Breves do Facebook

Foto: pixabay

14 Janeiro 2022

 

Juremir Machado da Silva

 

Não se encontra na história do Brasil outro presidente eleito que tenha mentido tanto para o país e que tenha defendido tão descaradamente o negacionismo, a ignorância, o obscurantismo, a recusa da ciência e a exposição das pessoas ao risco de morte.

 

Apolo Heringer Lisboa

 

Mais uma manchete com hidrofobia no jornal O Tempo. Tem que avisá-los. Versão que equivale a fakenews, Desinformação.

 

 

 

Apolo Heringer Lisboa

 

 

 

 

 

Líria Porto

 

de doer o coração - ouro preto desaba!

 


Vinicius Torres Freire

 

Do Drummond. Quem ainda lê Drummond?

"Morte das casas de Ouro Preto"
Sobre o tempo, sobre a taipa,
a chuva escorre. As paredes
que viram morrer os homens,
que viram fugir o ouro,
que viram finar-se o reino,
que viram, reviram, viram,
já não veem. Também morrem.
Assim plantadas no outeiro,
menos rudes que orgulhosas
na sua pobreza branca,
azul e rosa e zarcão,
ai, pareciam eternas!
Não eram. E cai a chuva
sobre rótula e portão.
Vai-se a rótula crivando
como a renda consumida
de um vestido funerário.
E ruindo se vai a porta.
Só a chuva monorrítmica
sobre a noite, sobre a história
goteja. Morrem as casas.
Morrem, severas. É tempo
de fatigar-se a matéria
por muito servir ao homem,
e de o barro dissolver-se.
Nem parecia, na serra,
que as coisas sempre cambiam
de si, em si. Hoje, vão-se.
O chão começa a chamar
as formas estruturadas
faz tanto tempo. Convoca-as
a serem terra outra vez.
Que se incorporem as árvores
hoje vigas! Volte o pó
a ser pó pelas estradas!
A chuva desce, às canadas.
Como chove, como pinga
no país das remembranças!
Como bate, como fere,
como traspassa a medula,
como punge, como lanha
o fino dardo da chuva
mineira, sobre as colinas!
Minhas casas fustigadas,
minhas paredes zurzidas,
minhas esteiras de forro,
meus cachorros de beiral,
meus paços de telha-vã
estão úmidos e humildes.
Lá vão, enxurrada abaixo,
as velhas casas honradas
em que se amou e pariu,
em que se guardou moeda
e no frio se bebeu.
Vão no vento, na caliça,
no morcego, vão na geada,
enquanto se espalham outras
em polvorentas partículas,
sem as vermos fenecer.
Ai, como morrem as casas!
Como se deixam morrer!
E descascadas e secas,
ei-las sumindo-se no ar.
Sobre a cidade concentro
o olhar experimentado,
esse agudo olhar afiado
de quem é douto no assunto.
(Quantos perdi me ensinaram.)
Vejo a coisa pegajosa,
vai circunvoando na calma.
Não basta ver morte de homem
para conhecê-la bem.
Mil outras brotam em nós,
à nossa roda, no chão.
A morte baixou dos ermos,
gavião molhado. Seu bico
vai lavrando o paredão
e dissolvendo a cidade.
Sobre a ponte, sobre a pedra,
sobre a cambraia de Nize,
uma colcha de neblina
(já não é a chuva forte)
me conta por que mistério
o amor se banha na morte.

No livro "Claro Enigma", 1951

 


Vinicius Torres Freire

 

O casarão que desmoronou em Ouro Preto.

 

 

 

Apolo Heringer Lisboa

 

Decadência nacional, vergonha

OURO PRETO - BRASIL

Como pode a mais antiga referência acadêmica em geologia e engenharia de minas do Brasil, ao lado da capital do Estado e de universidades federais tão celebradas uma prefeitura e um governo estadual deixarem acontecer isto num patrimônio histórico de tamanha importância?

Muita decadência de um país. Mais repugnante que um grupo talibã explodir uma estátua de Buda.

 

 

Rudá Guedes Ricci

 

Ouro Preto. Está caindo vários barrancos desde sábado. Muitos bairros sem água desde quarta-feira. A estrada tem congestionamento de 4 horas e fica embaixo da barragem. Minas virou uma grande catástrofe

 

Rudá Guedes Ricci

 

O Globo: Bolsonaro tira autonomia de Guedes e dá mais poder à Casa Civil na execução do Orçamento -

 

Maria Ferreira

 

RITA LEE- mais uma vez, dizendo muito!

“Eu tinha 13 anos, em Fortaleza, quando ouvi gritos de pavor. Vinham da vizinhança, da casa de Bete, mocinha linda, que usava tranças. Levei apenas uma hora para saber o motivo. Bete fora acusada de não ser mais Virgem e os irmãos a subjugavam em cima de sua estreita cama de solteira, para que o médico da família lhe enfiasse a mão enluvada entre as pernas e decretasse se tinha ou não o selo da honra. Como o lacre continuava lá, os pais respiraram, mas a Bete nunca mais foi à janela, nunca mais dançou nos Bailes e acabou fugindo para o Piauí, ninguém sabe como, nem com quem.

Eu tinha apenas 14 anos, quando Maria Lúcia tentou escapar, saltando o muro alto do quintal da sua casa para se encontrar com o namorado. Agarrada pelos cabelos e dominada, não conseguiu passar no exame ginecológico. O laudo médico registrou vestígios himenais dilacerados, e os pais internaram a pecadora no reformatório Bom Pastor, para se esquecer do mundo. Realmente, esqueceu, morrendo tuberculosa.

Estes episódios marcaram para sempre a minha consciência e me fizeram perguntar que poder é esse que a família e os homens têm sobre o corpo das mulheres? Ontem, para mutilar, amordaçar, silenciar. Hoje, para manipular, moldar, escravizar aos estereótipos. Todos vimos, na televisão, modelos torturados por seguidas cirurgias plásticas. Transformaram seus seios em alegorias para entrar na moda da peitaria robusta das norte-americanas. Entupiram as nádegas de silicone para se tornarem rebolativas e sensuais, garantindo bom sucesso nas passarelas do samba. Substituíram os narizes, desviaram costas, mudaram o traçado do dorso para se adaptarem à moda do momento e ficarem iirresistíveis diante dos homens. E, com isso, Barbies de fancaria, provocaram em muitas outras mulheres - as baixinhas, as gordas, as de óculos - um sentimento de perda de auto-estima.

Isso exatamente no momento em que a maioria de estudantes universitários (56%) é composto de moças. Em que mulheres se afirmam na magistratura, na pesquisa científica, na política, no jornalismo. E, no momento em que as pioneiras do feminismo passam a defender a teoria de que é preciso feminilizar o mundo e torná-lo mais distante da barbárie mercantilista e mais próximo do humanismo.

Por mim, acho que só as mulheres podem desarmar a sociedade. Até porque elas são desarmadas pela própria natureza. Nascem sem pênis, sem poder fálico da penetração e do estupro, tão bem representado por pistolas, revólveres, flechas, espadas e punhais. Ninguém diz, de uma mulher, que ela é de espadas.

Ninguém lhe dá, na primeira infância, um fuzil de plástico, como fazem com os meninos, para fortalecer sua virilidade e violência. As mulheres detestam o sangue, até mesmo porque têm que derramá-lo na menstruação ou no parto. Odeiam as guerras, os exércitos regulares ou as gangues urbanas, porque lhes tiram os filhos de sua convivência e os colocam na marginalidade, na insegurança e na violência.

É preciso voltar os olhos para a população feminina como a grande articuladora da paz. E para começar, queremos pregar o respeito ao corpo da mulher. Respeito às suas pernas que têm varizes porque carregam latas d'água e trouxas de roupa. Respeito aos seus seios que perderam a firmeza porque amamentaram seus filhos ao longo dos anos. Respeito ao seu dorso que engrossou, porque elas carregam o país nas costas.

São as mulheres que irão impor um adeus às armas, quando forem ouvidas e valorizadas e puderem fazer prevalecer a ternura de suas mentes e a doçura de seus corações.

Nem toda feiticeira é corcunda. Nem toda brasileira é só bunda".

(Rita Lee.)

 

Almeida

 

 

Gunter Zibell

 

 

 

Alberto Aggio

 

É alvissareiro ler em um artigo de um brilhante analista como Carlos Melo que a democracia supõe "consenso" e não apenas conflito (ou disputa eleitoral), e que o primeiro não nasce necessariamente do segundo, muito ao contrário. Uma leitura democrática da noção de consenso sempre foi repudiada por intelectuais do petismo, mas não só (FHC também andou perambulando por ai). O PT tradicionalmente parte da ideia de que em primeiro lugar vem o conflito e isso é diretamente traduzido para a disputa eleitoral: primeiro nos confrontamos; depois, se for o caso, entramos em consenso. Melo sugere um "semáforo" a Lula, a metáfora sobre o consenso alcançado na Alemanha depois das eleições. Fazendo coro com outros analistas, menciona também a "geringonça" portuguesa que teve sucesso ha algum tempo atrás. Sua duas boas sugestões, guardadas as diferenças de temperatura e pressão, e também as diferenças entre elas; ambas são coalizões pós-eleitorais. Nada semelhantes a qualquer ideia de Frente Ampla ou democrática. Ambas, sem dúvida, poderiam se encaixar muito bem no modo de pensar do petismo. Mas Melo não se se pergunta porque a esquerda lulista majoritária nunca propôs ou aceitou um pacto sequer, mesmo o da Constituição de 1988; nunca propôs candidatura de consenso entre atores diversos (uma centro-esquerda, por exemplo). Lendo o artigo de Melo, pode-se perguntar: como é possível pedir tanta lucidez a um personagem como Lula e a um partido como o PT? Melo está extraordinariamente certo em sua demanda por consenso e em suas perspectivas para o presente e o futuro próximo. O problema todo é a realidade política que informam os atores políticos, especialmente Lula e o PT.

Leia aqui.

 

Cesar Benjamin

 

Por ganância, os antigos donos do Canecão insistiam em pagar um aluguel irrisório à UFRJ, recorrendo sucessivamente à Justiça, em processos intermináveis. Depois de anos, a UFRJ finalmente recuperou o imóvel. Mas a incompetência da universidade o deixou abandonado, em ruínas. Deixou de existir a mais importante casa de espetáculos do Rio, em troca de nada.

Foi um jogo em que todos perderam, inclusive a cidade como um todo.

Um tipo de jogo que o Brasil sabe jogar muito bem. 

 

 

Combate Racismo Ambiental

 

Anistia Internacional cobra investigações sobre mortes de ambientalistas no Pará

 

 

José Afonso Tremba

 

Kkkkkkkk

 

  

Economia Ecológica

 

A vida vencendo a morte.

 

 

 

Fernando Altemeyer Junior

 

Quem morre calado é sapo debaixo do pé do boi.

 

Rosane Pavam

 

mas é claro

PRIVACIDADE EM RISCO: Em acordo considerado “criminoso”, instituições financeiras terão acesso a dados biométricos e biográficos para identificação digital dos usuários

Governo oferece dados de milhões de brasileiros para ‘degustação’ de bancos

Alberto Serra

 

 

 

Juremir Machado da Silva


A censura é o vírus que mata o jornalismo.

 

Cesar Benjamin

 

Eu e Lilian estamos lendo com o Vicente, que tem dez anos, uma versão simplificada da Odisseia, de Homero. Todos os dias um pouco. A coisa que mais o deixou impressionado, e o atraiu para a leitura coletiva, foi a história do próprio livro: criado por Homero no século XIII a.C., o longo poema foi transmitido oralmente (junto com a Ilíada), durante 700 anos, de pais para filhos, até ser registrado em forma escrita.

700 anos! Um livraço! Com história, vocabulário e sintaxe complexos!

Há poucos dias estávamos comentando: que valor dava aquela sociedade, séculos antes de Cristo, à preservação da sua memória!

A notícia de hoje do Brasil do século XXI é esta aí embaixo.

 

 

 

Moisés Mendes

 

Essa enfermeira deveria ser condecorada pelo SUS, pelas entidades de defesa da saúde pública, pelas colegas, pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, pela OMS.

Chega uma hora que só assim funciona. Essa moça deveria se encontrar ao acaso com Bolsonaro.

 

 

Faustino Teixeira

 

O país que não lhe diz respeito

Bolsonaro não se preocupa com os votos que está perdendo. Se lhe faltar urna, conta com as armas

Ruy Castro
13.jan.2022 às 16h27
EDIÇÃO IMPRESSA
FSP

Bahia, Minas Gerais e Goiás estão debaixo d’água. Para milhões de pessoas, a vida agora se resume ao que sobrou da lama, dos escombros de suas casas e dos cacos de seus sonhos. Nenhuma delas recebeu de Jair Bolsonaro uma palavra de solidariedade e conforto, muito menos promessa de ajuda. Suas tragédias não dizem respeito ao homem em quem muitas devem ter votado. Importante é o jet ski, as provocações e o voo em primeira classe para seus ministros.

A tragédia desses estados não se limitará às enormes perdas individuais, mas envolverá a saúde, a agricultura, a produção industrial, os serviços e a economia em geral, deles e de seus vizinhos. Bahia, Minas Gerais e Goiás são rotas de passagem e, por suas estradas, destruídas ou interditadas, milhares de caminhões deixarão de rodar pelos próximos meses. Esperam-se desemprego, revoltas de caminhoneiros e desabastecimento. Mas nada disso compete a Bolsonaro. Para ele, o problema é dos governadores e prefeitos — muitos dos quais igualmente trabalharam por sua eleição em 2018.

O país voltou à casa dos milhares de contaminados diariamente pela Covid e, não importa quantos já tenham morrido, Bolsonaro acha pouco. Quanto a isso, ele pode ficar tranquilo —estamos na iminência de uma avalanche de casos, superlotação dos hospitais, falta de insumo para testes, profissionais da saúde desesperados pelas condições de trabalho e alto risco para as crianças, a quem ele sonega vacina, e para os pascácios que ele estimula a não se vacinarem.

Para Bolsonaro, não foi para cuidar disso que o elegeram. Elegeram-no para ele se reeleger. Desde que tomou posse, não passou um dia sem ter a reeleição como prioridade. Por reeleição entenda-se continuar na cadeira por quaisquer meios.

As desgraças acima lhe roubam votos em massa, mas Bolsonaro não se altera. Está confiante de que, se lhe faltar urna, as vacas fardadas que ele engorda e ordenha irão garanti-lo.

 

 

 

Valerio Arcary

 

A expansão da variante ômicron provocou um novo momento da pandemia, marcado por índices recordes de contágio – passamos de 2 milhões de casos por dia no mundo nos últimos 7 dias – por conta da alta transmissibilidade da variante que, até aqui, tem se mostrado menos letal e tem seus efeitos contidos ou atenuados pelas vacinas. No entanto, pela transmissibilidade, a ômicron tem provocado superlotação dos serviços de saúde, com adoecimento e esgotamento das equipes, que já estão há dois anos na linha de frente do combate à pandemia, e superlotação das enfermarias, afetando o atendimento aos demais pacientes.

Neste momento, segundo alerta da Fiocruz, a superlotação já começa a atingir as UTIs com leitos de covid, em grande medida desmontadas no último período em função da queda dos casos provocada pela vacinação. Em algumas cidades, a lotação é crítica, com destaque para Goiânia, com 94% dos leitos de UTI Covid ocupados. Em seguida vem Fortaleza (88%), Belo Horizonte (84%) e Recife (80%). Vitória (77%), Porto Velho (76%), Brasília (74%), Maceió (68%) e Salvador (68%) também estão com uma ocupação que preocupa os especialistas.

A transmissão já começa a provocar a retomada da curva de óbitos, em especial entre a população não vacinada – 22% dos brasileiros não tomaram nenhuma dose e 32% apenas a primeira. Entre os que ocupam os leitos de UTI, a maioria é de não vacinados, repetindo fenômeno mundial.

Diante da explosão dos casos, que ainda está longe de atingir o pico, o presidente Jair Bolsonaro segue em sua cruzada contra a vida, cometendo novos crimes e dando seguidas declarações absurdas, como a de que a ômicron “é bem-vinda”. Confira a seguir sete crimes cometidos pelo presidente genocida e pelo ministro fantoche da Saúde, Marcelo Queiroga, nesta nova fase da pandemia, que se somam aos do relatório final da CPI.

1 – Governo deixou o País sem dados sobre a Covid

No dia 10 de dezembro, o sistema do Ministério da Saúde que totaliza os dados sofreu um “ataque cibernético” não totalmente explicado, no dia 10 de dezembro. Se já havia falta de confiança nos dados sobre casos e óbitos por covid-19 divulgados pelo governo federal, a ponto de ter sido criado um consórcio de mídia para monitorar os dados disponibilizados pelos estados, a situação agora é próxima a de um verdadeiro apagão. O Brasil passou a virada do ano literalmente às escuras, sem conseguir medir o crescimento dos casos. Os dados utilizados, que apontam a velocidade do contágio, são principalmente a partir dos resultados dos testes, pelas clínicas e pelo SUS. Ainda assim, estima-se que o Brasil hoje tenha de 400 a 600 mil novos casos por dia. O governo Bolsonaro, que não explicou até agora como ocorreu este ataque, parece não se importar com mais de um mês sem o sistema, que deve ser reestabelecido em 15 de janeiro.

2 – Combateu e atrasou a vacinação infantil

O Brasil já poderia estar vacinando as crianças de 05 a 11 anos desde dezembro – a aprovação pela Anvisa ocorreu no dia 16/12. No final de dezembro, pelo menos 30 países já estavam vacinando crianças de 05 à 11 anos, entre eles EUA, Canadá, Israel, Portugal, Espanha, Cuba, Equador, Chile, Bolívia e Argentina.

No entanto, Bolsonaro e o ministro Marcelo Queiroga agiram intencionalmente para adiar o início da vacinação e incentivar grupos anti-vacina. O ministro minimizou a urgência da vacinação, ao dizer que o número de mortes de crianças era baixo e protelou o início da operação, convocando uma “consulta pública online” e realizando uma audiência pública fajuta que serviu de palco para discursos negacionistas. Bolsonaro ainda atacou a Anvisa, lançando desconfiança sobre os interesses envolvidos.

Ao adiar a calendário, os dois conseguiram fazer com que o retorno às aulas presenciais ocorra sem a vacinação completa – o país está recebendo 1,2 milhão de doses nesta semana e espera receber mais 3,1 milhões até o final de janeiro. Para vacinar todas as crianças de 5 a 11 anos no Brasil, seriam necessárias 40 milhões de doses.

3 – Bolsonaro disse que Ômicron é “bem-vinda”

No dia 12, Bolsonaro fez um discurso dizendo que a variante era “bem-vinda” ao Brasil, que era mais leve e que levaria a uma “imunização de rebanho”, tese defendida desde o início da pandemia. Um grande absurdo. Não há nenhuma garantia de que essa variante signifique o fim da pandemia, pois, assim como ela pode preceder variantes mais brandas, também pode ocorrer o contrário, com mutações que somem a sua alta capacidade de contágio com uma letalidade maior. E, ainda assim, quanto maior o contágio, mais mortes, em função da sobrecarga na rede de saúde. É o que está ocorrendo nos Estados Unidos, que voltou a bater 2 mil mortes diárias, em função da baixa vacinação. Dizer que a variante é “bem-vinda” é incentivar o contágio.

4 – Governo reduziu o tempo de afastamento por Covid-19

A explosão de casos tem afetado o funcionamento dos serviços de saúde e mesmo de grandes empresas e indústrias, em função da quantidade de profissionais afastados. O governo Bolsonaro encontrou uma solução bastante simples – reduzindo o tempo de afastamento. O trabalhador contaminado, que antes permanecia afastado por 14 dias, agora pode voltar ao ambiente de trabalho em até 5 dias, caso tenha sintomas leves ou moderados ao final deste período. A nova regra, que está sendo redigida, provocará não apenas mais casos de contágio, em especial no ambiente hospitalar, como também irá facilitar a pressão e o assédio contra trabalhadores, que serão obrigados a trabalhar com sintomas leves ou sequelas, para não se somarem ao exército de desempregados.

5 – Saúde não garantiu a testagem em massa

O Brasil permanece com um baixo índice de testagem, se comparado a outros países. Realizou 66 milhões de testes desde o início da pandemia, segundo dados reunidos por Wesley Cota, da UFV, na ferramenta de monitoramento que criou, o que corresponderia a cerca de um terço da população brasileira. Países que tiveram os melhores resultados no combate à pandemia seguiram a orientação de investir em testagem e isolar as pessoas contaminadas, detendo o contágio. O número de testes em Portugal corresponde a duas vezes o total de sua população.

Aqui, o governo Bolsonaro, que já havia deixado testes vencerem, não se preparou para a nova variante. A realidade é de longas filas nas unidades de saúde, com esperas intermináveis. A liberação da autotestagem, com venda em farmácias e laboratórios, se é uma medida necessária para ampliar os testes, por outro lado vai consolidar a ausência de testes no SUS, mantendo a exclusão de quem não pode pagar pelo teste.

6 – Governo ataca passaporte sanitário e medidas de distanciamento

O governo Bolsonaro é contra a vacina. Sequer foi capaz de exigir comprovante de vacinação nos aeroportos, como recomendado pela Anvisa, assim que a variante surgiu. Em dezembro, tentou impedir através de um despacho do MEC que universidades e institutos federais de ensino exigissem apresentação do comprovante de vacinação no retorno às aulas, o que precisou ser garantido pelo STF. Agora, o bolsonarismo retoma sua cruzada contra a vacina e o passaporte sanitário, promovendo fake news como a de que a vacinação traria riscos para as crianças. Com isso, espera promover conflitos no retorno às aulas, alimentando a sua base com o ódio que precisará para o processo eleitoral, no qual não é favorito.

Nesta quinta, 13, afirmou que “haverá rebelião e caos” se prefeitos e governadores tomarem medidas como as do lockdown, como fechamento de comércio e circulação. Sua fala na verdade convoca seus apoiadores a promoverem conflitos diante de medidas que inevitavelmente precisarão ser tomadas em função do aumento dos casos, o que já pode ser visto em reações violentas contra a obrigatoriedade do uso de máscaras.

7 – Discurso e ações do governo estimularam ataques à servidores públicos e médicos

Um dia após a audiência pública sobre a vacinação infantil, os dados pessoais de médicos e especialistas vazaram nas redes sociais, permitindo ataques e ameaças. O mesmo ocorreu com servidores da Anvisa, que reagiram com uma campanha nas redes, em defesa da vacinação. Na defesa do negacionismo, o bolsonarismo não possui limites, utilizando-se não apenas de fake news, mas também da coação, estimulando e permitindo que seus apoiadores intimidem os opositores.

Bolsonaro precisa pagar pelos seus crimes

O genocida não se contentou com as 600 mil vidas perdidas até o final de 2021. Segue em sua cruzada contra a vida, em nome da polarização política e da coesão de sua base ideológica. O descaso que se viu durante as chuvas na Bahia se repete agora com a vacinação infantil e com a expansão da variante ômicron. Suas mãos assim como as de Queiroga e do deputado Artur Lira, estão sujas de sangue. Ele é responsável por cada criança que venha a ser internada nas próximas semanas.

Bolsonaro precisa responder pelos crimes cometidos durante a pandemia, vastamente apontados no relatório da CPI, e também por estes sete crimes, entre tantos realizados em pouco mais de um mês. O impeachment segue como algo urgente, ainda que o andar de cima tenha protegido o governo durante todo estes anos, em nome da agenda de privatizações e desmonte do Estado.

Leia aqui.

 

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