“Tenho medo deste neoliberalismo no qual estamos metidos até a medula”. Entrevista com Fernando Montes, jesuíta chileno

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Por: Jonas | 25 Abril 2016

-reitor da Universidade Alberto Hurtado, de Santiago do Chile, cargo que desempenhou durante dezoito anos, o padre Fernando Montes (foto) também foi provincial e ecônomo desta universidade jesuíta. Amigo do Papa e da presidente Bachelet, goza de uma enorme estima na sociedade e na Igreja chilenas. O jesuíta reconhece que o preço que o Chile pagou para conseguir o desenvolvimento foi a enorme diferença social. Disse que o neoliberalismo lhe causa “medo” e se envergonha de uma “Igreja calada” diante de abusadores como Karadima e O’Reilly.

 
Fonte: http://goo.gl/77uofa

 

Da longa entrevista, selecionamos uma análise da atual situação econômica chilena e sua análise a respeito da crise da Igreja no Chile.

A entrevista é de José Manuel Vidal, publicada por Religión Digital, 19-03-2016. A tradução é do Cepat.

Eis a entrevista.

Estou há alguns dias aqui e me chamou a atenção o desenvolvimento econômico. O Chile é um exemplo de que após uma ditadura é possível alcançar o desenvolvimento? A que preço? Quem pagou o preço do desenvolvimento?

Nos anos 1930, em fins, imitando o que acontecia na França, chegou ao poder no Chile a Frente Popular, o partido socialista, radical leigo, comunista. Eles geraram o modelo que se chama de substituição de importações, na pré-guerra. Colocar barreiras alfandegárias brutais para desenvolver uma indústria nacional. Contudo, isso significou que um mercado tão pequenino não tivesse capacidade de produção. Um grupo de economistas foi estudar na Universidade de Chicago, os Chicago Boys, doutores da universidade católica. Chilenos enviados para estudar lá se tornaram discípulos de Friedman e escreveram um livro, - já estando em pleno final da Universidade Popular, com uma inflação econômica brutal, escassez industrial e uma situação econômica em geral muito dramática - que chamaram ‘El ladrillo’. O que era preciso fazer no Chile para se chegar ao desenvolvimento econômico? O governo militar viu aí uma saída e aplicou as teorias de M. Friedman como ninguém mais havia aplicado no mundo, nem M. Thatcher, nem R. Reagan.

Primeiro, suprimiram as barreiras alfandegárias, para que os produtos chilenos entrassem e saíssem. Inseriram-se no mundo, fizeram tratados de livre comércio, muitíssimos. E foi dada liberdade total à empresa e aos empresários. Isso gerou um notável desenvolvimento econômico, mas também uma notável desigualdade. As empresas que eram famosas, criadas nos anos 1930, passaram de propriedade do Estado à privatização e um grupinho se apoderou delas. Triplicou-se a economia, mas o poder não foi repartido. O preço foi a enorme diferença social, o liberalismo incontrolável, um país que media o desenvolvimento só baseado em suas empresas.

Eu disse um dia ao presidente, quando dizia que o Chile havia dado o salto de desenvolvimento: cuidado ao definir o desenvolvimento só em dólares. Somos mais justos? Somos mais felizes? Somos mais livres? O dinheiro está bem distribuído ou só o tem alguns poucos? Efetivamente, progredimos muito, mas há muito furor no país.

Furor?

Há furor. Manifesta-se nos movimentos estudantis. Especialmente a partir de 2011, os estudantes começaram a protestar pedindo uma mudança de modelo. Minha luta hoje em dia é a de dizer aos estudantes e para muita gente de esquerda que tenham cuidado, porque em muitos aspectos são neoliberais. Falam só de direitos. Direito à gratuidade da educação, etc. Eu concordo, mas não posso me calar que aquele que recebe educação gratuita tem responsabilidades com o seu país. Tem o direito, mas também o dever. Responsabilidades com os pobres, por exemplo. Até mesmo nos movimentos juvenis ninguém fala disso! Ninguém fala da responsabilidade social de quem estuda na universidade. Hoje em dia, os jovens pedem seus direitos e quando conseguem a lei, se esquecem do dever que possuem para com o povo ao ter essa liberdade em sua mão. Como é possível que um país que está me servindo, está me educando, não exija que eu participe das soluções necessárias?

Vamos nos perguntar sobre o que cada um de nós podemos fazer. Eu sempre repito que é preciso mudar, que tenho medo deste neoliberalismo no qual estamos metidos até a medula, deste brutal individualismo...

E parece que vem mais. A Argentina acaba de mudar.

Minha impressão é que os governos de esquerdas também contam com esses mesmos discursos. Quando escuto sobre o direito à gratuidade, sem falar do sacrifício que isso suporá ao país... E vice-versa: como você prestará um serviço a este país, terá uma responsabilidade, eu pago a você.

Sustenta que o neoliberalismo penetrou na esquerda?

Completamente. Nesta há um neoliberalismo onde só se fala dos direitos de alguém, e não de sua responsabilidade frente à sociedade. Eu preciso ser capaz de morrer pela justiça e pelos outros. Vejo a reforma educacional e me parece gravíssimo que concordemos que haja gratuidade, que haja igualdade na admissão ao invés de classsismo, mas que não se dê prioridade absoluta à educação básica e média, que é onde estamos gerando as desigualdades.

(...)

Fale-me da Igreja chilena, que conhece tão bem como a educação. A ideia de uma Igreja profética e solidária parece que veio abaixo. Quais são os motivos, as influências?

Em determinado momento, por ser presidente da Conferência dos Religiosos do Chile participei da Conferência Episcopal. Tínhamos uma Igreja que me coube conhecer muito por dentro. E era um orgulho ouvir nossos bispos. Eram sete ou oito enormemente preparados e enormemente sensíveis. Na verdade, era uma Conferência que eu considerava notável. Muitas vezes, coube a mim secretariar e redigir documentos, não como bispo, mas como padre. Escutava com atenção para redigir as ideias. Aí, houve notáveis, como o cardeal Silva, como dom Avelar, um homem pobre, simples, humilde e inteligente, e outros exemplos. Chamávamos-lhes os bispos dos pobres. Eram corajosos. Gente muito inteligente, como dom Santo. Criaram, por exemplo, o Vicariato da Solidariedade, que foi capaz de falar com clareza. O governo exilou alguns e mandou matar a Parada, que trabalhava no Vicariato..., porém não se atreveu a eliminá-lo, apesar de ter precisado sofrer os embates.

Infelizmente, nós, seres humanos, somos mortais, e os bispos foram completando os 78 anos. Tivemos um problema, e é doloroso dizer, mas é preciso, ainda que com respeito, com verdade. Na Igreja, tivemos dom Sodano, uma pessoa que teve uma influência enorme. Foi secretário na nunciatura em um de seus primeiros cargos e, depois, foi nomeado núncio, e permaneceu por dez anos. Por que saiu de secretário e seguiu como núncio? Obviamente porque conhecia esta Igreja muito bem, e tinha muitos contatos de um lado. A ele salvou esse lado, a Conferência Episcopal, de não haver sido mais condescendente com o regime militar, como foram os núncios argentinos.

O senhor o conheceu? O que comentava sobre sua postura?

Ele era muito diplomático. Escutava, trabalhava... Mas foi muito grave que tenha sido secretário de Estado e, de repente, mudou completamente o nosso episcopado.

Com uma estratégia determinada?

Óbvio. Dom Medina chegou a cardinalato e não se sabe como o fez... Um bispo chileno bastante conservador. Os bispos foram nomeados com lupa. Eu tenho grande respeito e carinho por eles porque são muito religiosos, mas obviamente não tem a visão social aberta da Igreja que se suja os sapatos.

Não foi essa uma estratégia que ocorreu em todas as partes? O mesmo que aconteceu na Espanha...

É que aqui foi enorme e impactante; em tão pouco tempo.... Passou-se para o outro lado. Eu sou testemunha do que ocorreu aqui. Após esses dez anos, tive a oportunidade de conversar com o núncio. Fizeram-lhe um almoço e me convidaram. Disse-lhe: “Você vai para o Norte da Europa. Não faça o que fez aqui no Chile”. O Chile é um país onde se sabe tudo o que a gente fala. Sabemos o que disseram de nós. “Você só ouviu uma parte da Igreja e excluiu a outra”, disse-lhe. Não me senti querido por sua Igreja. Nunca me perguntou nada ou me convidou à nunciatura... nada. Não é que estivesse ofendido, mas queria que ficasse sabendo que, se era o representante do Papa, tinha que ter percebido que na Igreja há diversidade. Foi duro, mas sua reação foi notável. Pediu-me que, por favor, o acompanhasse na semana seguinte, em sua despedida na nunciatura. E fui, porque o agradeci. Ao menos foi um sinal de que me escutou com respeito. Porém, obviamente, tinha sido uma pessoa... amiga, por exemplo, do que era o almirante em chefe da armada, que era quase lefebvrista. Rodeada por um grupo estranho, a Igreja chilena teve esse estilo, unido a fatos maiores, realidades chilenas que são a tradução, ao mesmo tempo, de um fato universal: em um país onde havia tal divisão social, estouraram duas situações de abusos envolvendo sacerdotes de máximo peso nas classes altas.

Karadima, muito amigo de dom Sodano, supostamente homem piedoso, gerou um grupo do qual foram nomeados ao menos cinco bispos. Um peso brutal na Igreja chilena. E, de repente, descobre-se o escândalo, o abuso de tipo sexual, mas principalmente o abuso de poder, submetendo as consciências. Era uma verdadeira seita. Isto golpeou o Chile. Foi tema e tem sido tema, com dois filmes, vários livros e um seriado de televisão. De tal modo que, hoje em dia, o escândalo de Karadima é sabido e conhecido e marca todos nós, sacerdotes. Se você é sacerdote, todos acreditam que é como Karadima.

O outro caso que foi enormemente forte foi o caso de Maciel. Porque os legionários, neste regime tão neoliberal, chegaram a ter uma influência enorme.

Mais que o Opus?

Mais. O Opus Dei tinha muita também, mas eu diria que pensava mais no cultural, religioso, que em outros poderes. O escândalo do caso Maciel estourou ferozmente, e a televisão chilena mandou fazer um programa, uma entrevista. Entrevistou-se os personagens que falavam de forma muito dura em um livro sobre o caso, publicado por um mexicano. Os Legionários de Cristo e Maciel foram muito comentados, sem comparação. E se tornou explosivo quando acusaram ao mais conhecido, ao mais respeitado, ao mais querido legionário, O'Reilly.

Karadima e O’Reilly, os abusadores de uma Igreja calada, são o símbolo da vergonha da Igreja. Foi injusto que tenha ficado a sensação de que a partir de dentro as coisas eram silenciadas, porque, por exemplo, eu saí na imprensa e na televisão fazendo a denúncia de forma clara.

Quando os e-mails do cardeal Ezzati e o cardeal Errázuri se tornaram públicos, por exemplo, soube distinguir: primeiro, que se tornem públicas comunicações privadas é o cúmulo; segundo, obviamente, rechaço o tom utilizado nesses e-mails entre os dois cardeais. Não gosto. Contudo, se analiso a fundo, acredito que eles têm razão. Contudo, com a situação, caíram em cima... Nesses e-mails, dizia-se que tomara que o padre Felipe Berríos, jesuíta muito querido, não fosse proposto como capelão de La Moneda. Eu, pessoalmente, considero razoável: para que lhe propor, se ele não tinha acertado? O que diziam era senso comum: cantaram de galo em um terreno totalmente alheio. Parece-me razoável o que os cardeais conversaram, porque prefiro que ele esteja como está agora, vivendo com o povo, em uma vila miséria.

Depois, tem a polêmica de Juan Cruz, uma das vítimas de Karadima, particularmente ferido quando garoto.

Foi proposto para a Comissão, mas...

Essa comissão teria que analisar os casos vendo, por exemplo, se o cardeal Errázuri havia sido condescendente ou não com os fatos. Pareceu-me que este garoto, Cruz, deveria ser ouvido com o máximo respeito. Que diga a sua verdade. Mas, por outro lado, nessa comissão, os membros deveriam estar acima desses problemas... Assim como não seria razoável colocar o cardeal Errázuri na comissão. Nesse nível, talvez não proporia uma pessoa que foi vítima. Sim, eu o escutaria com respeito, mas não nesse mais alto nível.

E junto a tudo isso é preciso acrescentar o caso de Osorno, com Barros.

A televisão me perguntou muito pelo caso Barros e, bom, eu acredito no ditado que teríamos recebido dos espanhóis: de Roma vem o que a Roma vai. É óbvio que dom Barros é do grupo próximo a Karadima, que está marcado por essa situação, ainda que não seja justo lhe reduzir a isso. Fizeram-lhe bispo e o fizeram mais que isso, bispo castrense. E após vários anos, foi necessário retirá-lo, mas os problemas não são solucionados desse modo, retirando um cravo de um lugar e pregando-o em outro. Não se levou em consideração o que significaria enviar um “bispo Karadima” a Osorno.

Eu estive na Santa Sé e perguntei a um dos funcionários se a situação havia sido analisada a fundo. Disse-me que, pessoalmente, não encontraram falha nele. Civilmente, nada lhe suja... Estranhei e lhe disse: “Vocês têm experiência diplomática. Nós temos um certo conflito pelo mar com a Bolívia. Se você quer nomear um núncio na Bolívia, não pode buscar um sacerdote chileno, ainda que seja o mais santo e o mais piedoso, porque seria uma bofetada na Bolívia. Pois, é o mesmo”. Não se trata de fazer julgamentos, mas de entender a situação do país. Roma não deu a atenção suficiente. O que não considero correto é que se tenha dito que grupos políticos interviram; que alguns deputados escreveram a Roma... porque não se trata somente de oposição política.

Quem sabe ler, percebe que o comunicado da Igreja – nossa Igreja, muito mais tranquila, que não se mete em confusões – é claríssimo a este respeito. O mesmo aconteceu nos atos. Em uma Igreja tão pequena como a chilena, quando se nomeia um bispo, todos os bispos vão. Para Osorno não foi mais que um pequeno grupo. Não foi o presidente da Conferência, nem o Comitê Permanente... A mensagem não pode ser mais clara do que isto.

Como interpreta, nesse contexto, a indisposição do Papa?

Bom, eu vivi com ele. Fomos companheiros.

Viveu com ele na Argentina?

Claro, estive com ele há pouco. Fomos companheiros. Além de ter estudado filosofia juntos, convivemos muito, porque nenhum de nós dois praticávamos esporte, então tomávamos mate, que era o que gostávamos. Era ele quem preparava, e preparava bem... Por isso, o presidente do Uruguai questionou como a presidente da Argentina iria ensinar o Papa a preparar mate, se o Papa sabe... E não só o mate, também faz assados muito bem. Ele era mestre de noviços na Argentina, formador, e eu o era no Chile. Depois, ele foi provincial na Argentina, e eu no Chile. Tivemos muitas coisas em comum. Todas as vezes em que eu ia à Argentina, ficava em sua casa e comia um assado. No entanto, houve problemas com ele. A Companhia teve problemas sérios.

Em que sentido?

Quando ele foi provincial, a Companhia argentina estava em uma situação de muito conflito. Quando foi publicado o livro ‘O Grande Reformador’, pediram para que eu o comentasse no Chile. Acredito que está muito bem documentado, mas que não compreende muito a situação argentina. Eu a vivi por dentro e, sim, a conheço. Por exemplo, o Papa foi formado em uma visão peronista, e o peronismo é muito difícil de entender. Tem esse elemento do personalismo, o caráter do popular, bastante antimarxista... Contraditório. Do peronismo, a Companhia compreendeu a proximidade com os pobres, mas não seus enfrentamentos com os grupos intelectuais. E se criou uma divisão dentro da Companhia extremamente difícil. Eu fui duas vezes para retiro à província argentina.

Depois, foi preciso nomear um provincial da Colômbia?

Sim. Para curar essas feridas. A ele fizeram arcebispo de Buenos Aires e ficou com relações distanciadas da Companhia. Minha opinião é que, assim como provincial, ele reconheceu em sua entrevista que havia tido problemas, foi um grande arcebispo de Buenos Aires. Aprendeu, de certa forma, com esses problemas. Foi próximo e inteligente.

No momento atual, as relações com a Companhia estão bem?

Muito bem. O Papa se mostrou confiante e acredito que a Companhia foi muito leal. Espero que nós o sejamos.

A Companhia o apoia profundamente? Há quem diz que não muito...

Sim, mas é necessário ter prudência. Somos jesuítas como ele, mostrou-nos proximidade, mas por ser jesuíta não pode nos dar preferência. Justamente porque é jesuíta precisa ser delicado, ser de todos, sem preferidos. Ele tem falado de nossa espiritualidade, de Santo Inácio e demais... Seu porta-voz é jesuíta, e muitos outros. Parece-me que seria um disparate se a Companhia pedisse mais. Cuidado com o poder.

Voltemos a Osorno

Voltando ao que me perguntava de Osorno, eu perguntei ao porta-voz que retornou de Roma, a pessoa que estava na primeira fila da audiência, e me disse informalmente que lhe havia dito que era católico, diácono, assim como o padre Arana, jesuíta espanhol que veio apoiar dom Barros, quando foi nomeado em Osorno. Arana – dizem que enviado pelo Papa – lhe deu o retiro espiritual, os exercícios, antes de assumir o bispado.

Ele conhecia a situação chilena? Não a conhece, ao menos não o suficiente para ser tão duro com os grupos que se opunham à nomeação. É como se eu, quando houve desentendimento no País Basco, por alguma nomeação de bispos, fosse Arana e criticasse. Com um mínimo de humildade, sabe-se que o Chile não é o mesmo que a Espanha. Para opinar fora, é preciso ter conhecimento e antes de tudo humildade. Talvez Arana conhecesse Barros como sacerdote, mas precisou ter cuidado em sua avaliação sobre o Chile. E tenho a impressão de que o Papa também está influenciado por essa visão...

Por que o porta-voz tornou essa informação conhecida?

Contou-a aos bispos e contou para mim, para ninguém mais. Eu, para não o envolver, não fiz lhe fiz nenhum pedido, e escrevi a Roma para ver se podiam encontrar essa parte em L’Osservatore Romano. Procuraram, mas não a encontraram. Disseram-me que era muito longo e requeria muito tempo. Três meses depois, um turista argentino foi e, estando ao lado, gravou-a. Isso é o que foi vazado, segundo o que compreendi.

Não se sabe quem a vazou?

Não se sabe.

De qualquer modo, qual a solução de Osorno, em sua opinião? Que Barros renuncie?

Para mim, parece que o lógico seria deixar livre a sua consciência. Quer ser fiel ao Papa, ser obediente e aceitar a cruz. Parte da cruz é a renúncia, para fazer o Papa ver que existe um dano ocorrendo na diocese? A humildade de deixá-la de lado, após assumi-la? Seria necessário ajudá-lo espiritualmente. O que há entre o Santo Padre e os grupos de foragidos políticos que querem afundar a Igreja?

Infelizmente, se tornou público isso do Papa e eu espero que o povo chileno seja objetivo e entenda que foi uma grosseria, não pensada.

Onde estão as resistências à reforma, à mudança tranquila de Francisco? Onde estão as resistências fundamentais, se o povo o adora?

O povo o quer muito. Eu acredito, sinceramente, que são grupos bastante pequenos, mas com poder. Os cristãos mais tradicionais. A Igreja chilena não foi tão marcada por um revolucionarismo, mas, sim, por uma abertura. Admirando o padre Hurtado, admira-se Francisco.

Para ver a íntegra da entrevista, em espanhol, clique aqui.

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