Direito de invasão

Foto: Mostafa Bassim/Anadolu Ajansi

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09 Fevereiro 2026

"Três mil agentes do ICE nas nossas ruas, agindo sem um plano bem definido. Visam pessoas que não fizeram nada de errado, simplesmente porque têm aparência somali ou latino-americana. Pararam agentes policiais fora de serviço. Pararam pais que estavam simplesmente andando na rua com seus filhos. Em Minneapolis, temos pessoas extraordinárias que vêm de diferentes partes do mundo e que tornaram nossa cidade um lugar melhor. Elas fazem parte da nossa família. Nós as amamos. Temos orgulho de tê-las aqui."

A informação é de Simona Siri, publicada por La Stampa, 24-01-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

No dia da greve geral, com escolas e mais de 700 atividades comerciais fechadas em sinal de protesto, o prefeito Jacob Frey não tem tempo para gentilezas: ele precisa proteger sua comunidade, vítima do que ele mesmo define como uma invasão. Rapidamente, entre uma coletiva de imprensa e após a visita do vice-presidente J.D. Vance à cidade (os dois não se encontraram; Vance se reuniu apenas com políticos republicanos locais), ele reiterou ao jornal La Stampa o que vem dizendo desde a morte de Renee Good, a mulher assassinada por um policial em 7 de janeiro: os cidadãos devem "manifestar-se pacificamente, não cair na armadilha. Não responder ao caos de Donald Trump com outro tipo de caos". Evitar piorar uma situação já tensa é, portanto, imperativo, e a ideia de um dia de "apagão econômico" também surge daí, do desejo de demonstrar que a comunidade está abalada, mas unida. Especialmente à luz dos últimos acontecimentos, entre os quais a prisão de Nekima Levy Armstrong, advogada de direitos civis, acusada de invadir a Igreja Cities de Saint Paul com outros ativistas no último domingo, alegando que um dos pastores, David Easterwood, é o diretor interino do escritório local do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos). "Foi uma ação não violenta, legal e moralmente necessária", disse ela ao Washington Post, enquanto a Secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, especificou que ela é acusada de "conspiração por ter violado os direitos constitucionais dos fiéis", um crime grave punível com até 10 anos de prisão. A foto do momento em que Levy Armstrong está sendo detida por agentes chegou até a ser publicada no site oficial da Casa Branca, mas em uma versão alterada com inteligência artificial para dar a impressão de que a mulher estava chorando, o que não corresponde à realidade.

Todas essas manobras nada têm a ver com a segurança, mas falam de uma guerra de nervos, de um governo federal que parece estar provocando e uma cidade que não se dobra, ciente de que o que está acontecendo ali tem implicações que vão além de suas fronteiras. "O que estamos vendo nas nossas ruas é discriminação baseada unicamente na raça; não tem nada a ver com o combate à criminalidade", diz Frey. "Em Minneapolis, queremos prender os assassinos, mas não é disso que se trata. Colaboramos com diversos governos federais para reduzir a criminalidade com sucesso. O que estamos vendo hoje é retaliação política."

De acordo com um memorando interno do ICE obtido recentemente pela Associated Press, agentes federais de imigração teriam o poder de usar a força para entrar em residências sem um mandato judicial, mas apenas com um mandado administrativo — uma inversão drástica em relação às diretrizes de longa data que visam fazer cumprir os limites constitucionais. Durante anos, as associações de defesa dos imigrantes têm insistido para que as pessoas não abram suas portas para os agentes de imigração, a menos que apresentem um mandado assinado por um juiz, um princípio que a diretiva desconsidera, justamente quando as operações estão se tornando mais agressivas, sem que exista um fim à vista. Fontes locais dizem que agentes do ICE teriam quartos reservados nos hotéis de Minneapolis até maio. "Há uma saída, se todos estivermos dispostos a enxergá-la", diz Frey quando questionado se está inclinado a buscar alguma forma de colaboração com o governo federal. "Se o objetivo é proteger Minneapolis de criminosos que cometem atos ilícitos, concordamos, mas isso deve ser independente da origem dos criminosos. Queremos paz, mas a paz não se conquista lançando substâncias irritantes e químicas contra manifestantes pacíficos. Não se conquista prendendo uma criança de cinco anos. Não se conquista arrastando uma mulher grávida pelas ruas. A paz se conquista trabalhando diretamente com a comunidade. A criminalidade é reduzida intervindo estrategicamente contra aqueles que cometeram crimes. O vice-presidente J.D. Vance disse que adoraria poder mandar alguns desses agentes para casa. Eu concordo plenamente. A solução para os problemas que enfrentamos nas últimas semanas é simples: que o ICE saia daqui”. "ICE out!", como gritaram milhares de cidadãos no dia em que Minneapolis entrou em greve.

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