09 Janeiro 2026
O governo Trump está preparando uma proposta para convencer a população. A Europa, pronta para enviar dinheiro, está analisando quatro opções.
A informação é de Enrico Franceschini, publicada por La Repubblica, 09-01-2026.
Isso pode se tornar um leilão: uma competição para ver quem paga mais para tomar, ou manter, a Groenlândia. "Tê-la é muito importante", reiterou Donald Trump ontem em entrevista ao New York Times. "Acho que é psicologicamente necessário para o sucesso. Acho que a propriedade lhe dá algo que você não consegue com um simples arrendamento. A propriedade oferece elementos que você não consegue simplesmente assinando um documento." E assim, os Estados Unidos estão discutindo a possibilidade de fazer pagamentos "em parcela única" aos habitantes da ilha, para convencê-los a se separar da Dinamarca e se tornarem americanos: segundo fontes do governo Trump, os valores variam de US$ 10.000 a US$ 100.000 por pessoa. Mas a Europa também está se preparando para enviar mais dinheiro para a Groenlândia, mesmo que não diretamente para o bolso de cada uma das 50.000 pessoas que vivem lá: a UE se comprometeu a mais que dobrar seu orçamento para o território autônomo gelado da Dinamarca, gastando 530 milhões de euros ao longo de sete anos, a partir de 2028.
Um desafio com dólares ou euros é uma das opções consideradas nos círculos diplomáticos em resposta ao desafio lançado pela Casa Branca, que não descartou o uso da força para anexar a Groenlândia, mas parece mais empenhada em convencer a Dinamarca a vendê-la. É isso que o secretário de Estado americano, Marco Rubio, discutirá com seus interlocutores em Copenhague na próxima semana. "O que eu digo aos líderes europeus é: levem a sério o que Donald Trump diz", afirmou o vice-presidente J.D. Vance.
Se a primeira opção é dinheiro, a segunda é chegar a um acordo: dar a Trump algo que o presidente possa apresentar como uma vitória, garantindo simultaneamente que a Groenlândia permaneça groenlandesa. Como? Investindo mais na defesa militar da ilha (a UE enfatiza que já o faz), permitindo que os EUA abram bases militares adicionais além das que já possuem (conforme previsto em um tratado bilateral de 1951) e lançando iniciativas conjuntas para a exploração mineral da região, tão desejada pelo líder da Casa Branca.
Uma terceira opção é a retaliação: a chamada "bazuca econômica" que Bruxelas já havia considerado usar no impasse sobre o aumento tarifário ameaçado por Trump. A quarta opção é militar: a carta menos provável de se jogar, porque em termos de força, não há comparação com os Estados Unidos. Uma coisa é certa: "A Europa precisa estar mais presente e ativa no Ártico, e é por isso que estamos revisando nossa estratégia para lidar com novas ameaças geopolíticas", admite um porta-voz da Comissão Europeia. O Financial Times comenta: "Até agora, a posição da Europa sobre a questão da Groenlândia tem sido a de implorar a Trump. Claramente, isso não está funcionando."
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