Cardeal Dolan acusa Trump de “atiçar as chamas” na violência ao Capitólio

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13 Janeiro 2021

Em seus primeiros comentários desde que os apoiadores do presidente Donald Trump invadiram o Capitólio em protesto contra a eleição de 2020 na quarta-feira passada, o cardeal Timothy Dolan, arcebispo de Nova York, condenou o presidente por instigar esse comportamento.

A reportagem é de John Lavenburg, publicada por Crux, 11-01-2021. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

“Tudo parecia exacerbado pelo fato de que o homem que deveria ser a voz da razão e nos encorajar à lei, à ordem, à civilidade e à unidade, ou seja, o presidente, parecia ser quem estava alimentando essas chamas”, disse Dolan em um vídeo postado em sua conta no Twitter no domingo.

De acordo com o vídeo, Dolan acabara de voltar de um retiro onde estava “isolado dos tumultuados eventos da semana passada”.

Perto do fim do vídeo, Dolan também condenou as vozes que estão dividindo o país.

“Temos muitas vozes no país hoje, e muitas delas não ajudam muito. Muitas delas são sabichonas que estão gritando, berrando e nos dizendo o que precisamos fazer, e eu temo que elas estejam derramando querosene no fogo da violência e da divisão, nuvens ameaçadoras que temos sobre o nosso amado país”, disse Dolan. “Talvez haja muitas vozes por aí, e talvez precisemos ouvir a Deus Pai.”

Com o início de uma nova semana, as consequências do protesto que virou motim continuam.

Em uma carta aos colegas democratas que circulou na internet na noite de domingo, a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, delineia o esforço que ocorrerá nesta semana para remover Trump do cargo a nove dias do fim do seu mandato.

De acordo com a carta, o vice-presidente, Mike Pence, será chamado a evocar a 25ª Emenda, o que declararia o presidente incapaz de exercer suas funções e o removeria do cargo. Pence, então, assumiria pelo resto do mandato.

Se isso não ocorrer, Pelosi e os democratas da Câmara levarão a legislação de impeachment ao plenário – uma medida que muitos republicanos da Câmara declararam publicamente temer que só piorará as divisões no país com tão pouco tempo restante na presidência de Trump.

As forças da ordem também continuam a busca por pessoas que participaram do ataque ao Capitólio. Até agora, o homem retratado na mesa de Nancy Pelosi e o homem sem camisa, com chapéu de pele com chifres e pintura facial estão entre os mais de 80 presos.

No domingo, os policiais formaram uma fila ao longo de uma rua de Washington durante a procissão fúnebre do oficial da polícia do Capitólio Brian Sicknick, que morreu em decorrência dos ferimentos sofridos durante os motins.

Ele foi uma das cinco pessoas que morreram no Capitólio na quarta-feira. Ashli Babbitt, de Huntington, Maryland, morreu devido a um ferimento à bala. O Departamento de Polícia de Washington atribuiu as outras três mortes a emergências médicas: Rosanne Boyland, 34 anos, de Kennesaw, Geórgia; Kevin Greeson, 55 anos, de Athens, Alabama; e Benjamin Phillips, 50 anos, de Ringtown, Pensilvânia.

No domingo, o bispo Michael Olson, de Fort Worth, condenou a violência.

“Quaisquer questões relativas à integridade das cédulas em um processo eleitoral devem ser resolvidas de forma legal e pacífica com o devido processo, e a transparência não deve ser ignorada. Tumultos não são a forma de resolver essas preocupações”, disse Olson.

“Isso é verdade hoje após a violência ultrajante no Capitólio no dia 6 de janeiro e foi verdade no verão passado durante os violentos e destrutivos tumultos em muitas cidades do nosso país”, continuou.

“Exige-se de nós que defendamos a autoridade legítima em prol da justiça e do amor. Também temos a obrigação de responsabilizar aqueles a quem foi confiada a autoridade legítima, de acordo com a justiça e o amor. A lei é necessária para o tratamento justo e amoroso do meu próximo, especialmente o meu próximo que é o mais fraco e vulnerável”, disse o bispo.

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