A "traição" dos governos desencadeia uma nova síndrome entre os jovens: é a ansiedade climática

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16 Setembro 2021

 

A inércia dos poderosos da Terra diante da crise climática corre o risco de roubar o futuro das novas gerações. Mas também de arruinar seu presente, obscurecendo sua serenidade. A chamada ansiedade climática, de fato, influencia a vida cotidiana de quase metade dos jovens que participaram do maior estudo científico já realizado sobre o tema em nível mundial. 45% dos entrevistados (ou seja, uma amostra de dez mil jovens, com idade entre 16 e 25 anos) admitem sentir um desconforto ligado à emergência ambiental e capaz de perturbar a existência.

A reportagem é de Anna Declarante, publicada por Repubblica, 15-09-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

Após a conclusão positiva da “revisão por pares”, ou seja, a fase de avaliação crítica realizada por especialistas anônimos, a pesquisa será publicada na revista Lancet Planetary Health.

Foi conduzida por especialistas de várias instituições e universidades; os custos foram arcados pela ONG Avaaz. O objetivo foi coletar os pensamentos e as opiniões dos cidadãos menores sobre as mudanças climáticas e sobre as ações tomadas para combatê-las. A pesquisa foi realizada por meio da empresa Kantar em dez países: Austrália, EUA, Reino Unido, Índia, Nigéria, Finlândia, Brasil, França, Portugal e Filipinas.

Pois bem, 75% dos jovens acreditam que o futuro é assustador. Pela primeira vez, além disso, emerge que a angústia causada por calamidades naturais e eventos extremos está estreitamente relacionada à percepção da inadequação (senão da ausência total) das respostas dos governos e à consequente desconfiança. 58% dos entrevistados estão convencidos de que são vítimas de uma autêntica traição por parte das autoridades políticas ou administrativas nacionais e internacionais, enquanto 64% consideram que estas últimas não estão fazendo o suficiente para evitar a catástrofe.

Daí o alarme: sentimentos negativos tão profundos a ponto de gerar um impacto de tipo funcional acabam prejudicando a saúde mental de crianças e adolescentes. E se a imobilidade das instituições públicas causa graves danos psicológicos, então constitui uma potencial violação dos direitos humanos.

Quem explica isso é Caroline Hickman, pesquisadora da University of Bath, membro da Climate Psychology Alliance e coautora do relatório: "Nós delineamos um cenário terrível. A ansiedade de nossos filhos é uma reação totalmente racional, dadas as medidas inconsistentes propostas pelos líderes. Eu me pergunto o que eles estão esperando para agir realmente."

Suas palavras são ecoadas pela colega Liz Marks: “É chocante constatar que tantos jovens, em diferentes lugares, se sentem abandonados e decepcionados por aqueles que deveriam protegê-los. Chegou a hora de ouvi-los, de lhes oferecer justiça e enfrentar a realidade."

Além disso, os resultados são claros. 59% dos entrevistados estão extremamente preocupados com as mudanças climáticas, especialmente se vivem nas áreas mais ao sul do planeta. Mais de 50% experimentaram susto, tristeza, raiva, solidão ou uma sensação de impotência ou culpa. 55% preveem ter menos oportunidades do que seus pais. E 48%, depois de conversar e discutir o problema com outras pessoas, tiveram a impressão de ser ignorados ou rejeitados.

Qual é a solução? O estudo convida os governos para proteger o bem-estar mental das crianças com um empenho coletivo contra o aquecimento global e seus efeitos devastadores. Até porque, recentemente, o UNICEF calculou que a crise climática ameaça seriamente a segurança física de pelo menos um bilhão de crianças.

 

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