Esses jovens querem se rebelar contra o Islã dos seus pais

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15 Dezembro 2018

“Radicalizar-se na prisão significa principalmente recuperar a dignidade perdida”, diz o orientalista e cientista político francês Olivier Roy. "A conversão a um Islã extremista também te permite entrar em uma fraternidade que te ajuda a combater a violência nas prisões, aquela exercida por outros prisioneiros ou pelos guardas. Quando se faz parte de um clã muçulmano, os outros pensam duas vezes antes de te agredir porque os teus "irmãos" estão lá para te defender.

A entrevista é de Pietro del Re, publicada por La Repubblica, 13-12-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis a entrevista.

É por essa razão que metade dos terroristas franceses tem antecedentes penais?

Sim, a delinquência e a prisão muitas vezes precedem a islamização mais extrema. Mas radicalizar-se na prisão é também uma forma de autoafirmação. Tem-se a impressão de se tornar alguém, em parte porque a prisão é uma contra-sociedade com suas dinâmicas perversas, às quais os grupos islamizados resistem melhor. Quem se converte ao Islã, ou quem que se orienta ao Islã mais "puro", sente-se "renascer.

Mas como alguém se radicaliza na prisão?

Nós nunca identificamos um imã enviado para as prisões para radicalizar os jovens infratores. Isso sempre acontece por vontade individual. Quem prega geralmente tem mais carisma do que os outros e um poder de convencimento que faz com que todos o escutem, não por causa de seu conhecimento real, mas por seu prestígio. E, inclusive, os prisioneiros são abandonados a si mesmos e em uma cela com seis pessoas, basta um radicalizado para convencer os demais.

Mas a radicalização também pode ser uma forma de revolta?

Claro, é uma revolta geracional contra a ordem do mundo, contra o Islã dos próprios pais, contra os valores da sociedade. E certamente não é uma construção ideológica.

São todos jovens, pobres e desempregados das periferias, aqueles que se radicalizam na prisão?

Eles não são necessariamente pobres e desempregados, mas dois terços deles são imigrantes de segunda geração que vivem em bairros complicados. O fato é que não foi suficiente derrotar o califado em Raqqa e Mosul para acabar com os atentados.

Não, porque não é o Estado islâmico que recruta esses terroristas, mas são os jovens radicalizados que gostariam de se alistar em suas fileiras. Dito isto, graças à destruição de grande parte da sua logística na Síria e no Iraque, nos últimos dois anos, os ataques terroristas na Europa têm sido artesanais e individuais, mesmo que realizados por pessoas que talvez tenham sido contatadas por algum emissário jihadista.

É possível pará-los?

Uma vez que não se trata nem de fenômenos sociais, nem de grupos organizados e nem de movimentos de massa, a única carta que sobra para as autoridades é a inteligência, que funciona muito bem, pois Chérif, o terrorista de Estrasburgo, havia sido inserido na lista de possíveis ameaças e devia ser preso. Graças aos 007 franceses, muitos jovens radicalizados foram presos antes que organizassem algum atentado.

Ainda temos que nos acostumar com a ideia de que algum lobo solitário possa realizar um massacre na Europa?

Haverá uma trilha de atentados que irá se reduzindo com o tempo. Acontece o que aconteceu na Itália: depois que o estado derrotou as Brigadas Vermelhas, por algum tempo ainda houve algum ataque esporádico. Depois, mais nada. E hoje, a estratégia jihadista parece-me realmente muito enfraquecida.

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