Igreja: aquilo que nos sustenta, segundo o bispo Heiner Wilmer

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15 Outubro 2020

Há muitos homens e mulheres diferentes a caminho, todos com uma paixão pela Igreja e uma forte boa vontade. Todos buscam uma resposta à pergunta: como podemos viver a mensagem de Jesus, que liberta e sustenta?

A reportagem é de Brigitte Deiters, publicada por Settimana News, 14-10-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O bispo de Hildesheim, Alemanha, e ex-superior geral dos dehonianos, Dom Heiner Wilmer, escreveu seu novo livro quando a pandemia do coronavírus atingiu o seu ápice na Alemanha e em todo o mundo. Ele se intitula “Trägt” [(O que nos) sustenta] e tem como subtítulo: “A arte de crer na esperança e no amor”.

Na realidade, ele planejava publicar seu próximo livro em outra ocasião. Apenas daqui a alguns anos deveria ser publicado o seu novo trabalho com o título: “Em que se baseia a essência do cristianismo?”.

“Todos ouvimos que o coronavírus tirou o chão debaixo dos nossos pés. As grandes interrogações que se levantam são: o que vai me sustentar se desaparecer o chão sobre o qual eu me apoio, se eu cair, se não conseguir me levantar ou voltar atrás, mas também se tudo correr bem e o sol brilhar?”

O livro está dividido em três partes: “O que é importante, o que nos pressiona?”, “O que nos sustenta?”, “Quem nos sustenta?”. Wilmer afirma ter ouvido as pessoas se perguntarem diante dos medos e das restrições: onde está a Igreja, onde estão os bispos? “Por isso, eu quis ser uma voz humilde que oferece uma ajuda, tirando-a do grande tesouro da Igreja”.

Apesar dessa pergunta crítica às Igrejas, afirmou ele, elas não recuaram durante o confinamento, como às vezes elas foram criticadas. Em relação às celebrações litúrgicas que não ocorreram, ele disse estar convencido de que “não podemos proclamar a vida e, ao mesmo tempo, pôr a vida em perigo”.

Ele lembrou as muitas “maravilhosas iniciativas”, como as missas em streaming, os grupos litúrgicos via WhatsApp, os incentivos para as Igrejas domésticas, as ofertas de caridade como os serviços de compras ou a pastoral por telefone.

As Igrejas, sublinhou, viram as necessidades das pessoas: “Percebemos o enorme fardo que as famílias e as crianças tiveram que suportar. Vimos as preocupações econômicas dos trabalhadores e dos empregadores. Mas era tudo tão novo que, no início, não falamos sobre isso em nível nacional”.

Hoje, a Igreja está claramente tomando posição, por exemplo, sobre o fato de que as pessoas terem que morrer sozinhas: “A esse respeito, aconteceram coisas dramáticas, e isso não pode ser aceito! Nos lares de idosos, precisamos de um novo modo de pensar e de ideias correspondentes de proteção, para que os hóspedes de longa data e seus familiares possam se encontrar não apenas a distância”.

É importante resolver o paradoxo de que a proximidade em demasia pode matar, mas a ausência de toda proximidade às vezes também mata.

Na Alemanha, continua o “Caminho Sinodal”. Os assuntos dizem respeito ao poder e à separação de poderes na Igreja, à moral sexual da Igreja, ao celibato dos padres e às mulheres nos serviços e ministérios da Igreja. Também a esse respeito, deveu-se ao coronavírus se houve muitas conferências regionais, em vez de outro encontro em nível nacional. Para Dom Wilmer, essa decisão foi um “passo excelente”.

Nos pequenos grupos, foi mais fácil a abordagem pessoal e foi mais simples a troca de ideias, nos quais todos foram ouvidos. “Pessoalmente, achei essa forma muito colaborativa.”

Na opinião dele, o caminho que espera pela Igreja alemã é complexo. Mas, frisou, “tenho a certeza de que conseguiremos seguir em frente. Já é fantástico nos encontrarmos juntos. Há muitos homens e mulheres diferentes a caminho, todos com uma paixão pela Igreja e com uma forte boa vontade. Todos buscam uma resposta à pergunta: como podemos viver a mensagem de Jesus, que liberta e sustenta?”.

Wilmer também está convencido de que a Igreja na Alemanha não pode trilhar esse caminho sozinha, mas deve ampliar seu olhar e se conectar com os países vizinhos e com a Igreja universal.

Ao mesmo tempo, disse que se sente tranquilo quanto à “dependência” da Igreja universal. “Há toda uma série de pontos que nós, bispos, podemos implementar”. Ele deu como exemplo a questão do poder, a transmissão da responsabilidade.

No direito canônico existem possibilidades ainda não utilizadas, “para poder confiar tarefas de responsabilidade a mulheres e homens batizados”.

 

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