Angelelli, Igreja e ditadura

Mais Lidos

  • ​Sociólogo analisa a conjuntura eleitoral e os possíveis desfechos da eleição de domingo. “Diria que hoje, para sermos mais conservadores na análise, os dois vão para o segundo turno com um viés de alta para o Lula”

    Eleições 2026: “Brasil pode entrar numa rota de conflito interno e de ingovernabilidade radical”. Entrevista especial com Rudá Ricci

    LER MAIS
  • Pesquisadores comentam dados iniciais do pleito e tendências para o 2º turno

    1º turno das eleições de 2026 é marcado por metamorfoses, tecnonepotismo e insatisfação. Entrevista especial com Tatiana Vargas-Maia e Ricardo Costa de Oliveira

    LER MAIS
  • O pecado contra a criação. Entrevista com Martin M. Lintner

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Por: Caroline | 11 Julho 2014

Segue a carta com a qual os Cristãos para o Terceiro Milênio* expõem sua posição acerca da decisão de condenação da Justiça Federal aos responsáveis ainda vivos do assassinato de Enrique Angelelli. A carta é publicada por Página/12, 09-07-2014. A tradução é do Cepat.

Eis a carta.

“Esse sangue hoje clama por vida
e a lembrança de Angelelli não é
memória encapsulada. É um desafio”
(Cardeal Jorge Bergoglio, 2006)

Frente a esta fala pronunciada na sexta-feira, 04 de julho, pelo Tribunal Oral Federal de La Rioja, a equipe da coordenação dos Cristãos para o Terceiro Milênio expressa:

- Celebramos a decisão adotada pela Justiça Federal ao condenar os responsáveis sobreviventes do assassinato do dom Enrique Angelelli, executado em 04 de agosto de 1976.

- Lamentamos que esta decisão, por ação, omissão e cumplicidade de muitos, entre os quais não são poucos os membros da hierarquia eclesiástica e da diplomacia vaticana envolvidos, tenha demorado quase quatro décadas para sentenciar o homicídio de nosso irmão bispo nas mãos daqueles que viam – e com razão – no compromisso evangélico com os pobres ensinado por Jesus Cristo, uma ameaça profética ao seu poder e privilégios.

- Não podemos ignorar que este crime, assim como muitos outros dirigidos contra militantes cristãos, são parte de uma estratégia de aniquilamento levada adiante em nosso continente no marco da Doutrina da Segurança Nacional impulsionada a partir dos EUA, para calar as reações dos povos, provocada em muitos casos pelos valores de justiça, fraternidade e solidariedade, que nutre as raízes de nossa religiosidade popular.

- Queremos reconhecer e nos alegramos abertamente pela atitude do Papa Francisco e a demanda do bispo Marcelo Colombo em tornar conhecida a verdade sobre o assassinato, guardada nos arquivos vaticanos. Esta atitude do bispo de Roma deveria ser exemplo suficiente para que nossa hierarquia cumpra, de uma vez por todas, com os compromissos assumidos publicamente e que, até agora, não foram satisfatórios, de investigar, tornar conhecido e condenar as condutas tantas vezes denunciadas de cumplicidade eclesiástica com o terrorismo do Estado.

- Pedimos formalmente que Enrique Angelelli, assassinado por sua “homilia de vida” em favor dos pobres e a serviço de Jesus Cristo, seja reconhecido como mártir da Fé e de sua fidelidade evangélica.

* Ana Cafiero, Alicia Ladrón de Guevara, Alicia Pierini, Angel Atilio José Bruno, Rodolfo Brardinelli, Rodolfo Briozzo, Cristina Domeniconi, Luis Miraldi, Juan L. Manazzoni, Fernando Portillo, Hernán Patiño Mayer.
** 104 Assembleia Plenária da CEA 9 de Novembro de 2012. “Carta ao povo de Deus”.