"Terei a honra de assumir o controle de Cuba": Trump intensifica a pressão sobre a ilha em meio à crise energética dos EUA

Foto: Karsten Würth/Unsplash

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17 Março 2026

Cuba é o próximo alvo de Donald Trump. Ele repete isso constantemente enquanto sufoca o país a ponto de causar um apagão total na ilha nesta segunda-feira, em meio ao bloqueio energético dos EUA. Mas como ele planeja fazer isso? Como fez com o Irã ou a Venezuela? A Fox News perguntou ao presidente americano no Salão Oval nesta segunda-feira.

A reportagem é de Andrés Gil, publicada por El Diario, 16-03-2026.

“Não posso te dizer”, respondeu Trump. “O que posso te dizer é que eles estão falando conosco. É uma nação falida. Eles não têm dinheiro. Não têm petróleo. Não têm absolutamente nada. Têm terras férteis. Têm paisagens belíssimas; é uma ilha linda. Acho que eles têm pessoas fantásticas.”

Segundo uma reportagem publicada nesta segunda-feira pelo The New York Times, o governo Trump busca destituir o presidente cubano Miguel Díaz-Canel do poder e derrubar uma figura-chave, mas sem derrubar o modelo de governo nascido da revolução de 1959, em uma operação semelhante à realizada com Nicolás Maduro na Venezuela, buscando líderes orientados por Washington.

“Conheço muitas pessoas de Cuba que estão aqui agora e enriqueceram”, disse Trump na segunda-feira na Casa Branca. “São pessoas muito empreendedoras e inteligentes. Há muitas delas na Flórida. Acho que Cuba, à sua maneira, por causa do turismo e tudo mais, é uma ilha linda. Tem um clima ótimo. Não fica em uma zona de furacões, o que é bom. Toda a minha vida ouvi falar dos EUA e de Cuba. Quando os Estados Unidos darão esse passo? Eu realmente acho que terei a honra — sim, a honra — de assumir o controle de Cuba. Isso seria ótimo. Seria uma grande honra.”

E o que significa “tomar Cuba” para Trump? “Tomar Cuba de alguma forma, seja libertando-a ou trazendo-a para o meu controle. Acho que eu poderia fazer o que quisesse. Quer saber a verdade? Eles são uma nação muito enfraquecida agora. Por muito tempo, tiveram líderes muito violentos. [Fidel] Castro foi um líder muito violento, seu irmão [Raúl] é um líder muito violento, extremamente violento. Era assim que eles governavam. Mas muita gente gostaria de voltar.”

Segundo o NYT, as negociações entre Washington e Havana têm como foco fazer com que Cuba abra gradualmente sua economia para empresas americanas, preparando o terreno para um Estado subserviente, ao mesmo tempo que buscam vitórias políticas simbólicas que Trump possa anunciar.

Miguel Díaz-Canel, de 65 anos, é presidente de Cuba desde 2018 e também ocupa o cargo de primeiro-secretário do Partido Comunista de Cuba. Restam-lhe dois anos de mandato presidencial. Ele é o primeiro presidente da ilha nascido após a revolução.

Segundo declarações de Óscar Pérez-Oliva Fraga, vice-primeiro-ministro de Cuba, à emissora NBC, os cidadãos cubanos residentes no exterior, em locais como Miami, poderão investir no setor privado e possuir empresas em seu país de origem.

O principal responsável pela área econômica do país afirma, em entrevista, que o bloqueio imposto pelos EUA está dificultando esses esforços, enquanto a ilha enfrenta uma crise energética e a pressão do governo Trump.

Cuba está aberta a manter uma relação comercial fluida com empresas americanas, com cubanos residentes nos EUA e com seus descendentes”, disse Fraga durante a conversa em Havana.

Esta entrevista surge num momento em que o governo cubano tenta revitalizar a economia debilitada de Cuba através de uma série de reformas destinadas a criar um "ambiente de negócios dinâmico" para reativar diversos setores, desde o turismo e a mineração até a reparação e modernização da rede elétrica.

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