Dom David Martínez de Aguirre: “A CEAMA quer assumir a missão de delinear o rosto amazônico da Igreja”

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19 Abril 2021

 

Integrar todo o Povo de Deus, esse é o objetivo da Conferência Eclesial da Amazônia - CEAMA, nas palavras de Dom David Martinez de Aguirre. O que se pretende é ter "este caráter misto, que é formado pelos bispos, sacerdotes, religiosas, religiosos, leigos do Povo de Deus". Este foi o ponto de partida da sua participação na 58ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB, que se reuniu virtualmente desde segunda-feira passada, 12 de abril, e que nesta sexta-feira encerrou os seus trabalhos.

A reportagem é de Luis Miguel Modino.

Nas palavras do seu vice-presidente, "o que a CEAMA nos diz é que esta Igreja Amazônica, que se apresentou no Sínodo com as suas dificuldades e os seus problemas específicos, problemas ambientais, problemas sociais e também problemas eclesiais, na própria Igreja nos encontramos com as nossas dificuldades e as nossas fraquezas e a nossa necessidade de procurar novos caminhos, esta Igreja, que se apresentou viva em Roma, no Sínodo, ainda está viva".

Segundo aquele que foi um dos secretários do Sínodo para a Amazônia, juntamente com o Cardeal Michael Czerny, "no Sínodo fomos confirmados, como os apóstolos, por Pedro e por toda a Igreja universal". A partir daí, "voltámos à Amazônia e hoje a CEAMA quer ser o canal para aquele rio do Espírito Santo, aquele rio de graça, do que vivemos antes do Sínodo e durante o Sínodo, para o que a Querida Amazônia nos encoraja", insistiu Martínez de Aguirre.

Nas suas palavras ao episcopado brasileiro, que não podemos esquecer tem um papel notável na configuração da Igreja Amazônica, uma vez que ocupa mais de metade do território e encerra uma elevada percentagem das circunscrições eclesiásticas, o bispo de Puerto Maldonado, Peru, disse que "a CEAMA assume em missão o que já tinha sido proposto no Documento de Aparecida, queremos assumir a missão de delinear o rosto amazônico da Igreja nesta importante região para o mundo, promovendo uma ação pastoral como um todo, com prioridades diferenciadas e promovendo uma maior inculturação no nosso território".

Esta missão, segundo o vice-presidente da CEAMA, é realizada "em articulação com o CELAM e também com a REPAM, essa importante rede que tece o futuro da nossa Igreja na Amazônia, também com outras entidades importantes da Igreja como a CLAR e a Caritas". Pode dizer-se que o que a CEAMA tem feito até agora é tentar compactar quais têm sido as prioridades do Sínodo da Amazônia, nas palavras do bispo.

A CEAMA organizou-se em 21 áreas temáticas ou núcleos, "que a CEAMA assume como prioridades para delinear este plano pastoral", segundo Dom David. Estas áreas estão organizadas em torno dos sonhos que o Papa Francisco delineou na Querida Amazônia. Cada um dos sonhos sociais, culturais e ecológicos engloba quatro prioridades, e o sonho eclesial inclui quatro novos sonhos. Todos eles foram apresentados de forma sucinta pelo vice-presidente da CEAMA.

No sonho social, procuram-se alternativas ao atual modelo de desenvolvimento e aos impactos negativos sobre a Amazônia e as suas comunidades, para promover um mais justo com o protagonismo dos povos; o acompanhamento, defesa e articulação dos povos originários, especialmente os povos indígenas em isolamento voluntário ou em contato inicial; a promoção da saúde intercultural para os povos e comunidades originárias da Amazônia, e o Observatório eclesial e socioambiental, em aliança também com o CELAM, CLAR, REPAM e Caritas.

No sonho cultural, as quatro áreas referem-se à inculturação e experiência de fé, a Universidade Católica da Amazônia, a Rede de comunicação para a Amazônia, em articulação com a REPAM e a rede de educação bilingue intercultural - REIBA. O sonho ecológico, aborda a criação do ministério do cuidado do lar comum, o pecado ecológico, que incentiva a denúncia dos impactos ambientais e a defesa do território das suas comunidades, desenvolve um olhar espiritual para o cuidado da Amazônia, afirma e sensibiliza para a importância da Amazônia para o equilíbrio do clima e estabilidade planetária, em resposta ao desmatamento.

Finalmente, o sonho eclesial contém a proposta do rito amazônico, que vai além da liturgia, e possibilita um estatuto próprio que nos permite enquadrar as propostas de inculturação; a passagem de uma pastoral de visita para uma pastoral de presença, superando os modelos colonizadores; promover uma cultura eclesial amazônica própria, marcadamente laica, com itinerários formativos, ministérios e comunidades de base; a força e o dom da mulher; serviços e carismas; vida missionária consagrada, formação, permanência e itinerância pastoral; novos caminhos para a formação do clero, diaconato permanente e presbitério; comunidade celebrante, sacramentos e centralidade da Eucaristia; convivência ecumênica e diálogo inter-religioso; a juventude pan-amazônica.

Dom David Martínez de Aguirre destaca que se trata de articular todas estas propostas com o CELAM e a REPAM, que já está trabalhando em alguns temas. Muitos destes temas já começaram a funcionar, como a REIBA, já existe uma comissão para a Universidade da Amazônia e para o tema da juventude, bem como o tema do rito amazônico. Segundo o bispo, também foram formadas comissões em articulação com o CELAM, REPAM, Caritas e CLAR.

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