Termina o Concílio pan-ortodoxo, que não chegou a ser um “Vaticano II”

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Por: André | 28 Junho 2016

Os líderes das Igrejas ortodoxas que participaram do Concílio pan-ortodoxo terminaram seus trabalhos no domingo, e em uma encíclica e uma declaração conjunta afirmaram esperar repetir o sínodo “a cada sete ou dez anos”, apesar das sentidas ausências de alguns hierarcas que marcaram este encontro. A falta das Igrejas da Rússia, Bulgária, Geórgia e Antioquia agora também ameaçam complicar as possibilidades de aceitação das conclusões do Concílio no mundo da ortodoxia.

A reportagem é de Cameron Doody e publicada por Religión Digital, 27-06-2016. A tradução é de André Langer.

Embora a encíclica emitida pelo Concílio trate de alguns pontos tão fundamentais para a vida cristã como o caráter divino e católico da Igreja, a centralidade do testemunho para a mesma e a importância da educação dos jovens na fé – e embora faça certas observações incisivas sobre qual deve ser a resposta ortodoxa diante de determinados desafios do mundo de hoje, como a globalização, a crise humanitária e a onda de extremismos violentos –, a chave deste documento consiste no que os delegados do sínodo não puderam incluir nele, por não poderem contar com as contribuições das Igrejas ausentes. Nem a encíclica nem a mensagem que a acompanha tocam questões de verdadeira relevância para a lei canônica, a liturgia, a teologia moral ou a eclesiologia, por exemplo.

O que sim a declaração sobre as relações com outras Igrejas – aprovada pelo Concílio na sexta-feira passada – contém são observações sobre a unidade da Igreja, que observadores do sínodo estão interpretando como um aviso velado ao patriarca de Moscou. O parágrafo 22 deste documento, por exemplo, afirma que “a Igreja ortodoxa considera digno de rejeição qualquer esforço para romper a unidade da Igreja, empreendido por indivíduos ou grupos sob o pretexto de manter ou defender, supostamente, a verdadeira ortodoxia”. Esta declaração também reitera que “a preservação da verdadeira fé ortodoxa é assegurada somente mediante o sistema conciliar, que sempre representou a máxima autoridade na Igreja em questões de fé e decretos canônicos”.

Outro provável ponto de controvérsia nos documentos adotados pelos padres do Concílio – novamente sob a perspectiva das relações entre as Igrejas – será a rejeição expressada pelo sínodo a atos provocativos “de competição inter-confessional”. O documento sobre as relações ecumênicas condena categoricamente as práticas de proselitismo conhecidas como “uniatismo”, com as quais a Igreja russa tentou, durante muitos anos, atrair católicos do rito grego: condenações que a Igreja romena também, nesta ocasião, decidiu subscrever, em uma decisão que assinala uma reformulação de suas posições históricas a respeito.

Fontes com as quais conversou a agência russa RIA Novosti, por sua vez, afirmaram que o Patriarcado de Moscou “está estudando a mensagem do Concílio”, mas que “o formato de sua resposta será decidido após um estudo completo do documento”. E aqui está a grande incógnita que resta após o Concílio de Creta: o grau em que suas observações sobre a vida ortodoxa serão implementadas nas diferentes Igrejas dessa comunhão.

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