Honduras. Jesuítas se manifestam acerca da grave crise social e política do país

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29 Junho 2019

“Advertimos, alertamos e denunciamos o alto risco a que está exposta a população hondurenha que sai às ruas para exercer seu direito ao protesto pacífico, quando o Conselho Nacional de Defesa e Segurança, sobe o Comando do senhor Juan Orlando Hernández, autoriza e envia as forças militares e policiais para reprimir indiscriminadamente os protestos de uma população que exige justiça, respeito ao Estado de Direito e à constituição do País”, alerta o Conselho Nacional ApostólicoObras da Companhia de Jesus de Honduras.

Eis a nota.

“Felizes de vocês se os homens os odeiam, se os expulsam, os insultam e amaldiçoam o nome de vocês, por causa do Filho do Homem” (Lucas 6, 22)

Diante da situação crítica e de deterioração sofrida pela população hondurenha e diante da perda de legitimidade que as diversas instituições do Estado atravessam, como obras apostólicas encomendadas aos jesuítas de Honduras, expressamos:

1. Lamentamos a grave crise social e política vivida pela população hondurenha, fruto da histórica violação aos direitos fundamentais, deterioração do Estado de direito e consequência das erráticas e corruptas práticas dos políticos e tomadores de decisões na administração pública.

2. Solidarizamo-nos com as vítimas da repressão sistemática de parte dos diversos corpos armados e de segurança, em sua ânsia de eliminar os protestos sociais liderados por diversos setores da população, exigindo justiça, respeito a seus direitos fundamentais violados e para rejeitar as políticas de concessões, privatizações de bens comuns e serviços públicos. Esta repressão indiscriminada deixou como resultado dezenas de pessoas feridas e o assassinato de várias pessoas, entre elas: Luis Antonio Maldonado, Erick Francisco Peralta e o adolescente Eblin Noel Corea. Nosso abraço solidário a seus familiares e nosso compromisso em continuar sendo fiéis na busca da justiça a partir da fé.

3. Advertimos, alertamos e denunciamos o alto risco a que está exposta a população hondurenha que sai às ruas para exercer seu direito ao protesto pacífico, quando o Conselho Nacional de Defesa e Segurança, sobe o Comando do senhor Juan Orlando Hernández, autoriza e envia as forças militares e policiais para reprimir indiscriminadamente os protestos de uma população que exige justiça, respeito ao Estado de Direito e à constituição do País. Efeito disso é a violação à autonomia universitária, quando um esquadrão da Polícia militar irrompeu nas instalações da Cidade universitária, deixando ao menos quatro estudantes feridos...

4. É grave a Campanha publicitária carregada de mentiras e manipulação para desacreditar defensores(as) de direitos humanos e ambientais. A montagem de perfis de pessoas identificadas como líderes dos protestos tem a intenção de criminalizá-las e criar o contexto para justificar as ações repressivas e de judicialização destas pessoas. Entre a lista de perfis, estão incluídos o Padre Ismael Moreno (Melo), diretor da Equipe de Reflexão, Investigação e Comunicação e Rádio Progresso (ERIC-RP), Leonel George e Juan López, delegados da Palavra de Deus, da Paróquia San Isidro Labrador de Tocoa, que são acusados de liderar bando armado que enfrenta policiais e outras acusações que só almejam desprestigiar sua luta pela justiça social, e criar condições para justificar ações contra eles.

5. Reconhecemos e subscrevemos a última mensagem da Conferência Episcopal de Honduras (CEH), baseada na análise, reflexão e oração das raízes e consequências da atual crise em Honduras. Todo o esforço em “dirigir a marcha de Honduras” deve passar pelo “resgate dos valores éticos” e pela superação da “decadência moral na qual o país está caindo”. Apostar em uma sociedade justa e solidária, com leis justas, “em concordância com a dignidade da pessoa humana e em prol do bem comum”, capaz de dialogar porque conta com a confiança na institucionalidade, com uma ética política saudável e a verdade como busca e ponto de partida. Uma sociedade que não militarize a segurança e as instituições do Estado.

6. Fazemos nosso o chamado da CEH: “Queremos fazer um chamado a toda sociedade para que, a partir da realidade vivida por cada pessoa e cada grupo, considere a necessidade de se somar à busca de caminhos de solução para Honduras. Seja por meio de pactos, acordos, reformas, plataformas, plebiscito ou referendo, leis de iniciativas cidadãs, etc. Vamos tomando consciência de que, sim, é possível uma mudança para melhorar e o compromisso de a conquistar solidariamente”.

Conselho Nacional Apostólico
Obras da Companhia de Jesus em Honduras
26 de junho de 2019

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