Oxfam: uma dúzia de poderosos mais rica que metade do mundo

Foto: Jason Leung/Unsplash

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21 Janeiro 2026

Em 2025, o número de bilionários no mundo se tornaram mais de 3.000, com uma riqueza líquida agregada de 18,3 trilhões de dólares, "uma concentração nunca antes registrada na história", equivalente a aproximadamente oito vezes o PIB da Itália. A riqueza detida pelos 12 maiores bilionários (2,635 trilhões) supera os recursos econômicos da metade mais pobre da humanidade, 4,1 bilhões de pessoas.

A reportagem é de Rosaria Amato, publicada por La Repubblica, 19-01-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

O relatório, que a Oxfam apresenta todos os anos na abertura do Fórum Econômico Mundial em Davos desta vez se foca "No abismo da desigualdade". Os dados não apenas destacam a crescente disparidade entre os que têm muito e os que têm pouco: a concentração de extrema riqueza também se torna uma via privilegiada de acesso para o poder político. "Os mais ricos exercem esse poder com eficácia, garantindo influência indireta ou controle ostensivo do poder público", explica o autor, Mikhail Maslennikov, consultor de políticas da Oxfam, "que há muito negligencia as faixas sociais mais vulneráveis, que têm menos voz e uma fraca representação política".

Os pobres são empurrados às margens: os direitos mínimos daqueles que têm o azar de nascer no país ou na família "errados" são confiados a instrumentos legais cada vez mais ineficazes, a recursos públicos cada vez mais limitados e corroídos por dívidas externas gigantescas, em um contexto em que a ajuda internacional também está diminuindo. A queda de 9% registrada em 2024 foi seguida por uma queda de 17% em 2025: os cortes drásticos no financiamento atuados pelos países ricos, segundo estimativas da Oxfam, poderiam causar 14 milhões de mortes a mais até 2030, número que inclui 4,5 milhões de crianças menores de 5 anos.

É evidente que a meta da Agenda 2030 da ONU de erradicar a pobreza extrema não é mais alcançável, certamente não dentro do prazo estabelecido. Nem será possível depois disso, a menos que a equidade e o desenvolvimento voltem a ocupar o centro das políticas globais. "O crescimento da concentração de riqueza é o contraponto de uma taxa de redução da pobreza global que permanece inalterada nos últimos seis anos", explica Maslennikov, que também destaca que "a pobreza extrema está aumentando novamente na África".

Para ilustrar o quanto a fortuna dos já imensamente ricos está crescendo, a Oxfam utiliza novos paradoxos a cada ano. Este ano, o relatório explica que "se o aumento da riqueza dos bilionários globais registrado em 2025 fosse 'virtualmente' distribuído entre

todos os cidadãos do planeta (à razão de 250 dólares por pessoa), os bilionários ainda seriam mais de 500 bilhões de dólares mais ricos do que em 2024". Mas é ainda mais impressionante ler que a riqueza total detida pelos mais de 3.000 bilionários globais vale 26 vezes o valor necessário para recolocar no limiar de 3 dólares por dia os 831 milhões que vivem em pobreza extrema.

No entanto, os recursos e as energias dos bilionários não estão sendo investidos nessa direção. Pelo contrário, estão sendo usados para consolidar posições já de forte predomínio: nos Estados Unidos, observa o relatório, as empresas associadas às 10 pessoas mais ricas do mundo gastaram 88 milhões de dólares em 2024, um valor superior ao gasto combinado de todos os sindicatos, que chega a 55 milhões. O predomínio dos ricos cria sociedades com desigualdades cada vez maiores, em parte porque o estado de bem-estar social, da educação à saúde pública, regride devido à falta ou à distribuição diferente de recursos. É por isso que a desigualdade é a porta de entrada dos sistemas autoritários: enquanto um país com um estado de bem-estar social ainda forte, como a Suécia, tem "uma probabilidade de regredir do ponto de vista democrático de 4%", calcula a Oxfam, para os Estados Unidos a probabilidade é de 8,4% e para a África do Sul, de 31%. Que desigualdades e autocracia andam de mãos dadas também fica evidente por outro dado: "Entre 2018 e 2024, o número de pessoas que vivem em países com repressão de espaço cívico aumentou em 67%".

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