Francisco visita os refugiados em Santo Egídio

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17 Junho 2014

Aos refugiados que escaparam dos massacres no Canal da Sicília, ele conta que o seu pai escapou do naufrágio do navio para a Argentina. "A Europa envelheceu, está cansada, não sabe o que fazer, se esqueceu da solidariedade", balança a cabeça o pontífice na Basílica de Santa Maria.

A reportagem é de Giacomo Galeazzi, publicada no jornal La Stampa, 16-06-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Na Comunidade de Santo Egídio, o papa filho de imigrantes se encontra com um grupo de refugiados, incluindo alguns que tinham escapado do naufrágio de Lampedusa no dia 3 de outubro de 2013, e com uma jovem eritreia envolvida na acolhida.

Uma delegação da Comunidade Judaica romana, liderada por Riccardo Pacifici, lhe entregou uma carta. É o convite para visitar a sinagoga de Roma. Francisco, relata Pacifici, logo aceitou, garantindo também que traz no coração garantindo a liberação de três jovens israelenses sequestrados na Cisjordânia.

Os testemunhos se transformam em diálogo. O arcebispo siro-ortodoxo de Damasco, Jean kawak, faz um apelo pela Síria, e Irma, 90 anos, agradece ao papa pelos seus discursos em favor dos idosos e contra a cultura do descarte.

Também falam Branco, um membro da comunidade Rom integrado, que fala sobre o racismo, e Dawood Yousefi, 29 anos, da etnia Azara, um muçulmano refugiado do Afeganistão. No mar, ele perdeu um amigo que caiu do bote.

"É a primeira vez – explica – que eu conto essa história, porque me faz mal. Eu sei que o senhor foi para a Lampedusa, e por isso lhe queremos bem. A minha viagem para a Itália começou quando eu ainda não tinha 18 anos. Parti a pé: me lembro do caminho sobre as montanhas entre o Irã e a b, onde eu fiquei por mais de duas semanas. Vi ao lado do caminho os esqueletos de outros refugiados. Eu tive medo de morrer, porque fazia muito frio."

Francisco assegura uma Igreja em saída para as periferias. "Preciso de uma quantidade extraordinária de oração, meu trabalho pode ser insalubre", sorri.

Com 60 mil voluntários em 74 países do mundo, a Santo Egídio socorre a nova "Igreja do silêncio". Um tema ao qual Bergoglio é muito sensível: "Jesus ressuscitado está perto dos cristãos perseguidos e discriminados".

O sofrimento dos seguidores de Jesus em inúmeras nações árabes e africanas envolve diretamente "a ONU de Trastevere" no tempo da diáspora e dos extermínios. Em dois milênios de história, nunca tantos cristãos foram vítimas de perseguições e discriminações.

As comunidades de muitos países de maioria muçulmana lutam pela sobrevivência: a deriva islâmica se revela como um novo Muro entre os dois hemisférios. "O mundo sufoca sem diálogo."

Daí o mandato de Francisco que, no dia 21 de setembro, visitará a Albânia. "Sejam pacíficos, promovam a amizade entre as religiões, sigam em frente no caminho da oração e da compaixão para pôr na sociedade a amizade no lugar da indiferença."

Única missão: do cuidado de idosos e deficientes à acolhida dos migrantes. Oferecem-lhe um "mate", ele o bebe e faz o gesto de "mais ou menos", posa para um selfie com quatro meninas. "O protagonista é o abraço, e a atenção torna-se encontro: olhem para Cristo, e serão radiantes", assegura, cercado pela multidão, apesar da forte chuva.

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