No reino de Deus com meio euro no bolso

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14 Novembro 2014

O reino de Deus já existe na santidade escondida de todos os dias vivida por aquelas famílias que chegam ao fim do mês com meio euro apenas no bolso. Mas não cedam à tentação de pensar que o reino de Deus é apenas um espetáculo. Talvez como aqueles que fazem do sacramento do matrimônio uma caricatura, transformando-o em uma feira da vaidade e do fazer-se ver.

A reportagem é do jornal L'Osservatore Romano, 14-11-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O Papa Francisco relançou assim o compromisso de viver a fé com perseverança, dia após dia, deixando espaço livre para o Espírito Santo no silêncio, na humildade e na adoração. E o fez repropondo as verdadeiras características do reino de Deus na missa celebrada nessa quinta-feira de manhã, 13 de novembro, na capela da Casa Santa Marta.

Justamente o fato de que Jesus falasse tanto do reino de Deus tinha deixado "curiosos" os fariseus também. Tanto que – lê-se na passagem do Evangelho de Lucas (17, 20-25) proposto hoje pela liturgia – eles chegam a lhe perguntar: "Mas, afinal, quando virá esse reino de Deus?". Como se dissessem: "Você fala, fala, mas...".

E "Jesus responde logo e claro: o reino de Deus não vem de modo a chamar a atenção. E ninguém dirá: ei-lo aqui, ou ei-lo lá! Eis, o reino de Deus está no meio de vocês: já existe o reino de Deus, já começou no meio de vocês".

De fato, apontou Francisco, "quando Jesus explicava nas parábolas como era o reino de Deus, ele sempre usava palavras serenas, tranquilas" e utilizava "também figuras que diziam que o reino de Deus estava escondido".

Assim, Jesus comparava o reino a "um comerciante que busca pérolas finas aqui, lá", ou a "outro que busca um tesouro escondido na terra". Ou dizia que ele é "como uma rede que pega todos ou como o grão de mostarda, pequeninho, que depois se torna uma árvore grande". E assim, ainda, dizia que "o reino de Deus é como o grão: semeia-se, e você não sabe como cresce", porque "Deus dá o crescimento".

Portanto, "é isso que Jesus explicava" a respeito do reino de Deus: "Sempre em silêncio, mas também em luta". E o fazia entender ainda melhor dizendo que "o reino de Deus crescerá como a planta do grão, não cercado por coisas bonitas, mas no meio das ervas daninhas. Mas o reino está lá, não chama a atenção, é silencioso, quieto".

Em suma, destacou o papa, "o reino de Deus não é um espetáculo". E justamente "o espetáculo, muitas vezes, é a caricatura do reino de Deus".

De fato, nunca devemos "esquecer que foi uma das três tentações": no deserto, diz-se a Jesus: "Vá para o terraço do templo e joga-te para baixo, e todos acreditarão, faça um espetáculo".

Em vez disso, "o reino de Deus é silencioso, cresce dentro; o Espírito Santo o faz crescer com a nossa disponibilidade, na nossa terra, que devemos preparar". Mas ele "cresce lentamente, silenciosamente".

No relato evangélico de Lucas, Jesus relança o seu discurso e segue em frente perguntando: "Mas vocês querem ver o reino de Deus?". E explica: "Vão lhes dizer: lá está ele! Ou: aqui está! Não vão atrás! Não sigam-nos! Porque o reino de Deus virá como o relâmpago, em um instante".

Sim, acrescentou Francisco, "ele se manifestará num instante, está dentro". Mas, destacou, "eu penso naqueles cristãos que preferem o espetáculo ao silêncio do reino de Deus".

A esse respeito, o papa sugeriu um breve exame de consciência para não cair na tentação do espetáculo, através de algumas perguntas simples: "Mas você é cristão? Sim! Você acredita em Jesus Cristo? Sim! Você acredita nos sacramentos? Sim! Você acredita que Jesus está lá e que agora está aqui? Sim, sim, sim!".

E então, concluiu Francisco, "por que você não vai adorá-lo, por que não vai à missa, por que não faz a Comunhão, por que não se aproxima do Senhor" para que o seu reino "cresça" dentro de você?

Além disso, afirmou o pontífice, "nunca o Senhor diz que o reino de Deus é um espetáculo". Claro, explicou, "é uma festa, mas é diferente! É uma festa belíssima, uma grande festa. E o Céu será uma festa, mas não um espetáculo". Em vez disso, "a nossa fraqueza humana prefere o espetáculo".

Isso é o que acontece às vezes "nas celebrações de alguns sacramentos", disse ele convidando a pensar, em particular, no casamento. Tanto que nos perguntamos: "Mas essas pessoas – não sei se isso acontece aqui, mas eu penso na minha terra – vieram para receber um sacramento, para fazer festa como em Caná na Galileia ou vieram para fazer o espetáculo da moda, do se fazer ver, da vaidade?".

Assim, a nossa tentação "é uma tentação contínua: não aceitar que o reino de Deus é silencioso". Mas, diz Jesus no Evangelho de Lucas, "o dia que fará barulho, o fará como um relâmpago, que, tremulando, brilha de um lado ao outro do céu: assim será o Filho do homem no seu dia, o dia que fará barulho".

Ao contrário do espetáculo, lembrou o pontífice, há "a perseverança de tantos cristãos que levam a família em frente: homens, mulheres que cuidam dos filhos, cuidam dos avós, que chegam ao fim do mês com meio euro apenas, mas rezam".

E o reino de Deus "está ali, escondido naquela santidade da vida cotidiana, aquela santidade de todos os dias". Porque "o reino de Deus não está longe de nós, está perto".

Justamente a "proximidade é uma das suas características". Proximidade que também significa "todos os dias". Por isso, "Jesus afasta da mente dos discípulos uma imagem espetacular do reino de Deus". E "quando quer falar dos últimos tempos, quando Ele virá na glória, o último dia, ele diz: assim será o Filho do homem no seu dia, como o relâmpago, mas antes é preciso que Ele sofra muito e seja rejeitado por esta geração".

Do reino de Deus, portanto, "também faz parte o sofrimento, a cruz; a cruz cotidiana da vida, a cruz do trabalho, da família", a cruz "de levar bem as coisas em frente, essa pequena cruz cotidiana, a rejeição". Assim, "o reino de Deus é humilde, como a semente: humilde; mas cresce pela força do Espírito Santo".

E "cabe deixá-lo crescer em nós, sem nos orgulharmos. Deixar que o Espírito venha, mude a nossa alma e nos leve adiante no silêncio, na paz, na quietude, na proximidade a Deus, aos outros, na adoração a Deus, sem espetáculos".

Francisco concluiu convidando a pedir "ao Senhor essa graça de cuidar do reino de Deus que está dentro de nós e em nosso meio nas nossas comunidades: cuidar com a oração, a adoração, o serviço da caridade, silenciosamente".

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