Evangelho para juntar pó: 80% dos italianos nunca o leem

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29 Outubro 2016

Em casa, eles o têm. Sete em cada dez italianos, uma difusão de best-seller. A questão é que o Evangelho encontra-se "esquecido" em algum armário velho, talvez no sótão ou no porão, com as páginas empoeiradas. Parece que as pessoas se contentam com uma vaga recordação da catequese frequentada quando crianças, em considerar o texto sagrado como um "emblema" da nossa cultura, em mantê-lo como um objeto a ser conservado. E ponto final. Porque 80% declaram que o leem "nunca ou quase nunca". E pouco menos de um em cada dois não sabe nem mesmo quantos são os evangelistas. Tragédia para a tradição católica italiana? Não inteiramente, porque há o dado em tendência contrária em relação aos jovens: a metade dos que têm o Evangelho o leem.

A reportagem é de Domenico Agasso Jr., publicada no jornal La Stampa, 28-10-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Tudo isso é dito pela pesquisa do Censis "O Evangelho segundo os italianos", sobre o real conhecimento das Sagradas Escrituras (700 pessoas entrevistadas). A pesquisa foi promovida pela editora Utet Grandi Opere para o lançamento dos "Evangelhos na cultura e na arte", edição que contém ensaios de Dom Bruno Forte, Piero Boitani e Dom Timothy Verdon.

Que fique claro: o Evangelho é um texto amado, ao qual os italianos reconhecem um valor universal. Apenas um em cada cinco se sente indiferente aos textos sagrados. Ou melhor: para 31,8%, ele é um dos pilares da cultura ocidental. Depois, sete em cada dez – 69,1% – o tem, mas muitos provavelmente apenas porque o receberam em ocasiões como a primeira comunhão. São principalmente jovens entre 18 e 24 anos.

Ele é respeitado, no sentido de que não é jogado fora nas limpezas da primavera, nem mesmo em caso de mudança, mas não é aberto: entre aqueles que têm uma cópia do Evangelho, apenas 11% o leem muitas vezes, enquanto 37,2 %, às vezes. Cerca de 51,8% daqueles que o possuem não o consultam. E, se somarmos o número daqueles que o têm mas não o leem com a daqueles que não o possuem e que, portanto, provavelmente não o folheiam, então 66% dos italianos declaram que nunca leem o Evangelho; 80% se considerarmos também a resposta "raramente".

Apenas um em cada cinco cidadãos sabe citar de memória uma passagem. A frase mais evocada é "Bem-aventurados os pobres em espírito", seguida pelo mandamento "Ama o próximo como a ti mesmo". Até mesmo um terço daqueles que vão à missa não sabem citar um trecho. A memória por imagens é mais "encorajador" para a Igreja: 63% afirmam se lembrar de ao menos uma imagem que não seja a crucificação (fácil demais); a cena da Última Ceia é a que permaneceu mais impressa e, depois, o presépio.

Cera de 86% recordam pelo menos o nome de um evangelista, mas 46% dos italianos não sabem quantos são (a propósito, são quatro). Apesar desses dados, o vínculo italianos-Evangelho continua sendo forte do ponto de vista simbólico e sentimental: 48% afirmam que é uma parte essencial do patrimônio cultural italiano, 30,9% se sentem tocados nos sentimentos, e apenas 6,7% percebe distante. E, independentemente da fé, mais de seis em cada dez acreditam que os valores evangélicos são universais.

Depois, há a surpresa "jovens". Os rapazes e moças mostram mais confiança com o Evangelho do que as pessoas de meia-idade, um nível de atenção que se aproxima ao dos idosos: 70% possuem uma cópia do Evangelho, em comparação com 65% da geração do meio, e quase 50% dos que têm uma cópia o leem, embora não frequentemente, em comparação com os 43% dos que têm 30-50 anos.

Por fim, pergunta capciosa: a Ave Maria está contida no Evangelho? Ao menos isso os italianos sabem (por segurança: a resposta certa é não).

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