O nacionalismo radical de Donald Trump, 45º presidente dos EUA

Imagem: Donald Trump / Fotos Públicas

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21 Janeiro 2017

Depois da cerimônia de posse nessa sexta-feira na Casa Branca, Donald Trump jurou em Washington como o 45º presidente dos Estados Unidos. O último aviso de Obama: “Respeite a liberdade de imprensa”. Nessa quinta-feira à noite, violência em Washington entre manifestantes anti-Trump e defensores do magnata. O bilionário chega ao cargo mais alto do país depois de uma campanha eleitoral dura e de um confronto direto com a candidata democrata Hillary Clinton, mas também com os do seu Partido Republicano.

A reportagem é de Giancarlo La Vella e de Fabio Colagrande, publicada no sítio italiano da Rádio Vaticano, 20-01-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Um caminho rumo à presidência fora do comum, muitas vezes candente, mas que recolheu o consenso da maioria dos estadunidenses. Sobre a atitude do eleitorado cristão, ouvimos Massimo Faggioli, professor de teologia da Villanova University, na Filadélfia.

“A sua mensagem aos católicos foi totalmente centrada na questão do aborto. Em vez disso, ele transgrediu uma grandíssima tradição de Igreja Católica estadunidense, a do ‘social Gospel’, isto é, do Evangelho que subentende alguns requisitos sociais – a atenção pelos pobres, os imigrantes, os fracos da reforma da saúde –, mas parece que isso não o penalizou nas urnas.”

Quanto às políticas imigratórias, você acha que o presidente dos Estados Unidos continuará na linha anunciada durante a sua campanha eleitoral, a ampliação do muro com o México e outras políticas que, de alguma maneira, vão contra a multietnicidade nos Estados Unidos?

“Ele vai continuar nessa linha. É claramente uma presidência que promete uma atitude punitiva contra os imigrantes, até mesmo os legais, regulares. O fato é que a Igreja Católica estadunidense é feita toda de imigrantes, desde o início. Então, eu acho que muitos católicos e não católicos estadunidenses esperam da Igreja Católica nos Estados Unidos uma atitude que não seja apenas sindical em relação a uma questão que, internamente, toca-a muito diretamente. A imigração, certamente, é o ponto sobre o qual os católicos estadunidenses já prepararam o campo para uma batalha com o governo, sobre o qual, porém, não se sabe muito, porque Trump mudou de posição várias vezes.”

Mas que país Trump se prepara para dirigir? Ouvimos também Alessandro Colombo, professor de relações internacionais da Universidade de Milão:

Trump se encontra liderando um país cada vez mais profundamente dividido. Eu acredito que Trump não é a causa das divisões, mas o efeito delas. A partir desse ponto de vista, o próprio governo de Barack Obama também polarizou muito a opinião pública estadunidense. Portanto, Trump é o ponto final de um processo de polarização interna da sociedade estadunidense que dura, na verdade, vários anos.”

Em nível de política externa, chama a atenção a sua vontade de se aproximar da Rússia e também as suas críticas, ao contrário, à Europa e à Otan. Como essas duas atitudes se conciliam, na sua opinião?

“A intenção fundamental do Trump líder da política externa estadunidense é a de cortar em boa parte os compromissos internacionais do país, convencido como está – assim como Barack Obama estava convencido, na verdade – de que o nível dos compromissos internacionais dos Estados Unidos é insustentável no longo prazo. O outro elemento que parece surgir é o fato de que Donald Trump parece ter identificado definitivamente na China o competidor global dos Estados Unidos. Se, realmente, o novo presidente dos Estados Unidos decidiu identificar a China como competidor, então não pode nos surpreender o fato de que ele quer reacomodar as relações com a Federação Russa. Quanto à Europa, os Estados Unidos, há diversos anos, estão convencidos de que as relações entre Estados Unidos e Europa estão fundamentalmente desequilibradas, e que a Otan se tornou uma espécie de máquina infernal através da qual os europeus exploram os estadunidenses. E, sobre esse ponto, muito provavelmente, Trump terá uma atitude em relação aos parceiros europeus ainda mais dura do que, aliás, os dois últimos governos já tiveram.”

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