Teólogos e filósofos tomistas se reúnem em Roma para grande congresso

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23 Setembro 2022

 

A Angelicum, universidade dominicana em Roma, acolhe mais de trezentos teólogos de todo o mundo para discutir os ensinos de São Tomás de Aquino no contexto de nossos tempos atuais.

 

A reportagem é de Loup Besmond de Senneville, publicada por La Croix, 21-09-2022. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

 

Pela primeira vez em quase vinte anos, a Pontifícia Universidade de São Tomás de Aquino (a “Angelicum”), com sede em Roma, retomou seu congresso internacional sobre os ensinos do grande Doutor da Igreja medieval que dá nome à universidade.

 

Cerca de trezentos teólogos de todo o mundo se reuniram na Aula Magna do Angelicum na segunda-feira para a abertura do XI Congresso Internacional Tomista.

 

Ao longo de seis dias, pesquisadores vindos principalmente da Itália, Américas, França, Espanha e Polônia irão compartilhar reflexões e proferir palestras sobre o tema: “Os recursos da tradição tomista no contexto atual”.

 

Os estudiosos tomistas saudaram o congresso como um grande evento, desde que a última reunião desse tipo foi realizada em 2003 e esta reunião atual teve que ser continuamente adiada nos últimos três anos por causa da pandemia de covid-19.

 

“A graça não destrói a natureza”

 

O congresso, organizado pelo Angelicum e pela Pontifícia Academia de São Tomás de Aquino, atende ao desejo de teólogos e filósofos tomistas de refletir, em meio a outros temas mais tradicionais deste tipo de colóquio, sobre os desafios atuais da sociedade, incluindo as questões mais contemporâneas.

 

Por exemplo, Gregory Reichberg, membro do Instituto de Pesquisa da Paz de Oslo, falou na terça-feira sobre inteligência artificial e metafísica tomista. Também haveria uma palestra chamada “Vindicando a antropologia de Tomás de Aquino na era da neurociência”.

 

“O principal e essencial (princípio básico do tomismo) está no ditado de que a graça não destrói a natureza, mas a melhora e aperfeiçoa”, observou o teólogo Guy Bedouelle.

 

“Assim, o que se acredita pela fé não pode contradizer o que se conhece pela razão”, assinala o dominicano francês, repetindo o ensino clássico do homem conhecido como Doutor Angélico.

 

Mas embora os princípios não tenham mudado, a doutrina desenvolvida por Tomás de Aquino (1224-1274) mudou de status na Igreja Católica nas últimas décadas.

 

“Uma opção teológica livremente escolhida”

 

Por exemplo, o tomismo não é mais o ensino teológico preferido na Igreja como era antes do Concílio Vaticano II (1962-65).

 

Também não é ainda a “ferramenta de repressão contra os modernistas”, como foi na primeira metade do século XX, admite o padre Serge-Thomas Bonino, outro dominicano francês que é o decano de filosofia da Angelicum.

 

“Passamos de uma época em que todos tinham que ser tomistas para uma opção teológica que se escolhe livremente”, diz ele.

 

“Depois do Concílio, o tomismo perdeu seu caráter quase oficial na Igreja Católica”, destaca Bonino.

 

Muitos dos teólogos presentes no congresso de Roma são dos Estados Unidos, onde o tomismo tem muitos adeptos.

 

“Em comparação com 2003, houve uma verdadeira mudança para os Estados Unidos, onde os hispânicos estavam muito presentes”, observa padre Bonino.

 

“Nos Estados Unidos, toda uma corrente do tomismo é muito marcada pela lógica e pelo rigor do raciocínio, que esquece um pouco a dimensão histórica do tomismo”, diz.

 

Um “tomismo tradicionalista”

 

De fato, Bonino, um dos dirigentes do congresso internacional em Roma, adverte contra a tentação de tomar a doutrina de São Tomás de Aquino como um todo “fixo”.

 

“Nos últimos anos, redescobrimos que Tomás era um exegeta e um pregador, enquanto tendemos a ignorar esse aspecto histórico”, diz ele.

 

A doutrina de São Tomás, por vezes, aparece hoje como refúgio para uma visão da identidade católica.

 

“Ainda existe um tomismo de combate, liderado por esferas tradicionalistas”, observa padre Bonino.

 

Ele diz que esse tomismo tradicionalista é marcado por uma “aversão à abordagem histórica de São Tomás”.

 

“Como se fosse uma espécie de teólogo imutável”, diz o dominicano.

 

“No entanto, ele evoluiu, entre o início e o fim de sua vida, por exemplo, no que diz sobre a graça ou sobre o lugar das paixões na existência humana”, diz o reitor de filosofia.

 

Mas, além dos círculos tradicionalistas, São Tomás de Aquino também pode responder a “uma necessidade de segurança teológica” que alguns jovens procuram, admite padre Bonino.

 

Ele diz que essa necessidade de segurança é “compreensível”, mas é algo “que pode evoluir”.

 

Espera-se que os participantes do congresso tenham uma audiência privada na quinta-feira com o Papa Francisco.

 

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