Poderá ser ele o primeiro papa canadense?

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Por: Jonas | 04 Mai 2012

O cardeal Marc Ouellet (67 anos) é considerado tanto por observadores do Vaticano, como por cardeais, um dos primeiros na lista para suceder Bento XVI como próximo papa. É “papável”. Poderia tornar-se o primeiro papa canadense.

A reportagem é de Gerard O’Connell, publicada no sítio Vatican Insider, 29-04-2012. A tradução é do Cepat.

Diante da pergunta sobre esse assunto, no canal de televisão católico canadense “Salt and Light TV”, no domingo do dia 22 de abril, à noite, o cardeal descreveu Bento XVI como “um grande papa” e descartou suas possibilidades de ser papa, dizendo: “Naturalmente, não me vejo nesse nível”.

No ano passado, respondeu a uma pergunta semelhante de um jornalista: “A ideia de ser papa, as responsabilidades, são pesadas”.

Na entrevista daquele domingo, o padre Thomas Rosica, diretor executivo da “Salt and Light TV”, perguntou-lhe o que diz para as pessoas que fazem esta questão. Com um sorriso confuso, Ouellet respondeu: “Lembro-me que um dia depois do coclave disse para a imprensa que o papa Bento seria um grande papa, e creio que acertei”.

“Acertei”, agregou à ênfase. “É um grande mestre da fé, um grande pai da Igreja. Eu o vejo avançar com coragem, servindo e governando a Igreja da melhor forma que pode, com as forças que tem”.

“Por isso, naturalmente, não me vejo nesse nível, para nada, porque noto quanta responsabilidade implica. Por outro lado, creio que o Espírito Santo ajudará aos cardeais a bem eleger a liderança da Igreja, da Igreja católica, no futuro”, afirmou.

A entrevista televisiva mostrou um homem com consideráveis qualidades espirituais, humanas e intelectuais, assim como boas habilidades comunicativas. A ocasião favoreceu uma imediata confirmação de que este cardeal simpático e poliglota, que passou vários anos na América Latina, é de fato um verdadeiro candidato.

A delicada pergunta veio no final da entrevista de 25 minutos, na qual padre Rosica perguntou para o cardeal sobre aspectos chaves de sua vida, desde 2002, quando João Paulo II o designou arcebispo de Quebec, até sua função atual, a partir de 2010, como prefeito da Congregação para os Bispos e presidente da Pontifícia Comissão para América Latina.

Respondendo a estas perguntas, o cardeal Ouellet revelou que “não tinha um plano” quando chegou a Quebec e que “não tinha experiência” como bispo diocesano, mas que tentou “responder, a cada dia, a inspiração do Espírito”. As pessoas o receberam muito bem e ele colaborou com as pessoas, embora tenha admitido que “a relação com o clero foi boa, porém nem sempre fácil”, e houve algumas controvérsias com a sociedade em geral.

Ele disse que em Quebec identificou suas prioridades: “Fortalecer as famílias, fomentar as vocações, e aproximar-se dos jovens”. Decidiu dar prioridade aos jovens porque a secularização era “mais radical” na província de Quebec do que no resto do Canadá, e quis “ajudá-los a encontrar o significado religioso da vida”. Incluiu os jovens no Congresso Eucarístico de Quebec, em junho de 2008, no qual a ordenação de doze novos sacerdotes trouxe uma forte mensagem de que “sem sacerdotes, vocês não terão a Eucaristia”.

Buscando “fomentar a nova evangelização”, disse que sentiu a necessidade de “novas experiências de fé”, pelo qual recorreu aos novos movimentos e comunidades, convidando para Quebec os Missionários da Caridade, a Comunidade Emanuel e uma comunidade do Canadá ocidental, relacionada com o apostolado universitário. “Elas trouxeram ar fresco e mais entusiasmo” e “deram bons frutos”, disse.

Ouellet lembrou como Bento XVI o elegeu como “relator geral” (coordenador-chefe) para o Sínodo dos Bispos, de outubro de 2008, sobre a Palavra de Deus e disse que “este foi o maior desafio intelectual de minha vida”. Além disso, não poderia esquecer “a unidade extraordinária” que prevaleceu no sínodo, em que “aconteceu uma verdadeira experiência de Cristo”, e onde “nós estávamos com um novo espírito de missão”.

Em 30 de junho de 2010, o papa Bento nomeou Ouellet prefeito da Congregação para os Bispos. Na entrevista televisiva, o cardeal explicou sua função na preparação para a nomeação de bispos, e descreveu em detalhe todo o processo de seleção, desde as negociações até a função do núncio, além da discussão chave sobre os candidatos nas sessões plenárias quinzenais da congregação.

No processo de seleção, ele disse que comunica, a cada semana, os resultados das sessões plenárias ao papa e que, no dia seguinte, tem uma audiência particular com Bento XVI para discutir esses resultados e receber sua decisão. Estas reuniões semanais são “muito intensas e frutíferas”, “uma grande experiência espiritual para mim”, disse.

Como numa entrevista anterior, ao jornal católico italiano “Avvenire”, o cardeal expressou sua surpresa diante do fato de tantos recusarem a nomeação para o bispado. Alguns fazem isso por “razões de consciência”; outros porque consideram um ofício “difícil” e “temem o estresse da liderança episcopal”.

Ele também falou sobre seu papel como presidente da Pontifícia Comissão para a América Latina, região onde vivem mais de 50% dos católicos do mundo. Disse que, num primeiro momento, a comissão foi instituída para enviar missionários da Europa para a América Latina, mas que hoje o fluxo missionário caminha em direção contrária. A comissão agora se concentra em financiar projetos para a evangelização, seminários, etc., e faz chegar ao Vaticano as preocupações da América Latina.

O cardeal Ouellet também comentou sobre o ato penitencial que presidiu na Igreja jesuíta em Roma, no último mês de fevereiro, para pedir o perdão de Deus, e das vítimas de abuso, pelo mal infligido pelos clérigos a menores e pela incapacidade dos bispos e de outras autoridades eclesiásticas em tomar atitudes adequadas para a detenção e prevenção dos abusos. O ato de penitência foi “simbolicamente importante” no contexto da conferência que acontecia, nesse momento, sobre o abuso de menores na Pontifícia Universidade Gregoriana, disse. “Foi uma mensagem a toda a Igreja” e “um compromisso para evitar que fatos como esses voltem a acontecer”.

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