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11 Março 2022

 

A leitura que a Igreja propõe para este domingo é o Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 9,28b-36, que corresponde ao 2° Domingo da Quaresma, ciclo C, do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto. 

 

Eis o texto.

 

Nós cristãos ouvimos falar desde a infância de uma cena evangélica tradicionalmente chamada de «transfiguração de Jesus». Já não é possível saber com segurança como se originou o relato. Ficou recolhido na tradição cristã sobretudo por dois motivos: ajudava-os a recordar o mistério encerrado em Jesus e convidava-os a ouvi-lo apenas a ele.

No cume de uma «montanha alta», os discípulos mais próximos veem Jesus com o rosto «transfigurado». Acompanham-no dois personagens lendários da história de Israel: Moisés, o grande legislador do povo, e Elias, o profeta do fogo que defendeu Deus com zelo abrasador.

Os dois personagens, representantes da Lei e dos Profetas, têm os seus rostos apagados: só Jesus irradia luz. Por outro lado, não proclamam nenhuma mensagem, vêm a «conversar» com Jesus: só ele tem a última palavra. Só ele é a chave para ler qualquer outra mensagem.

Pedro parece não o ter entendido. Propõe fazer «três cabanas»", uma para cada. Põe os três no mesmo plano. Não captou a novidade de Jesus. A voz que surge da nuvem vai deixar as coisas claras: «Este é o meu Filho, o escolhido. Ouvi-lo». Não há que ouvir a Moisés ou Elias, mas a Jesus, o «Filho amado». As suas palavras e a sua vida revelam-nos a verdade de Deus.

Viver ouvindo Jesus é uma experiência única. Por fim estamos a escutar alguém que diz a verdade. Alguém que sabe pelo que e para que viver. Alguém que oferece as chaves para construir um mundo mais justo e digno do ser humano.

Os seguidores de Jesus não vivem de nenhuma crença, norma ou rito. Uma comunidade vai-se fazendo cristã quando vai colocando no seu centro o Evangelho e apenas o Evangelho. Aí se joga a nossa identidade. Não é fácil imaginar um evento social mais humanizador do que um grupo de crentes a ouvir juntos a «história de Jesus». Cada domingo podemos sentir o seu apelo para olhar a vida com olhos diferentes e vivê-la com mais responsabilidade, construindo um mundo mais habitável.

 

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