O Oscar coroa ‘A grande beleza’

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Por: André | 07 Março 2014

Fazia 15 anos. Naquela vez foi “Robertooooooo” Benigni, com as três estatuetas de A vida é bela e o grito de Sophia Loren ao entregar o prêmio ao melhor ator protagonista. Quinze anos depois, a Itália volta a ganhar um Oscar de melhor filme estrangeiro, desta vez graças a Paolo Sorrentino e a A grande beleza, retrato de uma esplêndida e decadente Roma, onde os triviais e vaidosos membros da suposta alta sociedade arrastam sua existência surrealista.

A reportagem é de T. Koch e publicada no jornal espanhol El País, 03-03-2014. A tradução é de André Langer.

“Graças às minhas fontes de inspiração: Talking Heads, Scorcese, Maradona e Fellini. Graças a Nápoles e Roma”, disse Sorrentino ao ganhar o prêmio. A notícia multiplicou o tamanho das manchetes e a alegria da imprensa italiana. “A Itália ganhou”, intitula o sítio do La Repubblica. “É ‘Grande beleza’ em Hollywood”, proclama o Il Corrriere della Sera.

No fundo, todos os indícios faziam prever este desenlace. O cineasta italiano está há meses em Los Angeles, e já se sabe que uma boa promoção conta quase tanto como um bom filme. E, além disso, olhando-se a hemeroteca, descobre-se que a Itália é o país que mais vezes venceu o Oscar de melhor filme estrangeiro. Entre muitos triunfos entre os anos 1960 e 1980, e três nas últimas décadas, 14 no total, incluída a estatueta deste ano. Ou melhor, 11, se se prefere começar a contar desde 1957, quando o prêmio deixou de ser honorário e começou a incluir nomeações e competição. O segundo lugar é ocupado pela França de A vida de Adèle, com 12.

Mas, o possível grande rival de Sorrentino hoje não competia, por razões de data de estreia. Como dizia o próprio cineasta italiano, até agora seu filme repartia os prêmios com A vida de Adèle. Palma de Ouro para a obra de Abdellatif Kechiche; prêmios do cinema europeu para Sorrentino. Galardão dos críticos internacionais (FIPRESCI) para o amor e desencontros entre duas lésbicas; Globo de Ouro e Bafta para o dandy Jepp Gambardella. Até hoje. Oscar para A grande beleza. A vida de Adèle o tentará no próximo ano.

Mais razões que ajudavam A grande beleza ser o favorito: arrecadou, nos Estados Unidos, dois milhões de dólares, sendo de longe a mais vista das cinco obras que competem no quesito de língua não inglesa. O mesmo ocorreu com os acadêmicos: no primeiro ano em que não estavam obrigados a assistir a todos os cinco filmes desta categoria, as filtrações dos dias anteriores contavam que A grande beleza foi o mais visto.

Talvez também ajudasse ao percurso do filme sua evidente relação com La dolce vita, que o longa metragem de Sorrentino recorda ou inclusive homenageia em vários momentos. Federico Fellini é, junto com Vittorio de Sica, o diretor italiano que mais vezes seduziu a Academia de Hollywood, embora não com sua obra mais conhecida. O cineasta obteve o Oscar de melhor filme estrangeiro por A estrada, As noites de Cabiria, Amarcord e Oito e meio.

A grande beleza segue o vazio existencial de Jepp Gambardella, 65 anos passados entre festas em seu ático com vista para o Coliseu, passeios noturnos pela capital e reuniões com seu círculo de amigos enriquecidos, tão encantados de se conheceram como com o luxo em que vivem. Por isso, e por suas críticas à sociedade italiana, entre outras razões, A grande beleza foi atacado em seu país. “Alguns se deram como citados e se zangaram por não terem sido descritos em todas as suas virtudes”, dizia Sorrentino em um vídeo anterior à festa na página da internet do La Repubblica.

O cineasta demonstra ao menos saber lidar melhor com as críticas do que o protagonista do seu filme, o ator Toni Servillo. O intérprete, perguntado em janeiro em uma entrevista coletiva sobre os ataques contra o filme, mandou a culpada de tão atrevida pergunta “tomar no cu”. Sem dúvida, não foi uma grande beleza.

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