10 Março 2026
500 mulheres ocuparam a área da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária no município.
A reportagem é publicada por Sul21, 09-03-2026
Na madrugada desta segunda-feira (9), cerca de 500 mulheres sem terra ocuparam uma área de 400 hectares da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro) em São Gabriel, na região da Campanha. Ao todo, 15 ônibus se deslocaram até a região levando as manifestantes. Após a Brigada Militar segurar a comitiva, as mulheres entraram na área em marcha.
A ação integra a Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra que acontece entre o domingo (8) e quinta-feira (12), com atividades que mobilizam as mulheres Sem Terra dos acampamentos e assentamentos de todo o país. Os atos, a nível nacional, têm como foco denunciar a paralisação da Reforma Agrária pelo Estado brasileiro.
No Rio Grande do Sul, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) também quer chamar a atenção para a necessidade de o governo de Eduardo Leite retomar a negociação de áreas para assentamentos e reassentamentos, promessa feita em reunião em maio do ano passado. “Com essa ocupação, queremos dizer ao governador que aceitamos a proposta do assentamento nas áreas da Fepagro. Já podemos ir pra lá com as famílias acampadas do RS”, destacou a integrante da direção nacional do MST, Lara Rodrigues.
Segundo a integrante da coordenação nacional do MST, Sílvia Marques, além de beneficiar centenas de famílias, o movimento pretende destinar em torno de dez hectares para construir um espaço de acolhimento e geração de renda para as mulheres. “Queremos acolher as companheiras que são violadas, violentadas e que às vezes não tem para onde ir. E não só, mas também aquelas que precisarem de um espaço para poder morar, produzir, gerar renda, ter uma vida digna. Cuidando da vida e cuidando uma das outras”, ressaltou Marques.
São Gabriel conta atualmente com dez assentamentos, com mais de 740 assentadas e assentados. Cerca de cem produtores produzem para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), quartéis e cooperativas, enquanto 250 famílias produzem leite, grãos, feijão, milho, arroz, mel e carne. Além disso, todas as famílias assentadas produzem alimentos para a subsistência.
Em nota, a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), responsável pela gestão da Fepagro, informou que a Brigada Militar vinha monitorando os integrantes do MST há dias e deslocou efetivo para o local, “impedindo qualquer tipo de confronto e a ocupação da área” pelas manifestantes. “Além disso, a Secretaria da Agricultura está acompanhando o caso e avaliará as medidas cabíveis para o zelo do patrimônio público”, conclui a nota da Seapi ao Sul21.
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