O ''sim'' ao jejum do sábado e o ''não'' dos povos à guerra. Artigo de Claudio Sardo

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07 Setembro 2013

A guerra na Síria, como as outras no Mediterrâneo, cresceram e semearam dezenas e dezenas de milhares de mortes também pela incapacidade do Ocidente e da Europa de se fazerem promotores de desenvolvimento e de coexistência. É hora de mudar de rumo. O tempo é agora.

A opinião é do jornalista e escritor italiano Claudio Sardo, diretor do jornal L'Unità, 05-09-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Sim ao jejum do sábado pela paz. Acolhemos e relançamos o apelo do Papa Francisco, que já se tornou um evento mundial. É preciso deter a guerra na Síria.

É preciso impedir que um ataque ocidental desencadeie uma reação devastadora e ingovernável, no Oriente Médio e além. É preciso abrir uma negociação para se chegar a uma solução política e enfrentar a emergência humanitária.

O jejum é repleto de fortes significados religiosos. No próximo sábado será uma oração comum dos pessoas de diversas fés. Mas o jejum também é um protesto civil, laico. Que testemunha os valores da não violência, da solidariedade, da unidade. Quem quer a paz deve logo se fazer um construtor de paz. É o momento de levantar forte esse grito. E de gritar juntos.

Mulheres e homens de fés, de culturas, de países distantes e diferentes. A guerra nunca será a solução. Ao contrário, no nosso tempo, pode gerar destruição e morte muito além de qualquer planejamento estratégico. O apelo do papa tornou-se, nestas horas – enquanto em São Petesburgo os líderes do G20 se reúnem –, o maior contrapeso mundial à guerra. Pode ser o gatilho pacífico de uma opinião pública sem fronteiras, que deseja a paz e quer agir por ela.

A guerra na Síria, como as outras no Mediterrâneo, cresceram e semearam dezenas e dezenas de milhares de mortes também pela incapacidade do Ocidente e da Europa de se fazerem promotores de desenvolvimento e de coexistência. É hora de mudar de rumo. O tempo é agora.

O jejum certamente não exonera as responsabilidades específicas dos governantes, mas um pouco da responsabilidade somos nós que devemos assumir.