Novo bispo em Roma, um bispo novo para a Diocese de Lages. Artigo de P. Vitor Hugo Mendes

Catedral diocesana de Lages. (Foto: Divulgação)

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07 Janeiro 2026

"No dia 05 de novembro de 2025, Leo XIV tornou pública a nomeação do bispo eleito para a Diocese de Lages, região serrana de Santa Catarina", escreve Vitor Hugo Mendes.

Vitor Hugo Mendes é presbítero da Diocese de Lages, Santa Catarina. Doutor em Educação (UFRGS), doutor em Teologia (Salamanca/Espanha). Pós-doutor em Pensamento Ibérico e Latino-americano, Pós-doutor em Educação. Pároco emérito da Par. N. S. das Graças (Lages). Foi secretário do Departamento de Cultura e Educação (2011-2015) e membro da Comissão Teológica do CELAM. Autor do livro, em dois volumes, Liberación, un balance histórico bajo el influjo de Aparecida y Laudato si’. El aporte latinoamericano de Francisco (APPRIS/AMERINDIA, 2021). Recentemente lançou O sujeito da educação: a propósito de um sujeito linguístico em educação (2025). Realiza estágio pós-doutoral no PPG Teologia da PUCRS.

O presente artigo faz parte de uma pesquisa acadêmica, em andamento, sobre o Centenário da Diocese de Lages (1927-2027).

Eis o artigo. 

Desde a eleição do novo bispo de Roma, são intermináveis o interesse pela história do santo padre: sua origem americana, perguntas sobre sua trajetória no Peru, pedidos por um parecer sobre o sucessor do Papa Francisco, etc. Passados pouco mais de seis meses, a eleição pontifícia de Roberto Francisco, Cardeal Prevost, ainda desperta expectativas e análises sobre o caminhar da Igreja. Afinal, é o guia espiritual de mais de 2,18 bilhões de cristãos católicos espalhados pela casa comum.

Durante esse curto período de tempo no governo da Igreja, Leo XIV nomeou em torno de 170 bispos para a Igreja em diferentes países. Para o Brasil (até meados de dezembro), foram ao menos 21 bispos, incluindo as transferências (12) e a escolha de novos bispos (13). O novo bispo de Lages, Gilson Meurer, salvo engano, foi o 13º escolhido por Leo XIV para o episcopado no Brasil.

Salvaguardada as devidas proporções, a história se repete na Serra Catarinense... não é pouca a curiosidade de muitos em descobrir algo sobre o bispo novo nomeado para a Diocese de Lages. Em geral, não só os mais bisbilhoteiros, tratam de escrutinar sua história de vida: jeito de ser, gostos, signo, estilo de vida, modelo de Igreja, projetos eclesiais, etc. etc. etc. Há um pouco de tudo... rumores, temores e, obviamente, a alegre expectativa de que se inicie uma nova etapa evangelizadora na Serra Catarinense.

Tudo seria melhor e diferente se o espírito sinodal tivesse impregnado profundamente a Igreja nestas terras: a ‘escuta’ como caminho de acolhida; escutar é mais do que ouvir. Além disso, para uma terra de gente hospitaleira, como é a região serrana, nada seria mais apropriado do que receber bem quem chega, independente de quem seja; prosear para conhecer e dar-se a conhecer, vencer a ‘desconfiança’ pela proximidade de um bom chimarrão ou um bom café feito na hora. Algo típico da cultura cabocla raiz bem-educada.

Mons. Gilson Meurer, é catarinense, do clero secular da arquidiocese de Florianópolis. Com diferentes experiências pastorais (Brasil, Itália e Portugal), fez doutorado em teologia bíblica pela Universidade Gregoriana de Roma. Por último, entre outros afazeres, esteve como reitor e formador do seminário maior de Florianópolis e professor de teologia na FACASC. É o sexto bispo diocesano de Lages, o segundo que pertence ao clero secular.

Na Diocese de Lages os bispos anteriores trouxeram como nome de família Hostin, Piazera, Marchiori, Andreassa e Werlang. Meurer (de pronúncia Móirer), é um sobrenome de origem germânica. Como muitos outros de tradição europeia, diferente do legado de nobreza, carrega uma história de trabalho artesão e trajetória de retirante. Assim chegaram ao Brasil como parte do fluxo imigratório alemão que buscou guarida em diferentes cidades do Estado.

De acordo com a Wisdom Library, “‘Meurer’ tem origem alemã e é derivado de um ofício. Acredita-se que tenha se originado do termo do alto alemão médio ‘miurer’ ou ‘murer’, que significa ‘pedreiro’ ou ‘construtor de muros’. Assim, o sobrenome era originalmente atribuído a pessoas que trabalhavam na construção, especialmente com pedra”. Existe ainda uma outra versão “que sugere a origem no século XII aproximadamente através dos Mauernbrecher (Mauerbrecher), que significa ‘rompe muros’. Eram os que utilizavam máquinas de assalto na batalha a fim de romper portas, muros, etc.”

Construindo ou derrubando muros, edificando ‘pontes’, o bispo Meurer certamente vai encontrar muito e bom trabalho nesta região conhecida como o Continente das Lagens.

Outros Tempos, Novas Oportunidades

Nascido em 1973, o bispo de Lages poderia ser incluído naquela ‘geração híbrida’ que ainda recorda que transitou do analógico ao digital e, a seu modo, conecta tanto o universo online quanto o mundo off-line; uma prole que ainda preserva algo de ‘vida real’ que sobrevive para além do virtual (metaverso). No âmbito eclesial, nasceu no tempo de Paulo VI, cresceu e tornou-se padre (2002) com João Paulo II. Como padre-estudante (2005-2016), viveu em Roma no período de Bento XVI e de Francisco.

Assim como todos nós, assiste, uma ‘mudança de época’ agitada e, no período recente, acompanha travessias de grande importância na Igreja Católica.

Com a eleição do Cardeal Prevost para o sólio de Pedro —sucessor de Francisco, o primeiro latino-americano—, apenas vai ganhando contorno o pontificado do novo bispo de Roma oriundo das duas Américas. Um papado que promete ser longo e decisivo para a história da Igreja no século XXI; caminha ‘sem pressa, mas sem pausas’. Trata-se de levar em frente as reformas eclesiais trazidas pelo seu predecessor; implementar o Sínodo sobre a sinodalidade na Igreja (2021-2024); vencer o clericalismo; reconhecer o lugar das mulheres na Igreja; e, não por último, promover o cuidado da casa comum em uma perspectiva cada vez mais ecumênica.

Por sua vez, na América Latina e Caribe, a Igreja busca ainda não só ‘redescobrir’ o tesouro que é Aparecida (2007), mas também abrigar a novidade de sua imponente primeira Assembleia Eclesial (2021) —que recriou, pela via sinodal, a histórica trajetória das Conferencias Gerais do Episcopado (1955-2007). Além disso, está empenhada em operacionalizar reformas estruturais que envolvem o CELAM e a Igreja Latino-americana. Nisto vem incluído, entre outros, a importância e o alcance inovador da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA), um fruto maduro do Sínodo Pan-amazônico (2019).

No Brasil —diante de um quadro religioso em vertiginosa mutação e que aponta para diminuição constante dos cristãos católicos e o progressivo crescimento do movimento evangélico—, aguarda-se, com certa expectativa, a próxima Assembleia da CNBB. Com ela, as novas Diretrizes da Ação Evangelizadora (2026-2030). Certamente trará renovada atenção ao magistério de Francisco e acolhida efetiva ao pontificado do Papa Leão. Junto a isso, poderia urdir um rumo realmente ‘democrático’ para o país: um apelo de comunhão capaz de vencer o conservadorismo, a polarização e o ódio que atravessa a sociedade e a(s) igreja(s).

Já em Santa Catarina, prossegue com ânimo a renovação do episcopado. Há pouco mais de um ano foram criadas duas novas arquidioceses, Joinville, no Norte do Estado e, Chapecó, no extremo Oeste, da qual as dioceses de Lages e Caçador, na região serrana, tornaram-se sufragâneas. Trata-se de novos ‘sujeitos eclesiais’ que, a seu tempo, com a tarefa de organizar-se como instâncias de participação sinodal, têm o desafio de recompor o regional Sul IV da CNBB em sua histórica ação pastoral-evangelizadora. Talvez, como nunca antes, experimenta-se um tempo particularmente desafiador para a Igreja e a sociedade catarinense. Um tempo incomum de ‘progressismo às avessas’ que exige lucidez, atitudes mais ousadas e proféticas, e renovada criatividade evangelizadora.

Viver o presente com paixão, abrir-se ao futuro com esperança

Como se pode notar nessas breves notas, a Igreja e suas comunidades carregam as marcas do tempo no seu contexto socioeclesial e, inevitavelmente, desdobramentos que se atualizam como desafios e oportunidades. Neste sentido, mesmo em uma época sinodal em que sobressai o caminhar juntos, a nomeação de um bispo, na Igreja Católica, não deixa de ser algo ‘extraordinário’.

Ademais de um ‘acontecimento’ significativamente importante para a comunidade de fé, acompanhado de alegria e festa, a eleição do bispo —epíscopo, aquele que vigia, enxerga longe— constitui um marco determinante da pastoral na Igreja local. Uma missão de grande significação no diálogo com a sociedade (instituições civis e públicas, organizações populares, etc.).

Claro, diferente de outras épocas, a importância do bispo diocesano, segundo parece, reside cada vez menos em sua ‘figura institucional’, soberana, adquirida com a ‘posse canônica’ da diocese —“Compete ao Bispo diocesano governar a Igreja particular que lhe foi confiada, com poder legislativo, executivo e judicial, segundo as normas do direito” (CDC 391, § 1).

Sobretudo com Francisco, o episcopado foi purificado de qualquer arranjo de grandeza e poder para redescobrir um caráter pastoral prioritário e inigualável de serviço ao Evangelho. Para tanto —ensinava o bispo de Roma— “é necessário um olhar capaz de refletir a ternura de Deus”.

Com essa sensibilidade, no México (2016), Francisco advertia os bispos: “sede bispos de olhar límpido, alma transparente, rosto luminoso; não tenhais medo da transparência; a Igreja não precisa da obscuridade para trabalhar. Vigiai para que os vossos olhares não se cubram com as penumbras da névoa do mundanismo; não vos deixeis corromper pelo vulgar materialismo nem pelas ilusões sedutoras dos acordos feitos por baixo da mesa; não ponhais a vossa confiança nos ‘carros e cavalos’ dos faraós de hoje, porque a nossa força é a ‘coluna de fogo’ que irrompe separando em duas as águas do mar, sem fazer grande rumor (Ex 14, 24).”

Tratando de dar o exemplo, Francisco de Roma incentivou os bispos a não permanecer na “administração burocrática das estruturas”, aconselhando: “isto seja feito por outros”. Também desestimulou a “busca de privilégios e vantagens”. E dizia-lhes, na Eslováquia (2021): “por favor, sede servos. Servidores, não príncipes. Que vos peço? A ardente paixão pelo Evangelho, tal como o Evangelho é. Fidelidade e paixão pelo Evangelho”.

Nada de novo quando se toma em consideração o que escrevia Francisco ainda em sua carta programática Evangelii gaudium (2013): “Às vezes sentimos a tentação de ser cristãos, mantendo uma prudente distância das chagas do Senhor. [...] Está claro que Jesus não nos quer como príncipes que olham desdenhosamente, mas como homens e mulheres do povo. Esta não é a opinião de um Papa, nem uma opção pastoral entre várias possíveis; são indicações da Palavra de Deus tão claras, diretas e contundentes, que não precisam de interpretações que as despojariam da sua força interpeladora. Vivamo-las sine glossa, sem comentários. Assim, experimentaremos a alegria missionária de partilhar a vida com o povo fiel de Deus, procurando acender o fogo no coração do mundo” (nn. 270, 271).

O Sínodo sobre a sinodalidade da Igreja soube recolher e dar atenção teológico-pastoral à determinada determinação do bispo de Roma, papa da Igreja, de viver uma Igreja pobre para os pobres, combater o clericalismo e implementar a sinodalidade em todas as instâncias da Igreja.

Entre muitas outras importantes passagens, o Documento Final do Sínodo, referindo-se ao episcopado, recorda: “Quem é ordenado Bispo não recebe prerrogativas e tarefas que deve desempenhar sozinho. Pelo contrário, recebe a graça e a tarefa de reconhecer, discernir e compor em unidade os dons que o Espírito derrama sobre as pessoas e sobre as comunidades. O ministério do bispo é um serviço na, com e para a comunidade” (nn. 69, 70).

Ainda sobre a virtude do ‘despojamento’, enquanto solicitude pastoral, o Sínodo também sublinhou que “o discernimento eclesial —tarefa incontornável do ministério episcopal—, não é uma técnica organizativa, mas uma prática espiritual a ser vivida na fé. [...] Nunca é a afirmação de um ponto de vista pessoal ou de um grupo, nem se resolve na simples soma de opiniões individuais”. Antes, trata de ser uma construção conjunta que, sem exceções, na obrigação de ouvir a todos, busca “reconhecer ‘o que o Espírito diz às Igrejas’” (n. 82).

Muito embora um novo bispo —em Roma, em Lages ou em qualquer outro lugar— precise ocupar-se de inúmeras questões administrativas, financeiras e até mesmo das ‘burocracias’ para solucionar problemas de governo na diocese, aquilo que realmente distingue um bispo do outro é o seu horizonte evangelizador, o seu gênio pastoral. Portanto, trata-se de cuidar para não se perder em coisas secundárias. Evidentemente que há estilos, virtudes pessoais, carismas, manias... que podem ser destacados, vistos e notados, não obstante, para além de qualquer protagonismo pessoal, a Igreja “existe para Evangelizar” (EN, n. 14), e isto significa “tornar presente o Reino de Deus no mundo” (EG, n. 176).

Diante dessa responsabilidade inalienável —tornar presente o Reino de Deus no mundo—, a ‘estatura’ maior de um bispo será sempre a grandeza do seu ‘horizonte evangelizador’. Aí está o prumo e o rumo: conservar “o sentido autêntico e integral da missão evangelizadora” (EG, n. 176). Não está dado previamente (a priori), porque “toda ação evangelizadora autêntica é sempre ‘nova’” (EG, n. 11), processo, aprendizagem, caminho a ser trilhado juntos. Nem por isso pode ser vítima da procrastinação, uma postergação sem fim que dá lugar ao menos urgente e ao mais prazeroso (festivo). Ao olhar para traz —retrospectivamente— será preciso ver o caminho feito bem feito: o rosto de uma Igreja ‘inculturada’, os efeitos de uma Igreja evangelizada e evangelizadora.

Nós somos o povo serrano, queremos nos evangelizar

A Diocese de Lages —juntamente com a (Arqui)diocese de Joinville—, celebrará em 2027 sua festa centenária de criação, efeméride que está na origem da Província Eclesiástica de Florianópolis (1927). A instalação da Igreja diocesana de Lages deu-se em 1929, com a chegada do seu primeiro bispo, o catarinense D. Daniel Hostin, franciscano conventual. Foi sucedido por D. Honorato Piazera, SCJ.

Muito embora a evangelização dos Campos de Lages teve o seu início ainda em 1766, com a chegada dos colonizadores portugueses e da devoção à Nossa Senhora dos Prazeres, a criação da diocese serviu de máximo impulso para inúmeras outras iniciativas de organização e animação pastoral. Não foram poucos os desafios daqueles primeiros tempos. Ainda hoje Lages é o maior município e a maior diocese em extensão de Santa Catarina; corresponde à Diocese de Lages a região mais empobrecida do Estado.

Em 1991, aperfeiçoando os processos anteriores de evangelização, por ocasião dos seus 60 anos, a Diocese de Lages confeccionou o seu primeiro Plano Diocesano de Pastoral e, a seu modo, fez sua a opção pela Igreja CEBs e pelos pobres (uma recepção quase ‘tardia’ de Medellin e Puebla). Desde então, para todos os efeitos, foram cinco os planos de pastoral que trazem a firma de D. Oneres Marchiori (1991-2014). Permaneceu em Lages como bispo —coadjutor, titular e administrador diocesano— mais de 26 anos. Sua renúncia, por idade, foi aceita em 2009. Faleceu em 2017.

Ainda naquele contexto, na confecção do segundo Plano Diocesano de Pastoral (1995-1999), coube esboçar em detalhes o rosto de uma Igreja inculturada na Serra Catarinense. Formulado como objetivo geral da ação evangelizadora, foi longamente explicitado no texto do plano. Por primeira vez, apareceu a epígrafe Nós somos o Povo Serrano, queremos nos Evangelizar. Com originalidade, diferente de tudo o que havia até então, inaugural, com todas as letras, insurge um ‘sujeito comunitário’, com rosto próprio, como protagonista da ação evangelizadora na Igreja (do Brasil). Algo que, mais recentemente, com todas as forças, quiseram eliminar (em nome da ortodoxia ‘gramatical’).

O sexto plano de pastoral (2015-2021), sem maiores alterações, foi atualizado e adequado ao novo bispo, Irineu Andreassa (2009-2016), recém-chegado e transferido pouco tempo depois. O sétimo plano de pastoral, sob a guia do último bispo, Guilherme A. Werlang (2018-2025), ficou apenas na promessa. Inconcluso, providencialmente, não veio à luz. Seria pouco consequente prender a diocese e encadear o novo bispo em um ‘projeto’ que carece de verificar o seu verdadeiro alcance sinodal e a efetividade do seu impacto pastoral na Região Serrana.

Evangelização na serra catarinense. Memória, desafios e oportunidades

Em 2020, em plena pandemia da Covid-19, recém nomeado um novo coordenador de pastoral, a Diocese Lages discutia um projeto preliminar para a realização de um Ano Missionário Diocesano (2021-2022). Foi enunciado como parte da elaboração do Plano de Pastoral da Diocese. Embora formulado e discutido, o projeto não foi executado.

Na 37ª Assembleia Diocesana de Pastoral (04/12/2021, por decisão unânime, foi aprovada “a urgência e necessidade” da diocese “elaborar um novo Plano Diocesano de Pastoral”. A primeira sessão da 38ª. Assembleia de trabalho foi convocada para 8 de fevereiro de 2022. Realizou-se posteriormente em nova convocatória. A quarta e última sessão de trabalho, convocada inicialmente para 05 de julho, realizou-se em 26 de julho de 2025. O caminho escolhido, com muitos percalços e uma série de improvisações, não foi satisfatório.

Concomitante ao processo de escuta sinodal, foram realizados muitos outros diálogos a respeito da pastoral na Igreja diocesana. Ainda em setembro de 2021, como ‘assessoria ad hoc’ à Coordenação de Pastoral, foi disponibilizado ao bispo, para a reflexão na diocese, um estudo esquemático, mas bastante completo sobre os Planos Diocesano de Pastoral. Intitulado Itinerários da Evangelização (1991-2022), o estudo vinha acompanhado de um Exercício de Planejamento da Evangelização na Região Serrana. O trabalho, propunha um conjunto de programas e atividades que deveria ser concluído com a celebração do centenário de criação da diocese.

Curiosamente, o estudo e o planejamento, senão omitidos, foram literalmente ignorados nas instâncias de governo e de reflexão pastoral; por fim, descartados sem merecer qualquer consideração. Basta dizer que o calendário proposto, para um sexênio de trabalho (2021/2027), previa que o Plano Pastoral (Diretrizes e Orientações) fosse concluído (aprovado), no máximo, na Assembleia Diocesana de 2023. Por conta disso, ficou ainda mais manifesto que o atraso no processo atual foi enorme e os prejuízos para a pastoral diocesana possivelmente ainda não foram calculados (porque não gera renda).

Obviamente que, para uma Igreja às vésperas de celebrar o seu primeiro centenário, o assunto não pode, simplesmente, se restringir ao desafio de ‘fabricar’ um Plano de Pastoral para a diocese. Será preciso alargar, e muito, o ‘espaço da Tenda’, o ver e o fazer. Há muito mais a ser considerando nesse processo: história, cultura, conversão das estruturas e da mentalidade, processo sinodal, etc.

Além disso, será preciso rediscutir a Evangelização na Serra Catarinense. Hoje ela é católica, evangélica e ‘insuficiente’. Precisamos fazer um exercício de memória consequente, mapear com precisão os desafios e identificar as oportunidades reais; enfim, revitalizar a política e a religião.

Mas isso é assunto para o próximo artigo. Enquanto isso, votos de bom trabalho ao novo bispo!

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