O cardeal Müller liberta seu prefeito interior e fala com Leão XIV sobre a questão pró-vida

Foto: Pexels/Canva

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21 Outubro 2025

  • O Papa não comparou nem relativizou essas situações, mas apenas falou da coerência subjetiva exigida em todos os casos de proteção da vida. Aborto significa matar uma pessoa inocente, e a Igreja sempre disse que é um crime brutal. Mas não pode ser equiparado à pena de morte.

  • "Quem diz ser contra o aborto, mas a favor da pena de morte, não é verdadeiramente pró-vida", disse o Pontífice.

O artigo é de José Lorenzo, jornalista espanhol, publicado por Religión Digital, 20-10-2025.

Eis o artigo.

O Papa não comparou nem relativizou essas situações, que são objetivamente diferentes, mas apenas falou da coerência subjetiva exigida em todos os casos de proteção da vida. Aborto significa matar uma pessoa inocente, e a Igreja sempre disse que é um crime brutal. Mas não pode ser equiparado à pena de morte.

O Cardeal Gerhard Ludwig Müller canalizou seu cargo interior de prefeito emérito do Dicastério para a Doutrina da Fé, que ocupou durante os cinco anos de pontificado de Francisco, para tentar qualificar as declarações de Leão XIV de 30 de setembro, quando, respondendo a um prêmio concedido pelo Cardeal Cupich a um senador democrata pró-aborto por seu trabalho em defesa dos migrantes, declarou ao deixar Castel Gandolfo: "Quem diz ser contra o aborto, mas a favor da pena de morte, não é verdadeiramente pró-vida", acrescentou o Pontífice. "E quem diz ser contra o aborto, mas a favor do tratamento desumano de imigrantes nos Estados Unidos, não sei se é pró-vida."

"Conheço um criminoso que matou outros homens. Até o Antigo Testamento fala da pena de morte para quem mata outro homem. Pessoalmente, sou contra essa punição, mas lembremos que nos ensinamentos da Igreja era aceito, dentro de certos limites e em casos extremos, que as autoridades civis pudessem aplicá-la", observou o cardeal alemão em entrevista ao Il Giornale.

"A questão dos migrantes", continua Müller, "é uma história diferente: devemos sempre tratar nossos vizinhos como irmãos e irmãs, mas os estados têm todo o direito de regular a imigração ilegal e proteger suas próprias populações, talvez de criminosos que chegam de outros países", no que parece ser outra correção às palavras do primeiro papa americano, alarmado com a política de deportações em massa de Donald Trump, que o levou a pedir aos bispos de seu país que se mobilizassem e levantassem suas vozes em defesa dos 11 milhões de migrantes sem documentos que o presidente prometeu expulsar.

Na entrevista, o ex-prefeito — nomeado por Bento VI — também expressou sua discordância com o fato de um grupo de peregrinos LGBT ter sido autorizado a passar pela Porta Santa da Basílica de São Pedro durante este ano jubilar, uma questão que irritou os setores mais extremistas da Igreja.

Contra a peregrinação LGBTI

Questionado sobre a "confusão" que isso teria gerado nesses setores, Müller ressalta que "não sei se o Papa dirá algo, mas a situação é muito clara: o Ano Santo e a Porta Santa não podem ser instrumentalizados para uma ideologia desse tipo. A Igreja, em nome de Jesus Cristo, aceita todos os homens e seus problemas, mas Deus criou o homem e a mulher, e somente este casamento é a única possibilidade de convivência. A Porta Santa não pode ser usada para fins políticos".

E, embora não o mencione, não é muito difícil perceber alusões ao Papa Francisco, a respeito dos primeiros meses do pontificado de Prevost, Müller ressalta que "estamos todos contentes que o Papa Leão tenha iniciado seu pontificado com Cristo, o centro da fé cristã", e ressalta que se houver surpresas durante seu mandato, "espero que se refiram à Palavra de Deus e não ao sensacionalismo, por exemplo, dizendo que este é o primeiro Papa a ir a Moscou ou coisas do tipo".

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