O Papa admite a influência da Igreja na formação dos Montoneros

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Por: André | 05 Março 2014

“São José era radical, São José era radical,
e a Virgem socialista, e a virgem socialista,
e tiveram um filhinho, montonero e peronista”.
(Canção cantada nos atos dos Montoneros nos anos 1970)

O Papa Francisco deu uma contribuição formidável para compreender como foi que tantos jovens bem intencionados, altruístas, tomaram a dramática decisão de entrar na guerrilha nos anos 1960 e 1970; ou seja, estiveram dispostos a morrer, mas também a matar outras pessoas, outros argentinos, por razões políticas.

A reportagem é de Ceferino Reato, editor executivo da revista Fortuna, e publicada no jornal argentino Perfil, 01-03-2014. A tradução é de André Langer.

“Nós, na América Latina, tivemos uma experiência de manejo não inteiramente equilibrado da utopia, e que em alguns lugares, não em todos, em algum momento nos desbordou. Ao menos, no caso da Argentina, podemos dizer: quantos rapazes da Ação Católica, por uma má educação da utopia acabaram na guerrilha dos anos 1970!”, disse Francisco.

Jorge Mario Bergoglio atribuiu a conversão de tantos jovens católicos em guerrilheiros a erros de condução da própria Igreja católica ao assinalar que é preciso “saber manejar a utopia, ou seja, saber conduzir” os jovens.

As palavras do Papa argentino foram ditas em um âmbito muito propício: na Comissão Pontifícia para a América Latina, que é formada por um grupo de cardeais da região.

A mensagem poderia dar lugar à autocrítica que a Igreja católica vem evitando sobre sua responsabilidade no surgimento da violência guerrilheira dos anos 1970, que deveria ser completada com a autocrítica do apoio que outros setores eclesiásticos, conservadores e integristas, deram à ditadura do general Jorge Rafael Videla e à repressão ilegal.

No meu livro Viva la sangre!, dediquei um capítulo e meio à influência de setores da Igreja na formação dos Montoneros, a guerrilha de origem peronista. Este livro está ambientado em Córdoba, um lugar chave para compreender a grande tragédia nacional dos anos 1970.

Entre outras coisas, Córdoba nos permite compreender onde surgiram os montoneros, um dos dois grandes grupos guerrilheiros dos anos 1970. Minha conclusão foi que todos os primeiros montoneros cordobeses haviam sido, primeiro, militantes católicos. Em outras palavras: Montoneros nasceu nas sacristias e nos colégios, nas universidades, nas casas de estudantes, nos acampamentos juvenis e nas missões de ajuda social organizados pela Igreja. E isso aconteceu em todo o país.

Essa foi a influência dos setores progressistas da Igreja. A responsabilidade dos setores conservadores é mais conhecida e aparece com clareza no meu livro anterior, Disposición Final.

Em suma, a Igreja esteve nos dois lados da trincheira da violência política. Um dos sinais da nossa tragédia é que muitos militares e guerrilheiros mataram acreditando que dessa maneira cumpriam com os ensinamentos de Cristo.

Uma das hipóteses de Viva la sangre! é que a demora do Episcopado em realizar uma profunda e generosa autocrítica sobre aqueles anos sangrentos é o veto recíproco entre os setores conservadores e progressistas da Igreja. Quando os progressistas impulsionam um olhar reflexivo sobre o apoio à ditadura, os conservadores lhes recordam a formação nas sacristias de tantos guerrilheiros.

Ver-se-á se a chegada ao papado de Bergoglio, que é um crítico das sistemáticas violações dos direitos humanos da ditadura, servirá para encerrar esses vetos recíprocos.

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