04 Março 2026
Na quarta-feira, a China rejeitou o uso do comércio como arma ou instrumento de pressão política, após Donald Trump ameaçar cortar relações comerciais com a Espanha devido à sua posição sobre a guerra com o Irã.
A reportagem é publicada por El Diario, 04-03-2026.
“O comércio não deve ser usado como arma ou instrumento”, declarou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Mao Ning, em uma coletiva de imprensa, em resposta a perguntas sobre as declarações do presidente americano. Ela também insistiu que os ataques dos EUA e de Israel contra o Irã “violam o direito internacional”, alegação feita por Pequim desde o início das operações militares, que o país exige que cessem imediatamente.
BREAKING: Spain's prime minister says regarding Iran war, that 'Spain is against this disaster' and that it is unacceptable for some to 'use the smoke of war to hide their failures' and 'fill the pockets of a few'. pic.twitter.com/JiFxNepe83
— The Spectator Index (@spectatorindex) March 4, 2026
A reação da segunda maior economia do mundo surge um dia depois de Trump ter criticado duramente o governo espanhol por se recusar a autorizar o uso das bases de Rota e Morón para operações ligadas à ofensiva contra o Irã e ter afirmado que poderia "cortar todo o comércio" com a Espanha e até mesmo impor um embargo.
Embora a ira do presidente americano também tenha sido desencadeada pela recusa do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, em aumentar os gastos militares para 5% do PIB. "Tudo começou quando todos os países europeus aceitaram meu pedido para contribuir com seus 5%. Todos estavam entusiasmados com a ideia, a Alemanha, todos, exceto a Espanha, e agora dizem que não podemos usar as bases, é terrível", disse Trump em uma coletiva de imprensa ao lado do chanceler alemão Friedrich Merz.
#EnDirecto | Sánchez advierte, tras los ataques de EEUU e Israel a Irán, que "nadie sabe con certeza qué pasará ahora": "Tenemos que estar preparados para la posibilidad de que sea una guerra larga, con numerosas bajas y consecuencias graves a escala global" pic.twitter.com/EqkbuCla8n
— Europa Press (@europapress) March 4, 2026
A Espanha, por sua vez, não vê uma ruptura comercial tão fácil quanto Trump ameaça e acredita que uma série de circunstâncias precisa ocorrer para que a relação se altere. Além disso, insiste que Madri está cumprindo seus compromissos com a OTAN e que qualquer revisão da relação bilateral deve respeitar o direito internacional e os acordos entre a UE e os EUA.
De Bruxelas, a UE também saiu em defesa da Espanha e reafirmou seu compromisso com Washington de cumprir as promessas feitas após a assinatura do acordo comercial no verão de 2025.
‼️ ÚLTIMA HORA | Sánchez responde a Trump: "No vamos a ser cómplices de algo malo para el mundo por el miedo a las represalias de algunos" https://t.co/GyxAcITl1p pic.twitter.com/38Qix9D0qE
— elDiario.es (@eldiarioes) March 4, 2026
Esta não é a primeira vez que Trump ameaça a Espanha com retaliações comerciais. Ele também fez alusão a isso após a cúpula de Haia, onde Sánchez se manteve firme contra a proposta de destinar 5% do PIB para a defesa. No entanto, na ocasião, não houve consequências.
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