A renúncia de Ratzinger foi impulsionada pela misericórdia

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Por: Jonas | 24 Março 2016

Era segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013. O Papa Bento XVI comunicou esse gesto histórico que deixou a Igreja e o mundo sem palavras, incrédulos, surpresos e inclusive desconsolados. Joseph Ratzinger renunciou a cátedra de Pedro. Três anos depois, o significado profundo dessa decisão é interpretado graças ao Jubileu extraordinário da Misericórdia, proclamado pelo seu sucessor Papa Francisco. Nesta reflexão (exposta durante a conversa com Alessandro Gisotti, da Rádio Vaticana), dom Paglia, presidente do Pontifício Conselho da Família, aponta que foi a misericórdia que impulsionou o Pontífice alemão.

A reportagem é de Domenico Agasso Jr., publicada por Vatican Insider, 11-02-2016. A tradução é do Cepat.

Paglia disse que a decisão de Ratzinger foi “um grande gesto de amor pela Igreja, um grande gesto de humildade frente a este mistério tão grande, que a fé do Papa Bento via com a certeza da condução do Espírito Santo. E é por isso que esta dimensão da misericórdia de Deus, que alimenta a Igreja, impulsionou-o. Por amor à Igreja, a renúncia, mas também, de certa maneira, tornava mais ‘abençoada’ (se fosse possível dizer) a Porta Santa quando foi aberta em São Pedro, quando o Papa Francisco quis atravessá-la com o Papa emérito”.

Segundo Paglia, a passagem de Bento XVI pela porta santa, no último dia 8 de dezembro, como um simples fiel, confirma que o Pontífice emérito está vivendo concretamente o Jubileu, e, mais ainda, “acredito que quis, justamente com este gesto visível, dizer a todos que o Jubileu é um gesto de fé profunda e ele o vive com essa dimensão espiritual e de primado do amor e da oração, que do primado petrino ele passou, de alguma maneira, ao primado de estar de joelhos, sob a Cruz, de estar em oração durante este último tempo de sua vida. Um exemplo extraordinário para todos os que se preparam para percorrer os últimos anos da própria existência”.

E o religioso acrescentou: “É preciso dizer, de verdade, que é necessário envelhecer assim. É preciso viver os últimos anos na oração, no recolhimento, no abrir o próprio coração à Igreja universal e ao mundo inteiro. O Papa Bento nos aponta uma ‘espiritualidade do ancião’”.

Durante a festa da Divina Misericórdia de 2010, o Papa Ratzinger afirmou: “A misericórdia é o núcleo central da mensagem evangélica, é o nome próprio de Deus”; estas palavras, em certo sentido, antecipam as palavras do Papa B, dando um testemunho de continuidade entre pontificados, como confirmou dom Paglia: “Eu iria mais atrás, quando São João XXIII disse que ‘chegou o tempo da misericórdia’, com o Concílio. Não há dúvida de que após o Papa Paulo VI, quando indicou que o Concílio era como o Bom Samaritano para este nosso mundo morto; também aí está a misericórdia de Deus que se inclina. Inclusive, São João Paulo II escreveu uma encíclica, além de ter instituído o Domingo da Misericórdia após a Páscoa. O Papa Bento escreveu sua primeira encíclica sobre o amor: ‘Deus caritas est’”. Por isso, acrescentou, “acredito que o tema da misericórdia é uma espécie de fio vermelho que de João XXIII ao Papa Francisco encerra a segunda parte do século XX e impulsiona as primeiras décadas deste novo século. Diria – concluiu – que ser misericordiosos é uma maneira de sentir a Igreja, uma maneira de vivê-la”.