"Jesus nos convida a buscar a verdade. Ele não fala como fanáticos, que a impõem, nem como autoridades, que a 'defendem' por obrigação. Ele fala com absoluta simplicidade e autoridade".
O comentário é de José Antonio Pagola, teólogo espanhol, ao Evangelho de Jesus Cristo segundo João 9, 1-41, que corresponde ao 4º Domingo da Quaresma, ciclo A do Ano Litúrgico, publicado por Religión Digital, 09-03-2026.
Há uma característica que define Jesus e molda todas as suas ações: sua vontade de viver na verdade. Sua decisão de viver na realidade, sem enganar a si mesmo ou a qualquer outra pessoa, é notável. É raro encontrar um homem assim na história. Jesus não apenas fala a verdade; ele acredita na verdade e a busca. Ele está convencido de que a verdade humaniza a todos.
É por isso que ele não tolera mentiras nem encobrimentos. Ele não suporta distorções nem manipulações. Não há nele qualquer indício de ocultar a verdade ou transformá-la em propaganda. Sua honestidade com a realidade o torna livre para falar toda a verdade. Jesus se tornará "a voz dos que não têm voz e uma voz contra aqueles que têm voz demais" (Jon Sobrino).
Jesus sempre vai direto ao ponto. Ele fala com autoridade porque fala a partir da verdade. Ele não precisa de falso autoritarismo. Ele fala com convicção, mas sem dogmatismo. Ele não precisa pressionar ninguém. A sua verdade basta. Ele não grita contra os ignorantes, mas contra aqueles que distorcem deliberadamente a verdade para agir injustamente.
Jesus nos convida a buscar a verdade. Ele não fala como fanáticos, que a impõem, nem como autoridades, que a "defendem" por obrigação. Ele fala com absoluta simplicidade e autoridade. O que ele diz e faz é claro e fácil de entender. As pessoas percebem isso imediatamente. Em contato com Jesus, cada pessoa encontra a si mesma e o melhor que há em si. Jesus nos conduz à nossa própria verdade.
Quando esse homem fala de um Deus que deseja uma vida digna para os mais desafortunados e indefesos, ele se torna crível. Suas palavras não são as de um charlatão interesseiro. Nem são as de um religioso piedoso em busca de seu próprio bem-estar espiritual. São as palavras de alguém que leva a verdade de Deus àqueles que desejam recebê-la.
Segundo o quarto Evangelho, Jesus diz: “Eu vim a este mundo para que os cegos vejam e os que veem se tornem cegos”. É assim mesmo. Quando reconhecemos nossa cegueira e abraçamos o seu Evangelho, começamos a ver a verdade.