Após o Jubileu de Francisco, o consistório de Leão XIV: o pontificado de Prevost começa

Papa Leão XIV fechando a Porta Santa da Basílica de São Pedro | Foto: Vatican Media

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07 Janeiro 2026

Leão XIV encerrou ontem o Jubileu, o último grande evento herdado de seu antecessor Francisco, que faleceu em abril passado, e agora enfrenta um novo e singular período que começa esta tarde, com a primeira "cúpula" de cardeais de todo o mundo para auxiliá-lo em seu governo.

A reportagem é de Gonzalo Sánchez, publicada por EFE e reproduzida por Religión Digital, 07-01-2026.

O Papa americano foi eleito em maio passado, após a morte do Papa genovês, portanto, nesses primeiros meses, uma parte significativa de sua agenda já havia sido definida por seu falecido antecessor. De fato, tanto a primeira viagem internacional de Leão XIV, à Turquia e ao Líbano, quanto sua primeira exortação, "Dilexi te", sobre o "amor aos pobres", foram planejadas por Bergoglio.

Mas o evento que marcou o início do novo pontificado foi o Jubileu que a Igreja convoca a cada vinte e cinco anos para oferecer indulgência aos peregrinos e que, neste caso, foi aberto e encerrado por dois papas diferentes, algo sem precedentes desde o ano de 1700.

O Ano Santo foi abruptamente interrompido em abril com a morte de Francisco e, em seguida, retomado com a eleição de Leão XIV, a quem foi atribuída a tarefa de o concluir, presidindo às suas numerosas audiências jubilares e vivenciando, durante o seu decorrer, a sua primeira grande reunião pública em agosto, perante um milhão de jovens de todo o mundo em Roma. Mas na última terça-feira, Festa da Epifania, Prevost finalmente o encerrou com o fechamento da Porta Santa da Basílica de São Pedro e, após este rito solene, prepara-se agora para uma nova e distinta era.

Este novo capítulo na história de Leão XIV começará esta tarde, apenas um dia após o Ano Santo e as celebrações de Natal, com a celebração de um primeiro consistório extraordinário, sobre o qual pouco foi revelado apesar de sua iminência. O Código de Direito Canônico descreve esses consistórios — distintos dos consistórios ordinários, mais frequentes e com menor número de participantes — como uma reunião de "todos os cardeais" convocada em casos de "necessidades peculiares ou para tratar de assuntos especialmente graves".

Para esse fim, Leão XIV solicitou em carta que todos os cardeais do mundo — atualmente 245 — viajem a Roma para cumprir um de seus deveres: auxiliá-lo colegialmente em assuntos de grande importância. A Santa Sé ainda não especificou o objetivo ou os temas a serem abordados no encontro, nem esclareceu quantos cardeais participarão, um grupo que nos últimos anos tem se dividido entre uma facção conservadora e outra mais aberta, "à la Bergoglio".

"Apoio e aconselhamento"

O Papa anunciou apenas, em um breve comunicado, que o consistório durará dois dias, até quinta-feira, e que espera que os cardeais lhe ofereçam "apoio e conselhos no exercício de sua elevada e importante responsabilidade de governar a Igreja universal". O comunicado conclui que o encontro será caracterizado por "momentos de comunhão e fraternidade" e por momentos de "reflexão, oração e troca de ideias", pelo que se espera que sejam debatidos temas significativos.

A sua convocação marca uma diferença em relação a Francisco, que desde 2013 optou por um pequeno Conselho de cardeais para aconselhamento, embora tenha realizado um consistório extraordinário em 2014 para o Sínodo sobre a Família e outros fóruns semelhantes em 2015 e 2022 para as suas reformas. Em contraste, João Paulo II convocou-o em seis ocasiões entre 1979 e 2001, sempre para abordar questões cruciais como o estado das finanças do Vaticano ou a posição da Igreja na virada do milênio, enquanto Bento XIV não realizou nenhum.

 Na expectativa do desfecho deste imprevisível consistório, o novo Papa procedeu com cautela e lentamente, nos seus primeiros oito meses, na reformulação da Cúria Romana herdada de Francisco, mantendo inclusive o mesmo Secretário de Estado. Por isso, logo após a sua eleição, confirmou todos os seus nomeados e solicitou um período de reflexão antes de implementar quaisquer mudanças.

A partir de agora, em 2026, Leão XIV continuará a se revelar ao mundo, algo que já começou a fazer ao exibir alguns de seus gostos e um novo estilo. Em breve, ele planeja se mudar para o Palácio Apostólico, que permaneceu sem uso durante os doze anos de pontificado de Francisco, participar de sua primeira Semana Santa em Roma e anunciar possíveis viagens. Uma viagem que já está sendo planejada é para a Espanha — o último papa a visitar o país foi Bento XIV, em 2011 — e, para isso, ele tem agendado para esta sexta-feira a recepção da Conferência Episcopal Espanhola no Vaticano.

 

 

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