Papa adverte a ONU: nem sempre teremos Paris

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28 Setembro 2015

Uma das frases icônicas do filme Casablanca é quando Humphrey Bogart diz a Ingrid Bergman: "Nós sempre teremos Paris". Falando para as Nações Unidas nessa sexta-feira, o Papa Francisco efetivamente ofereceu uma versão negativa desse sentimento, insistindo que nem sempre teremos Paris.

A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada no sítio Crux, 25-09-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Paris, neste caso, é uma referência a uma iminente cúpula das Nações Unidas sobre as mudanças climáticas, agendada para acontecer entre os dias 30 de novembro e 11 de dezembro, conhecida pela sigla COP21, porque é a 21ª sessão anual da "Conferência das Partes" desde uma Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as mudanças climáticas de 1992.

Tem ficado claro há algum tempo que Francisco vê a cúpula de Paris como um ponto de virada crítico.

Falando a jornalistas a bordo do avião papal no caminho do Sri Lanka para as Filipinas em janeiro passado, Francisco endossou a ideia de que as mudanças climáticas são provocadas pelo homem – dizendo que é principalmente a humanidade que tem dado um "tapa" na natureza. Ele então disse que queria que a sua encíclica sobre o ambiente, Laudato si', fosse publicada durante o verão europeu, para que pudesse influenciar a cúpula de Paris.

Especificamente, Francisco disse esperar que o documento encorajasse as nações representadas em Paris para adotar "escolhas mais corajosas", implicando claramente que as escolhas feitas até agora sobre o aquecimento global e as mudanças climáticas não têm sido especialmente ousadas.

Desde aquela época, Francisco sublinhou a importância da reunião de Paris várias vezes, mais recentemente em uma audiência do dia 16 de setembro com ministros do meio ambiente de países da União Europeia.

"A COP21 se aproxima rapidamente, e ainda há um longo caminho a se fazer para chegar a um resultado capaz de reunir positivamente os inúmeros estímulos que foram oferecidas como contribuição para esse importante processo", disse Francisco naquela ocasião.

"Encorajo-os vivamente a intensificarem o seu trabalho, junto com o de seus colegas, para que em Paris se chegue ao resultado desejado", disse.

Dito isso, não foi uma surpresa o fato de que, entre o rol de questões que Francisco abordou no seu discurso à Assembleia Geral nessa sexta-feira – tráfico de seres humanos, guerra, tráfico de drogas, terrorismo e assim por diante –, um lugar de honra foi para a proteção do ambiente.

"Nós, cristãos, junto com as outras religiões monoteístas, cremos que o universo provém de uma decisão de amor do Criador, que permite que o homem se sirva respeitosamente da criação para o bem dos seus semelhantes e para a glória do Criador; mas que ele não pode abusar dela, muito menos está autorizado a destruí-la ", disse Francisco.

"Para todas as crenças religiosas, o ambiente é um bem fundamental", afirmou, insistindo que há um "direito ao ambiente".

(Esse foi um tema do ensinamento papal desde 1990, quando João Paulo II identificou o "direito a um ambiente seguro" como algo que deveria ser incluído em uma carta atualizada dos direitos humanos.)

Assim, não foi nenhuma surpresa ouvir Francisco invocar a cúpula de Paris ao falar para os mais de 150 chefes de Estado reunidos no hall da Assembleia Geral nessa sexta-feira, uma das maiores reuniões de líderes mundiais da história.

"Confio também que a Conferência de Paris sobre as Mudanças Climáticas obterá acordos fundamentais e eficazes", disse.

Duas observações surgem a partir da ênfase do pontífice em Paris.

Primeiro, é incomum que um papa ponha a sua credibilidade em jogo, ao menos em certa medida, conectando percepções do sucesso ou fracasso do seu ensino ao resultado de uma cúpula política em particular.

Entre os únicos precedentes reais para o foco estreito de Francisco em Paris estão o modo pelo qual o Vaticano se mobilizou sob o Papa João Paulo II durante os dois encontros da ONU nos anos 1990, um no Cairo, em 1994, sobre a população, e outro em Pequim, em 1995, sobre as mulheres.

Em ambos os casos, a preocupação era a de que o acesso ao aborto pudesse ser inscrito no direito internacional como um direito fundamental, e o Vaticano conduziu com sucesso uma coalizão de Estados – incluindo várias nações muçulmanas – para resistir a isso.

Francisco obviamente acredita que algo suficientemente importante em relação ao que ele chama de "nossa casa comum" está em jogo agora que está pondo a mesma energia na cúpula de Paris.

Em segundo lugar, fontes disseram ao Crux que um pequeno grupo de parlamentares norte-americanos tiveram uma conversa com altos membros da comitiva papal na noite de quinta-feira do lado de fora da Catedral de St. Patrick, onde Francisco presidiu as Vésperas.

O ponto-chave que esses assessores papais apresentaram aos legisladores, de acordo com uma fonte que estava a par dos detalhes da conversa, é que este é um momento especial, um ponto de virada, em muitas frentes. Se ele for desperdiçado, acredita a fonte, ele não virá novamente.

Francisco, aparentemente, queria dizer isso em uma ampla gama de questões, mas certamente o que ele chamou de "crise ecológica" faz parte desse quadro.

Em outras palavras, o papa acredita que a oportunidade da COP21 não vai estar sempre por aí – ou, em outras palavras, nem sempre teremos Paris.

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