A ira queima Israel. "Essa guerra é um crime contra todos nós"

Foto: cottonbro studio/Pexels

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

09 Setembro 2025

Cresceu, espalhando-se pelas ruas, bloqueando as estradas, ocupando as escolas. Ontem, o protesto dos israelenses que pedem o fim da guerra e a libertação dos reféns, agora de maioria, subiu no telhado da Biblioteca Nacional, enfrentando a detenção, e incendiou pneus e lixeiras, criando um "anel de fogo" ao redor da residência do primeiro-ministro Netanyahu em Jerusalém. Foi o primeiro "Dia das desordens", liderado por Anat Engerst, mãe de Matan, e Vicky Cohen, mãe de Nimrod, dois entre os 48 reféns ainda nas mãos do Hamas.

A reportagem é de Luca Foschi, publicada por Avvenire, 04-09-2025. A tradução é de Luisa Rabolini.

Na terça-feira, 367 reservistas emitiram um duríssimo manifesto rejeitando a convocação às armas para a tomada da Cidade de Gaza. Dois dias, dois passos além da linha da legalidade para se opor à radical deriva belicista do executivo. Segundo a polícia, os incêndios atingiram os bairros de Rehavia e Givat Ram de Jerusalém, danificando vários carros e forçando a evacuação de vários moradores dos prédios vizinhos. Na tarde, centenas de pessoas se reuniram em frente à casa do ministro de Assuntos Estratégicos, Dermer, um dos principais negociadores de Israel, acusado de ter fracassado completamente a tratativa para a libertação dos prisioneiros ainda soterrados nos túneis de Gaza e de ter se curvado ao extremismo dos partidos mais radicais de Ben-Gvir e Smotrich.

A multidão, que chegou a reunir milhares de pessoas, depois se dirigiu à casa de Netanyahu: "Estão cometendo um crime contra todos nós", gritou Vicky Cohen no megafone.

"Vocês os abandonaram e os mataram", havia sido a mensagem ao governo durante a manhã, escrita em enormes faixas estendidas do telhado da Biblioteca Nacional pela Coalizão das Mães e Mulheres, que pagou o preço com a detenção de 13 pessoas. Duas foram presas à noite pelos incêndios: teriam 60 e 80 anos. A resposta do primeiro-ministro foi dura: "Eles ultrapassaram todos os limites, querem matar a mim e à minha família." "Terrorismo" é a palavra usada pelo ministro da Segurança, Ben-Gvir, para descrever os incêndios da manhã. "A onda de ataques incendiários foi realizada com o apoio da procuradora-geral, que quer incendiar o país", acrescentou Ben-Gvir, referindo-se a Gali Baharav-Miara, "culpada" de se opor à implementação de um decreto do ministro que gostaria de limitar drasticamente as manifestações em Israel. Ben-Gvir, entusiasta promotor da anexação de Gaza e da Cisjordânia, estava na mira do Hamas, revelou o Shin Bet. Uma célula planejava matá-lo com um drone carregado de explosivos. Vários homens foram presos em Hebron, onde Ben-Gvir mora na colônia ilegal de Kyriat Arba. "É a quinta vez que tentam e fracassam", comentou o líder de

Poder judaico

O triunfo das ferramentas de segurança foi relançado pelas palavras que o ministro da Defesa Katz usou no X para saudar a inauguração do satélite espião "Ofek 19", lançado com sucesso na terça-feira: "É uma mensagem para os nossos inimigos, estamos observando vocês o tempo todo". Muito mais abaixo, na periferia da Cidade de Gaza, a chuva de mísseis continuou ao longo do dia, em coerência com o afirmado pelo Chefe do Estado-Maior, Zamir, que anunciou o início da fase mais complexa e sangrenta de "Carros de Gideão 2", o ataque final ao reino subterrâneo do Hamas. No mínimo 50 pessoas foram mortas ontem, seis delas por causas ligadas à desnutrição.

A intensificação do ataque à Cidade de Gaza se reflete no número de deslocados: seriam entre 70 mil e 80 mil as pessoas que abandonaram a cidade nos últimos dias, segundo as fontes de segurança israelenses. Haviam sido apenas 10 mil nas duas semanas anteriores. "O Hamas está tomando várias medidas para impedir que a população se desloque para o sul", afirmam as fontes militares, implicando que o movimento islamista está tentando transformar o milhão de habitantes devastados pela fome numa multidão de escudos humanos. "Digam ao Hamas para devolver imediatamente todos os 20 reféns vivos, e as coisas mudarão rapidamente, tudo acabará!", escreveu o presidente dos EUA, Trump, na plataforma de mídia social Truth.

Ontem, a ONU anunciou que há pelo menos 21 mil crianças na Faixa de Gaza com deficiência causada pela guerra e 40.500 sofreram ferimentos de guerra. Todos futuros cidadãos da futurista Riviera trumpiana.

Leia mais