Basta de fantasias sobre anexação, diz o primeiro-ministro da Groenlândia

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14 Janeiro 2026

Trump quer a Groenlândia e o mundo, na visão do xerife, tem que se dobrar. “É muito estratégica. No momento, a área está repleta de navios russos e chineses. Precisamos da Groenlândia do ponto de vista da segurança nacional”, admitiu. Até que ponto a afirmação trumpiana sobre os navios é uma verdade, permanece a dúvida, uma vez que a imprensa majoritária nada informa a respeito.

A informação é publicada por Edelberto Behs.

Em declaração à CNN, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, reforçou a anexação da Groenlândia como uma prioridade de segurança nacional, uma vez que “ela é vital para deter nossos adversários na região do Ártico.”

“O presidente e sua equipe estão discutindo uma série de opções para atingir esse importante objetivo de política externa e, é claro, utilizar as forças armadas dos Estados Unidos é sempre uma opção à disposição do comandante-em-chefe”, disse.

Se fosse pela vontade de Katie Miller, esposa do vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stepen Miller, o seu país já teria recorrido às forças armadas. Ela publicou em sua conta no X uma foto mostrando a maior ilha do mundo com as cores da bandeira estadunidense e a legenda: “Em breve”.

A Groenlândia tem uma população estimada em 56,5 mil habitantes. Ela é um território autônomo integrado ao Reino da Dinamarca, com um Parlamento – o Inatsisartut – que tem 31 representantes, de cinco partidos, dirigido pelo primeiro-ministro, Jeans-Frederick Nielsen.

Em postagem no Facebook, Nielsen afirmou que a Groenlândia não está à venda. Bateu nos Estados Unidos, mas também amenizou a crítica, reconhecendo que, como membro da OTAN, o território precisa contar com o apoio norte-americano.

“Nosso país não é objeto de retórica de superpotência. Somos um povo. Uma terra. E uma democracia. Isso precisa ser respeitado. Especialmente por amigos próximos e leais”, frisou, reportando-se aos Estados Unidos.

“Fazemos parte da OTAN e estamos plenamente conscientes da localização estratégica do nosso país. E sabemos que nossa segurança depende de bons amigos e alianças fortes. Nesse sentido, uma relação respeitosa e leal com os Estados Unidos é muito importante”, reconheceu.

Mas também mordeu: “As alianças são construídas sobre a confiança. E a confiança exige respeito. Ameaças, pressão e conversas sobre anexação não têm lugar entre amigos. Não é assim que se fala com um povo que demonstrou repetidamente responsabilidade, estabilidade e lealdade. Chega. Basta de pressão. Basta de insinuações. Basta de fantasias sobre anexação!”

Ainda no primeiro mandato, Trump pretendia anexar o território ártico, o que foi confirmado pelo senador Tom Cotton em artigo para o The New York Times em 2019. As razões vão muito além do ponto de vista da segurança nacional. A área é rica em minerais e terras raras, “recursos essenciais para nossas indústrias de alta tecnologia e defesa”, escreveu então o senador por Arkansas.

Duas pesquisas realizadas no início do ano passado entre a população da Groenlândia chegaram a resultados conflitantes. Na primeira, realizada pela Patriot Polling com 416 entrevistados, 57,3% responderam que aprovavam a venda do território aos Estados Unidos. A segunda pesquisa, realizada duas semanas depois pelo Verian Group com 497 adultos da Groenlândia, indicou que 85% não concordavam com a anexação e apenas 9% deram o seu apoio.

Também estadunidenses foram ouvidos a respeito em 29 de agosto de 2025. A YouGov entrevistou 6.996 adultos americanos, dos quais 45% se opuseram à compra da Groenlândia pelos Estados Unidos; 24% apoiaram a transação. Mas 72% se mostraram contrários ao uso da força por tropas americanas para assumirem o controle da Groenlândia.

Trump precisa ouvir mais o seu povo.

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