, mas como uma expressão natural da fé. Isto requer, portanto, um processo de conversão em que o sofrimento dos outros seja ouvido e nos motive a agir. A este respeito, as experiências das vítimas e dos sobreviventes são pontos de referência essenciais. Embora certamente dolorosas e difíceis de ouvir, elas trazem poderosamente a verdade à luz e nos ensinam a humildade enquanto nos esforçamos para ajudar as vítimas e os sobreviventes.” Sobre este assunto, “os Ordinários e os Superiores Maiores”, disse o Papa, “também têm a sua própria responsabilidade, que não pode ser delegada. Ouvir e acompanhar as vítimas deve encontrar expressão concreta em cada comunidade e instituição eclesial.”

Adultos vulneráveis ​​e a internet

O Papa Prévost enfatizou, em particular, a importância de duas áreas em que a Comissão Pontifícia está trabalhando: "o conceito de vulnerabilidade em relação ao abuso", ou seja, a definição de abuso sofrido pelos chamados "adultos vulneráveis", desde freiras a pessoas com deficiência e idosos em lares de repouso, "e a prevenção do abuso infantil facilitado pela tecnologia no espaço digital. Ao ler esses sinais dos tempos", continuou o Papa, "vocês ajudam a Igreja a enfrentar corajosamente os desafios da proteção e a responder com clareza pastoral e renovação estrutural. Isso já está se concretizando no desenvolvimento de um quadro de referência universal. Aguardo com interesse a proposta definitiva para que, após estudo e discernimento adequados, ela possa ser publicada." A Comissão Pontifícia para a Proteção de Menores está, de fato, finalizando a definição de critérios válidos para cada conferência episcopal do mundo, a fim de estabelecer diretrizes nacionais para a prevenção do abuso. O Papa também recebeu hoje, em audiência separada, Gareth Gore, jornalista que investigou casos e abusos no Opus Dei.

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