Sínodo representa oportunidade para “amazonizar” o mundo, afirma professora

Foto: Amauri Aguiar/FlickrCC

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28 Mai 2019

O Sínodo representa importante oportunidade para ‘amazonizar’ o mundo, no sentido de comprovar que é possível adotar outros modos de vida diante de um predominante modelo de desenvolvimento que precisa ser mudado”.

A afirmação é da socióloga Márcia Maria de Oliveira, em entrevista à jornalista Osnilda Lima para a revista Vida Pastoral, na sua 327ª edição e reproduzida pelo portal da CNBB, 27-05-2019.

Para a socióloga, que é professora na Universidade Federal de Roraima (UFRR) e assessora da Cáritas Brasileira e da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam-Brasil), a responsabilidade de “amazonizar” o mundo que o Sínodo – convocado pelo Papa Francisco para outubro deste ano – tem se estende à Igreja universal, “apresentando os resultados do trabalho de incidência e sensibilização para incentivar mudanças profundas em toda a Igreja preocupada e comprometida com uma ‘sobriedade feliz’ testemunhada pelos povos da Amazônia.

Márcia de Oliveira acredita ser o Sínodo uma oportunidade de compartilhar com toda a Igreja universal e com todo o planeta “os valores de um evangelho inculturado em uma região que tem muito a partilhar com todo o mundo, de maneira especial os ensinamentos de convivência sem destruição, numa relação de reciprocidade que representa a tão sonhada ‘ecologia integral’ proposta pelo Papa Francisco na [encíclica] Laudato Si'.

Na entrevista, a professora apresenta a realidade do maior bioma da América Latina, região “caracterizada pela exuberante sociobiodiversidade” e que oferece de rios aéreos que levam água para regiões mais ao Sul até condições de fundamental importância para o ciclo do carbono. Uma grandeza que “não esconde a fragilidade do ecossistema local”, considerando a interferência humana que já desmatou 700 mil quilômetros quadrados.

Na entrevista, também são abordadas temáticas relacionadas ao processo de desenvolvimento, pautado pela “agenda do integracionismo, que ignora a presença histórica das populações locais, formadas por povos indígenas, posseiros, ribeirinhos, seringueiros, quilombolas e toda uma infinidade de comunidades tradicionais”; a realidade da migração na região; o modo de vida amazônico; além do processo de escutas e preparação para o Sínodo.

Igreja com rosto amazônico

Uma das propostas do Papa Francisco ao convocar o Sínodo para a Amazônia é fortalecer e incentivar a Igreja com rosto amazônico. Perguntada se esta Igreja já não é uma realidade, professora Márcia explica que o Sínodo deve confirmar este rosto expresso na transnacionalidade da Igreja.

“A Igreja na Pan-Amazônia é caracterizada pela eclesialidade que, por ser de índole transnacional, visa criar interação e colaboração harmoniosa entre os vários componentes da Igreja – congregações dioceses, Cáritas, associações ou fundações católicas, grupos de leigas e leigos, entre outras instituições e grupos sociais e eclesiais”

Outra característica indicada por Márcia de Oliveira sobre a Igreja com rosto amazônico é a luta em defesa e proteção da vida de várias comunidades, que, somadas, representam mais de 30 milhões de pessoas. “Elas estão ameaçadas pela poluição, pela radical e rápida mudança do ecossistema do qual dependem e pela falta de proteção de direitos humanos fundamentais".

Presença da mulher

A professora Márcia ainda fala sobre a presença da mulher na Igreja e na sociedade amazônicas. Para ela, “é impossível falar da Igreja na Amazônia sem falar da presença e do papel das mulheres à frente dos grupos organizados, das comunidades e pastorais” Também não é possível falar de política e movimentos sociais na Amazônia sem considerar a atuação das mulheres.

Participante do processo de preparação do Sínodo como uma das especialistas convidadas pelo Vaticano, Márcia acredita que reconhecer o papel das mulheres na Igreja da Amazôniaé fazer justiça a todas aquelas que morreram em defesa dos direitos e da vida dos povos dessa região, com especial destaque para a irmã Dorothy Stang, covardemente assassinada em Anapu, no Pará, em 12 de fevereiro de 2005, e para a irmã Cleusa Coelho, mártir da justiça e da paz dos povos indígenas, assassinada no dia 28 de abril de 1985 na prelazia de Lábrea, no Amazonas”.

Leia a entrevista na íntegra

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