"Estava ao lado dele no Conclave, ele sempre se manteve humilde e sereno". Entrevista com Louis Raphael Sako

Foto: Vatican Media

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16 Mai 2025

O Cardeal Louis Raphael Sako, Patriarca de Bagdá dos Caldeus, estava sentado à direita do futuro Leão XIV na Capela Sistina. Vestido de preto, como os dois cardeais siro-malabares e siro-malancares, ele conta que, para aliviar um pouco a tensão à medida que a fumaça branca se aproximava, fez "alguns comentários jocosos" com o futuro Papa sobre a complexidade do processo eleitoral. No entanto, o Cardeal Robert Francis Prevost, diz Sako, sempre se manteve "sereno" e "desde o início teve muitos votos", só no fim, quando já estava claro que se tornaria Papa, ficou "um pouco comovido".

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi, publicada por la Repubblica, 14-05-2025. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis a entrevista.

Beatitude, como foi na Capela Sistina?

Foi o segundo Conclave do qual participei, foi uma experiência muito tranquila, havia um espírito comum para encontrar o melhor cardeal, rezamos e conversamos e no fim elegemos Robert.

O senhor estava sentado ao lado dele na Capela Sistina.

Sim, certo, ele estava à minha esquerda. Eu não o conhecia antes. Conversamos, é um homem simples, humilde e sereno.

Quando a eleição se aproximou, ele parecia tenso?

Não, nenhuma tensão, estava sereno e assim permaneceu. Na minha opinião, estava quase convencido, porque desde o início teve muitos votos, que depois aumentaram cada vez mais. Estava tranquilo.

O Cardeal Joseph Tobin disse que, em determinado momento, olhou para o amigo Prevost e viu que ele estava com a cabeça entre as mãos.

Ele estava esperando o andamento da eleição: imagine que éramos 133 cardeais, votávamos um após o outro, colocávamos a cédula na urna e depois a contagem. Levava tempo.

E não estava nervoso?

Não, absolutamente não. No fim, quando o número de votos cresceu cada vez mais, ele ficou um pouco comovido. Mas é normal, aconteceria com qualquer um de nós.

Nem mesmo quando a eleição se aproximava?

Até a última votação, tudo estava normal, depois os votos aumentaram e eu brinquei um pouco.

Para aliviar a tensão?

Veja, em 2014 participei do Sínodo sobre a Família e, quando presidi, contei algumas piadas para aliviar um pouco a tensão, porque havia um clima muito sério. Achei que não era normal, somos cardeais, mas também homens. O Papa me disse que eu tinha agido certo.

E também contou piadas ao futuro Pontífice?

Não, eu só fiz alguns comentários jocosos sobre o processo eleitoral um tanto rígido. Em nossa tradição, elegemos o patriarca, o sistema é mais flexível, aqui os cânones são de uma rigidez absoluta. Ele sorria.

O que mais vocês conversaram?

O Cardeal Prevost me disse que minha batina preta era simples. Eu respondi: "Sim, a de vocês é complicada!" Usei a capa preta em vez da romana vermelha, como os outros patriarcas orientais.

E o que lhe disse depois da eleição?

Que é preciso pensar no Oriente Médio, onde há muito sofrimento e injustiça. O futuro dos cristãos naquela região é ser ou não ser. Nossa amizade e nossa proximidade são necessárias. E ele concordou. Mesmo no encontro que tivemos após o Conclave com o Papa, intervi para lembrar que não devemos esquecer todos os desafios do Oriente Médio e que devemos continuar o que o Papa Francisco fez pelo diálogo com o Islã.

O senhor o convidou para o Iraque?

Não era o momento, com todos os compromissos que tem. É preciso esperar.

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