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Por: André | 18 Fevereiro 2014

O som de um aspirador, colaboradores indo e vindo da sala de um hotel em Recoleta. A mulher, que é ministra da Defesa do Equador, pediu ordem com tom firme. María Fernanda Espinosa(foto) disse em conversa com o Página/12 que para uma mulher o desafio é duplo quando se trata de um ministério tradicionalmente ocupado por homens. “O exercício da autoridade é diferente e sua legitimação custa mais. É uma instituição hierárquica e masculina. A isto se soma que a condução civil é relativamente nova. Antes o ministro da Defesa era um militar”.

 
Fonte: http://bit.ly/1mlt4Qh  

A reportagem é de Mercedes López San Miguel e publicada no jornal argentino Página/12, 16-02-2014. A tradução é de André Langer.

Espinosa recordou que Michelle Bachelet abriu o caminho no Chile para que outras mulheres assumissem o papel na região. “Michelle foi um dos marcos. O importante é entender que não é um folclorismo de ‘ai, que lindo, uma mulher na Defesa’. Eu fui a primeira chanceler da revolução cidadã”.

Em Espinosa convivem a pena e a arma. “Ser poeta é uma condição que te obriga a ver o mundo de maneira diferente, com uma espécie de lupa sensível que ajuda muito na gestão da Defesa. A arma da escrita e o uso da linguagem servem muito para a cultura da paz”.

A ministra esteve em Buenos Aires em uma breve visita para apresentar o primeiro número da revista equatoriana Pátria, dedicada aos temas de segurança, e manteve uma reunião informal com seu colega argentino Augustín Rossi na qual tratou de assuntos como os mecanismos de proteção conjunta diante da ameaça de espionagem massiva dos Estados Unidos.

O ex-agente Edward Snowden revelou que o governo norte-americano interceptou as comunicações de dezenas de líderes em todo o mundo. “A espionagem não é algo novo, mas a maneira tão tosca como se tornou pública, e comprovamos que espionaram os telefonemas de presidentes, afetando decisões de Estado e sua privacidade; também comprovamos que se fizeram escutas de nossas empresas. Isto constitui uma das ameaças mais graves do século XXI”, disse Espinosa. E assinalou que a maneira de reagir tem que ser conjunta. “A presidenta Dilma Rousseff foi clara quando fez seu discurso na ONU e disse que aqui se trata de estabelecer mecanismos de comunicação e sistemas de informação conjuntos que nos protejam dessas violações dos direitos e tratados de convivência entre os Estados. Aqui quebrou-se a confiança, atentou-se contra a vida privada das pessoas e colocou-se em risco a soberania de nossos Estados. Temos a tecnologia e o saber fazer; necessitamos apenas aprovar os protocolos de como nos proteger, e nisso está trabalhando a Unasul”.

Snowden converteu-se em um dos homens mais procurados pelos Estados Unidos, que o acusam de traidor. Tempos atrás foi Julian Assange, fundador do Wikileaks, que colocou em apuros a potência mundial tornando públicos os arquivos secretos do Departamento de Estado. Assange encontra-se exilado na Embaixada do Equador em Londres desde junho de 2012, à espera de um salvo-conduto que permita que saia sem ser preso e extraditado à Suécia, onde a Justiça o investiga por crimes sexuais. Espinosa espera que o Reino Unido não demore em dar uma resposta. “O Equador tomou uma decisão em defesa da integridade de uma pessoa. Agora está mais nas mãos das autoridades do Reino Unido e se deve resolver o quanto antes porque não se pode ter um cidadão preso em uma embaixada. A situação é insustentável”.

Há poucos dias o governo equatoriano anunciou que deixava de aderir ao Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR), um passo que foi interpretado como de maior distanciamento com Washington. Espinosa reivindicou tal decisão: “O contexto histórico no qual se subscreveu este tratado de defesa (em 1947) não corresponde ao cenário geopolítico atual. Foi criado em uma situação de pós-guerra em que os Estados Unidos queriam reafirmar o controle sobre os países da América Latina e estabelecer supostamente uma segurança hemisférica exercendo sua condição hegemônica, protegendo esses países da ameaça do comunismo. Pensamos que os mecanismos de cooperação em matéria de segurança têm que ser entre os povos da região sem tutelas, nem submissões a um poder imperial”.

Se há um tema inevitável de defesa no Equador é o conflito colombiano. Durante o governo de Alvaro Uribe, no qual o atual presidente Juan Manuel Santos era o ministro da Defesa, as forças colombianas invadiram território equatoriano para bombardear guerrilheiros das FARC. Atualmente, o governo e as FARC negociam em Cuba o fim de décadas de guerra. Espinosa assinalou o que representa para o seu país o problema do seu vizinho. “Um acordo de paz na Colômbia seria a melhor notícia para o Equador e para a América Latina inteira. O Equador sofreu muito com o conflito colombiano, é o país que mais deslocados abriga de todo o continente. São cerca de 50.000 refugiados que têm acesso a saúde, educação e emprego. Temos um cordão social, redes de escolas e hospitais, infra-estrutura, uma rede de apoio, que faz com que os deslocados queiram vir. Quando era chanceler, lembro que um alto comissionado da Acnur me perguntou onde estavam os campos de refugiados e se surpreendeu quando lhe disse que não tínhamos campos de refugiados, que fosse visitar uma escolinha na fronteira e visse por si mesmo que a maioria dos alunos era colombiana”.

Em algum momento a Colômbia acusou o Equador de dar refúgio a insurgentes. A ex-chanceler desmentiu. “É um tema que instalam nos meios de comunicação para alterar as boas relações que temos com a Colômbia. O governo de Santos conhece o esforço do Equador na zona fronteiriça. Mais de 20% do esforço militar equatoriano está destinado a ter uma presença permanente na faixa fronteiriça.”

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