Seis dos nove Limites Planetários foram ultrapassados, ameaçando a sobrevivência humana

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22 Julho 2025

"Estudo revela que mudanças no sistema terrestre já impactam todas as dimensões da saúde humana e exigem transformação urgente de políticas públicas."

A reportagem é publicada por EcoDebate, 21-07-2025.

Pesquisadores propõem quatro pilares de ação para enfrentar ameaças ambientais que vão além das mudanças climáticas, priorizando políticas centradas na justiça sobre ações individuais.

Conectando limites planetários e a sobrevivência humana

Além das mudanças climáticas

A atividade humana afeta o planeta de maneiras que vão muito além das mudanças climáticas. Cientistas do sistema terrestre desenvolveram a estrutura dos Limites Planetários em 2009 para examinar nove processos globais críticos — as mudanças climáticas sendo apenas um — que devem funcionar adequadamente para que os humanos sobrevivam de forma sustentável.

Uma avaliação de 2023 (1) indica que seis dos nove Limites Planetários estão além do “espaço operacional seguro” — acelerando o risco de mudanças ambientais em larga escala que ameaçam a sobrevivência humana.

Amplas evidências demonstram que as mudanças no sistema terrestre representam ameaças urgentes à saúde e ao bem-estar humanos — desde a qualidade do ar e o abastecimento de água até a produção de alimentos, a exposição a doenças infecciosas e a habitabilidade das comunidades. As mudanças no sistema terrestre já impactam todas as dimensões da saúde e espera-se que sejam responsáveis pela maior parte da carga global de doenças nas próximas décadas.

Essas preocupações deram origem à Saúde Planetária, que se concentra em analisar e abordar os impactos de sistemas naturais desestabilizados na saúde humana e em identificar soluções em larga escala que estabilizem os sistemas naturais da Terra, garantindo, ao mesmo tempo, equidade e justiça em saúde para todos.

Quatro pilares para a ação

Com apelos por monitoramento integrado, políticas centradas na justiça e uma estratégia de comunicação que ressoe além da ciência, análise (2) pressiona por mudanças decisivas que tanto as comunidades de pesquisadores quanto as de profissionais consideram críticas, com base em quatro pilares:

  • Monitoramento do sistema terrestre e da saúde humana: investigação sistemática dos impactos à saúde causados por mudanças no sistema terrestre, com evidências continuamente atualizadas para avaliar ameaças e informar a tomada de decisões.
  • Política centrada na justiça: políticas que distribuem de forma justa os encargos e benefícios da proteção ambiental, considerando o impacto nas gerações futuras, nos povos indígenas e nas comunidades marginalizadas, que são os menos responsáveis pela desestabilização do sistema terrestre.

  • Contabilidade de custos real: revelando os custos ocultos para a saúde da destruição ambiental com contabilidade transparente para identificar mudanças eficientes — por exemplo, transformar o sistema alimentar global custaria substancialmente menos do que os atuais impactos ocultos na assistência médica.

  • Comunicação integrada: construindo a compreensão de que os problemas ambientais ameaçam a saúde, a segurança e a prosperidade de todos, ao mesmo tempo em que fornece caminhos para a ação coletiva.

Foco na política em detrimento da ação individual

Nem tudo é “reciclagem e compostagem” — as comunidades de Fronteiras Planetárias e Saúde Planetária indicam que grandes mudanças sociais, por meio de mudanças políticas em larga escala, e não de decisões individuais sobre o estilo de vida diário, são necessárias para enfrentar adequadamente esse desafio global urgente.

Esse alinhamento estratégico de estruturas científicas fornece aos formuladores de políticas caminhos concretos para a implementação do que os autores chamam de “Saúde Planetária em Todas as Políticas” — garantindo que cada decisão governamental leve em consideração tanto a saúde humana quanto a estabilidade do sistema terrestre.

A nova análise pede uma transformação urgente nos sistemas alimentares, energéticos e econômicos para abordar o que os pesquisadores descrevem como o maior desafio de saúde da humanidade.

“Azote for Stockholm Resilience Centre, baseado na análise de Richardson et al. 2023”

Referências

[1] Referência disponível aqui.

[2] Referência disponível aqui.

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