Amizade dentro da Igreja

Fonte: Rupnik

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17 Mai 2019

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Jesus Cristo segundo João 13,31-35 que corresponde ao Quinto Domingo de Páscoa, ciclo C, do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto. 

Ouça a leitura do Evangelho: 

Eis o texto

É a véspera da sua execução. Jesus celebra a última ceia com os Seus. Acaba de lavar os pés dos Seus discípulos. Judas já tomou sua trágica decisão, e depois de tomar o último pedaço das mãos de Jesus, partiu para fazer o seu trabalho. Jesus diz em voz alta o que todos sentem: “Meus filhos, já não estarei convosco por muito tempo”.

Fala-lhes com ternura. Quer que fiquem gravados no seu coração Seus últimos gestos e palavras. “Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros; como Eu vos amei, amem-se também entre vós. O sinal pelo qual vos conhecerão como Meus discípulos será que vos amais uns aos outros”. Este é o testamento de Jesus.

Jesus fala de um “mandamento novo”. Onde está a novidade? O lema de amar o próximo está já presente na tradição bíblica. Também os filósofos gregos falam de filantropia e amor a todos os seres humanos. A novidade está na forma de amar própria de Jesus: “Amem-se como eu vos amei”. Assim se irá difundindo através dos seus seguidores seu estilo de amar.

A primeira coisa que os discípulos experimentaram é que Jesus os amou como amigos: “Não vos chamo servos... eu vos chamei amigos”. Na Igreja, temos que nos amar simplesmente como amigos e amigas. E entre amigos cuida-se a igualdade, a proximidade e o apoio mútuo. Ninguém está acima de ninguém. Nenhum amigo é senhor dos seus amigos.

Por isso, Jesus corta pela raiz as ambições dos Seus discípulos quando os vê a discutir quem é o primeiro. A procura de protagonismos interesseiros quebra a amizade e a comunhão. Jesus lembra-lhes o seu estilo: “Eu não vim para ser servido, mas para servir”. Entre amigos, ninguém deve impor-se. Todos devem estar dispostos a servir e colaborar.

Esta amizade vivida pelos seguidores de Jesus não gera uma comunidade fechada. Pelo contrário, o clima cordial e amigável que se vive entre eles prepara-os para acolher aqueles que necessitam de acolhimento e amizade. Jesus ensinou-os a comer com pecadores e com gente excluída e desprezada. Repreendeu-os por afastarem as crianças. Na comunidade de Jesus, os pequenos não estorvam, mas sim os grandes.

Um dia, Jesus chamou os doze, colocou uma criança no meio deles, abraçou-a e disse: “Aquele que recebe uma criança como esta em meu nome, recebe-me a Mim”. Na Igreja desejada por Jesus, os mais pequenos, frágeis e vulneráveis devem estar no centro da atenção e do cuidado de todos.

 

 

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