Quando gênero e clima se encontram. Artigo de Gilberto Lima

Foto: Eugen Tamas's Images | Canva Pro

Mais Lidos

  • O manifesto perturbador da Palantir recebe uma enxurrada de críticas: algo entre o tecnofascismo e um vilão de James Bond

    LER MAIS
  • A socióloga traz um debate importante sobre como as políticas interferem no direito de existir dessas pessoas e o quanto os movimentos feministas importam na luta contra preconceitos e assassinatos

    Feminicídio, lesbocídio e transfeminicídio: a face obscura da extrema-direita que viabiliza a agressão. Entrevista especial com Analba Brazão Teixeira

    LER MAIS
  • Trump usa o ataque para promover sua agenda em meio ao bloqueio de informações sobre o Irã e índices de aprovação em níveis historicamente baixos

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

26 Setembro 2024

"Os números mostram que a inclusão das mulheres no mercado de trabalho, especialmente em setores como finanças e clima, pode destravar um imenso potencial de inovação, crescimento e resiliência", escreve Gilberto Lima, produtor de conteúdo, em artigo publicado por Alter Conteúdo, 25-09-2024.

Eis o artigo.

No ano passado, para cada 100 homens promovidos em cargo de gerência, 87 mulheres alcançaram a mesma posição. O dado faz parte da última edição do relatório Women in the Workplace, realizado anualmente pela McKinsey, que consultou 281 organizações em todo o mundo que empregam mais de 10 milhões de pessoas.

O notório desequilíbrio de oportunidades entre homens e mulheres no mercado de trabalho vai além dos seus óbvios impactos sociais. Pesquisas mostram que a exclusão das mulheres do mercado de trabalho resulta em impactos para a economia global e até para o enfrentamento das mudanças climáticas.

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), as mulheres são responsáveis pela produção de metade da produção mundial de alimentos, proporção que chega a 80% nos países em desenvolvimento. Elas estão, portanto, mais vulneráveis a desastres naturais, como secas e enchentes, e têm menos acesso a recursos que as ajudem a se recuperar desses eventos.

Dados levantados pela International Finance Corporation (IFC) revelam que os setores que mais atraem capital climático são aqueles onde mulheres estão menos representadas na liderança empresarial. No setor de energia, por exemplo, elas representam apenas 16% do segmento.

E quanto menos mulheres, menos sucesso em sustentabilidade. Um estudo realizado pela FP Analytics estima que as empresas com maior diversidade de gênero nos conselhos têm 60% mais probabilidade de economizar energia, 39% de reduzir as emissões de gases de efeito estufa e 46% de diminuir o uso de água.

De acordo com o Fórum Econômico Mundial, US$ 3,22 trilhões de capital de investimento adicional poderiam ser desbloqueados globalmente se as mulheres investissem na mesma proporção que os homens. Além disso, as mulheres investidoras, quando têm a oportunidade, apresentam desempenho superior ao dos homens, superando-os em 1,8 ponto percentual ao ano.

Essa superioridade não é apenas em termos de retorno financeiro. As mulheres têm o dobro de probabilidade de incorporar fatores ESG em suas decisões de investimento, priorizando soluções sustentáveis e investimentos que geram impactos sociais positivos. Além disso, elas tendem a reinvestir uma parte significativa de sua renda em suas comunidades, por meio de doações filantrópicas, com as contribuições crescendo conforme sua renda aumenta.

Os números mostram que a inclusão das mulheres no mercado de trabalho, especialmente em setores como finanças e clima, pode destravar um imenso potencial de inovação, crescimento e resiliência.

Leia mais