''Os fiéis não entendem o nosso 'não' aos anticoncepcionais e aos divorciados''

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30 Junho 2014

Dos pontos individuais, o essencial é dito pelo arcebispo Bruno Forte, secretário especial do Sínodo, quando fala de "uma Igreja acolhedora, em saída", e de um documento que expressa "rigor e honestidade ao não fechar os olhos diante de qualquer problema, por mais inquietante e incômodo que possa parecer".

A reportagem é de Gian Guido Vecchi, publicada no jornal Corriere della Sera, 27-06-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Os bispos do mundo vão se reunir em outubro para o Sínodo sobre a família, e o texto oficial que servirá de base de discussão, por exemplo, admite que "a grande maioria" dos fiéis não segue a Igreja sobre a contracepção (a proibição é percebida como "ingerência na vida íntima do casal") e fala de todas as "situações difíceis" – casais de fato, famílias ampliadas, divorciados em segunda união e assim por diante –, recomendando atenção e misericórdia no estilo de Francisco ("a Igreja não deve assumir a atitude de juiz que condena, mas a de uma mãe que acolhe sempre os seus filhos e cuida das suas feridas em vista da cura") até afirmar, por exemplo, que a maior parte dos fiéis é contrária a leis que permitem adoções a gays, mas, se um casal homossexual pede o batismo do filho, este "deve ser acolhido com a mesma atenção, ternura e solicitude que recebem os outros filhos".

Ou até a explicar que as "mães solteiras" devem ser admiradas pelo "amor e a coragem com que acolheram a vida concebida no seu ventre e com que se ocupam do crescimento e da educação dos seus filhos", merecem encontrar um "apoio especial" na sociedade e na "solicitude" de uma "família" na Igreja.

Um olhar "não legalista" sobre a realidade cotidiana dos católicos do mundo, que nasce como síntese das respostas ao questionário enviado em novembro aos fiéis, ao qual responderam "85% das 114 conferências episcopais", calcula o cardeal Lorenzo Baldisseri, secretário geral do Sínodo.

A revolução desejada pelo papa está na amplitude da consulta, nas 38 perguntas – mesmo sobre assuntos uma vez considerados embaraçosos – e no fato de que as respostas dos fiéis sirvam como um "instrumento de trabalho" para os bispos.

O problema não é tanto a doutrina: o que está no centro é e continua sendo a família fundada no matrimônio entre "o homem e a mulher criados à imagem e semelhança de Deus", que "através da procriação" tornam-se "colaboradores de Deus".

Além disso, ainda não há respostas definitivas. Começa agora um percurso de quase dois anos: depois da assembleia extraordinária de outubro, as Igrejas locais voltarão a falar a respeito. Depois, haverá a assembleia extraordinária de 2015. E, finalmente, a última palavra caberá ao papa.

O que já está mudando é a atitude, o estilo. Analisa-se a crise da família, também econômica e por causa das horas de trabalho. Citam-se os lados obscuros, violências, feminicídios, abusos. Revela-se o novo desejo de família que nasce entre os jovens. Acima de tudo, diz-se que é preciso promovê-la de uma maneira diferente, de forma positiva, sabendo que, para os fiéis, "o conceito de "lei natural" muitas vezes é "incompreensível". E que se nota uma "resistência" à doutrina sobre o tema do "controle dos nascimentos, divórcio e novas núpcias, homossexualidade, convivência, fidelidade, relações pré-matrimoniais, fertilização in vitro etc".

Também se reconhece a "perda de credibilidade moral" da Igreja, especialmente no Ocidente, por causa dos escândalos de pedofilia e, às vezes, por causa da "incoerência" e do "estilo de vida por vezes vistosamente abastado" dos padres ou da "fé teatral" dos mais intransigentes.

Claro que as preocupações mudam. Na África, a poligamia; na Índia, a divisão entre castas... O tema dos sacramentos negados aos divorciados em segunda união é mais sentido na Europa e na América do Norte: há quem o resolva buscando um sacerdote condescendente, e quem se volta para outra Igreja cristã.

O texto prefigura uma simplificação dos procedimentos para o reconhecimento da nulidade das núpcias. Quanto aos casais homossexuais, prevalece entre os fiéis o "não" a uma "redefinição do matrimônio": nada de "equiparação". No entanto, recomenda-se "uma atitude respeitosa e não julgadora" e mostra-se uma abertura às uniões civis, falando de "equilíbrio" contra as "reações extremas".

Bruno Forte diz: "Entre as atitudes opostas, de cruzada ou relativista, a maioria busca um diálogo que diferencie a unicidade do matrimônio da exigência de reconhecer direitos e coabitações entre pessoas do mesmo sexo".

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