07 Janeiro 2026
Provocação de Dmitriev, negociador em Kiev: "Então é a vez do Canadá?" E ele publicou um mapa com o mundo dividido em três.
A informação é de Rosalba Castelletti, publicada por La Repubblica, 07-01-2026
Pouco importa que seja véspera do Natal ortodoxo russo. Kirill Dmitriev não perde a oportunidade de zombar da União Europeia depois que Donald Trump relançou suas ambições em relação à Groenlândia. O enviado presidencial para a cooperação econômica, bem como negociador com os EUA sobre a Ucrânia, está tuitando compulsivamente na rede social X.
Primeiro, uma alfinetada: "A Groenlândia parece um negócio fechado. A UE continuará fazendo o que os vassalos fazem de melhor: 'monitorar a situação' e demonstrar dois pesos e duas medidas. Próximo alvo: Canadá?" Em seguida, ele relança um mapa irônico de como Trump dividiria o mundo entre si, o presidente russo e o líder chinês: todo o Hemisfério Ocidental para si; Ásia, Europa e parte da África para Vladimir Putin; o resto para Xi Jinping. "A era de redesenhar os mapas de influência. E a UE está 'monitorando de perto'", comenta.
Os belicosos "blogueiros Z" permanecem em silêncio, ainda se recuperando da operação americana para depor o venezuelano Nicolás Maduro, que, em poucas horas, expôs ainda mais as falhas da Operação Militar Especial na Ucrânia, em curso há quatro anos. Apenas o correspondente militar do Komsomolskaya Pravda, Alexander Kots, explora o temor da primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, de que uma possível intervenção americana na Groenlândia possa levar ao colapso da OTAN: "O presidente americano precisa de apoio. Vamos lá, Donny, acabe com a OTAN!". O filósofo soberanista Alexander Dugin observa que os Estados Unidos abandonaram a "diplomacia de fachada" em favor da lógica do mais forte. "O mais irônico é que, quando se trata de qualquer outra nação, essa posição automaticamente se torna 'agressão', 'imperialismo' e motivo para sanções."
Os únicos parlamentares que emergiram do longo fim de semana de comemorações foram os senadores Andrei Klishas e Alexei Pushkov. O primeiro alerta que o "anão político" dinamarquês deve se preparar para cenários em que as "regras" globais sejam definidas sem a União Europeia. O segundo, por sua vez, revivendo diversos temas caros à propaganda russa, afirma que a Europa "colherá os frutos de suas próprias políticas. Separou Kosovo da Sérvia? Destruiu a Líbia? Participou da ocupação do Iraque? Apoiou o golpe na Ucrânia? Destruiu o direito internacional? Agora pode ser a sua vez de pagar o preço."
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