Trumpsgender. Artigo de Massimo Gramellini

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12 Janeiro 2026

"Não é a primeira vez nos Estados 'Endurecidos' da América que um policial mata alguém à queima-roupa, desta vez uma dona de casa sem antecedentes criminais, simplesmente porque ela se recusou a sair do carro. Mas é a primeira vez que o presidente em exercício se solidariza imediatamente com o atirador e desconta sua raiva na vítima, alegando que ela pediu por isso, apesar das imagens que desmentem as suas palavras", escreve Massimo Gramellini, escritor e jornalista italiano, em artigo publicado por Corriere della Sera, 09-01-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

Ninguém aguenta mais falar de Trump, mas parece impossível falar de qualquer outra coisa: é como uma mancha que se espalha pela toalha de mesa até se tornar a cor dominante. E a toalha de mesa é o direito internacional, a etiqueta institucional e todas as outras “f* besteiras”, diria ele, com as quais nós, no Ocidente, deleitamo-nos por mais de meio século, acabando até mesmo por acreditar nelas. Vejamos a mais recente tragédia em Minneapolis. Não é a primeira vez nos Estados “Endurecidos” da América que um policial mata alguém à queima-roupa, desta vez uma dona de casa sem antecedentes criminais, simplesmente porque ela se recusou a sair do carro. Mas é a primeira vez que o presidente em exercício se solidariza imediatamente com o atirador e desconta sua raiva na vítima, alegando que ela pediu por isso, apesar das imagens que desmentem as suas palavras. Alguns podem estar pensando: Putin e Xi Jinping desde sempre fazem isso. Sim, mas eles não liderem nações livres, onde a polícia responde à lei e não a um déspota. Trump ainda o faz, em teoria.

Ele deveria saber que, se o chefe de um Estado democrático absolve um pistoleiro fardado antes que um juiz o tenha feito ao final de um processo regular, autoriza qualquer outro policial mal-intencionado a soltar seus instintos. O problema é que Trump sabe disso perfeitamente. E o problema ainda mais grave é que seus admiradores também o sabem.

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