#os Jardins de Deus. Artigo de Gianfranco Ravasi

Foto: Annie Spratt | Unsplash

Mais Lidos

  • Quando a Igreja perde seus ministros: notas teológico-pastorais sobre a desistência presbiteral. Artigo de Eliseu Wisniewski

    LER MAIS
  • Pesquisadores refletem sobre possíveis riscos e efeitos do El Niño em 2026 à luz das enchentes de 2024 e das ações realizadas pelo poder público nos últimos dois anos

    El Niño no RS: probabilidade de cheias é dobrada, mas há incerteza sobre a magnitude do fenômeno climático. Algumas análises

    LER MAIS
  • “Discursos desse tipo ameaçam a democracia de forma evidente, são discursos que criam desconfiança nas instituições, em um país como o Brasil, onde a democracia não voltou há muito tempo”, afirma o pesquisador

    Polarização política brasileira e o extremismo disfarçado de encanto. Entrevista especial com Paolo Demuru

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

11 Abril 2023

Não esconjurar a morte / para deixá-lo aqui na Terra: / já sentiu o perfume de Deus, / deixe-o andar por seus jardins.

Sempre me impressionou o fascínio que Alda Merini despertava espontaneamente nos jovens quando a escutavam e falavam com ela. Como se sabe, sua linguagem era muitas vezes oracular, às vezes até brusca ou indecifrável. Mas a sua própria pessoa, marcada por duras vicissitudes e imersa em ambientes degradados, criava uma aura de respeito e atração ao seu redor. A sua obra poética, na última fase de uma existência conturbada, recebera uma espécie de inspiração religiosa e se transformara em contemplação de Cristo ou de Maria ou de Francisco de Assis.

O comentário é do cardeal italiano Gianfranco Ravasi, ex-prefeito do Pontifício Conselho para a Cultura, em artigo publicado por Il Sole 24 Ore, 09-04-2023. A tradução é de Luisa Rabolini.

Foi naquele período que Alda se afeiçoou a mim, e seus intermináveis telefonemas eram repletos de uma sequência incessante de imagens, de questionamentos, de narrativas teológicas. Quis propor - no fio das memórias pessoais - alguns versos que ela me enviou na véspera do funeral do meu pai, em abril de 2007.

Na sua límpida essencialidade são uma profunda meditação pascal sobre a morte. O afastamento da pessoa amada é sempre doloroso e não vale a justificativa da idade ou da transitoriedade comum. Mas o olhar poético e crente se debruça além daquela fronteira, aspira o vento do espírito, respira o perfume dos jardins paradisíacos. Devemos, então, ter a coragem de não segurar a mão do ente querido que está nos deixando para que ele siga aquele aroma e entre no eterno e no infinito de Deus.

Leia mais