No Espírito e no fogo: Alegria, alegria! Breve reflexão para cristãos ou não. Comentário de Chico Alencar

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16 Dezembro 2024

"Falemos com Deus, o Todo Poderoso Amor de tantos nomes, que nos conforta, renova e engrandece. Busquemos as potências de todas as crenças e energias cósmicas! Ou, ao menos, tentemos!", escreve Chico Alencar, deputado federal - PSOL-RJ, ao comentar a leitura do Evangelho do 3º domingo do Advento.

Eis o comentário.

Nesse 3º domingo do Advento é João Batista, "voz que clama no deserto", quem nos alerta: "Eu não sou digno de desamarrar a correia de suas sandálias. Ele vos batizará com o Espírito Santo e o Fogo!" (Lucas 3, 10-18).

Espírito é o que nos inspira, eleva, transcende, desapega das amarras do supérfluo, da dominação das coisas.

Fogo é o que ilumina, purifica, acrisola, dá brilho.

Fogo do amor, da paixão, do entusiasmo, não aquele da desertificação, que seca e destrói.

Fogo na palha, para fazer do trigo o milagre do pão.

João não proclama só a benção simbólica do batismo: prega mudança de postura - vida nova! - à multidão que indaga "o que devemos fazer?".

"Quem tem duas túnicas, dê uma a quem não tem, e façam o mesmo com a comida"; aos cobradores de impostos, que sejam justos e "não cobrem mais do que foi estabelecido"; aos soldados, que não sejam violentos: "não tomem à força dinheiro de ninguém nem façam falsas acusações" (v. 10 a 14).

Valendo para hoje, para todos: partilha e não acumulação, honestidade e não corrupção, justiça e mansidão, não guerra e exploração!

Sem essa vontade de conversão, o esperado Natal seria uma farsa meramente comercial!

Hoje é também o Domingo da Alegria ("Gaudete"): "canta de alegria, exulta, que o Senhor virá para o meio de nós!".

Alegria é diferente da felicidade fugaz dos presentes caros e da fartura e desperdício de algumas ceias, alheias aos milhões com pouco ou nada.

Alegria duradoura é libertadora, dos solidários que superam a solidão egoísta, confraternizam com o(a)s querido(a)s e lutam por um mundo de igualdade e paz.

O desafio da alegria, mesmo em meio a tanta recorrente maldade, perdas, doença nossa ou de pessoas amadas, epidemias, saudade e tristeza.

Alegria teimosa, como cantou Gil em sua mística e ardente "Se eu quiser falar com Deus" (1981): "tenho que me ver tristonho, tenho que me achar medonho, e apesar de um mal tamanho, alegrar meu coração...".

Falemos com Deus, o Todo Poderoso Amor de tantos nomes, que nos conforta, renova e engrandece. Busquemos as potências de todas as crenças e energias cósmicas! Ou, ao menos, tentemos!

Livres, leves, "caminhando contra o vento, sem lenço, sem documento".
(Caetano, "Alegria. alegria", 1967).

Enquanto estivermos aqui há razões para alegria, laetitia, gáudio: a Boa Nova sempre vem!

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