“Equador viverá mais explosões sociais”. Entrevista com Alberto Acosta

Imagens da crise equatoriana em 2019 (Foto: Wikimedia Commons)

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21 Abril 2021

 

Alberto Acosta, autor do livro El buen vivir: Sumak Kawsay (bem viver, em quechua) foi ministro no primeiro governo de Rafael Correa, mas rompeu com o correísmo por suas discordâncias em relação à extração de matérias-primas e o distanciamento governamental do ambientalismo do movimento indígena.

A entrevista é de Andy Robinson, publicada por La Vanguardia, 15-04-2021. A tradução é do Cepat.

 

Eis a entrevista.

 

Em 2019, houve uma rebelião liderada por indígenas contra políticas de direita e o FMI. Agora, vence um candidato da direita que apoia essas políticas.

A primeira coisa é a pandemia. A capacidade de mobilização do movimento indígena popular ficou limitada pela impossibilidade de ir às ruas. Foi minando a capacidade de resposta.

E que acontecerá, após a pandemia?

Acredito que na medida em que o confinamento vai sendo superado, as possibilidades de uma repetição dos protestos de outubro de 2019 são grandes. O governo de Guillermo Lasso será muito próximo à tradição neoliberal e patriarcal. Buscará continuar essa gestão econômica e social e isso criará as condições para mais protestos.

Mais explosões sociais?

Sim. A situação social é cada vez pior. Esta é a pior crise da história do Equador. A pobreza subiu de 25% para 32%. E no campo é quase 48%. Além disso, o governo de Lasso buscará recursos econômicos ampliando as fronteiras extrativas, sobretudo o petróleo. E isto provocará muita resistência das comunidades indígenas.

No dia 7 de fevereiro, houve uma votação sobre a proteção da água em Cuenca e 80% votou contra a mineração. Haverá muitas consultas populares. Está sendo organizada uma consulta em Quito para erradicar a mineração de metais. O cenário político é muito complicado para Lasso.

Vê a possibilidade de uma reconciliação entre o correísmo e o movimento indígena?

Tudo dependerá da disposição do correísmo em fazer uma profunda autocrítica. É necessária uma reengenharia total e que se reencontre com suas origens, com as propostas de 2006 e 2007. Nesse caso, pode haver alianças com o movimento indígena.

Em maio, há eleições para a direção da Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (CONAIE) e é provável que vença uma mulher, Blanca Chancosa. Isso seria um sinal muito positivo. Ela poderia abrir as portas para uma oxigenação profunda do movimento indígena. E será necessário ver se os grupos sociais e políticos de esquerda podem criar uma frente unitária. Se for necessário enfrentar políticas duras neoliberais, pode haver alianças pontuais com o progressismo de Andrés Arauz.

Arauz pediu o fim da perseguição judicial aos políticos. Concorda?

É claro. Mas os correístas também perseguiram pessoas judicialmente. E mais, Correa não se atreve a enfrentar a justiça para demonstrar que é uma perseguição. Não é como Lula, que ficou 500 dias na prisão. Lasso deveria garantir a independência da justiça. Mas não acredito que fará isso, está envolvido com o pior da direita equatoriana.

 

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