Crise global da dívida

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12 Julho 2011

"A crise da dívida que começou na Europa vai se espalhar, não poupará nem países emergentes e é uma ameaça para a estabilidade financeira internacional."

"O colapso da economia mundial em 2008 obrigou países ricos a promoverem o resgate de setores inteiros das suas economias. Três anos depois, o resultado é a explosão das dívidas dos governos."

As frases acima não foram ditas por nenhum ativista político, ou por nenhum analista crítico ao atual sistema financeiro internacional. As frases acima foram ditas, simplesmente, pelo Banco Central dos Bancos Centrais: o Banco de Compensações Internacionais (BIS), conforme mostra o jornal Estado de São Paulo. Ou seja: o BIS reconhece que a dívida explodiu nos países do Norte devido ao salvamento de bancos falidos.

A reportagem é do Movimento Auditoria Cidadã da Dívida, 12-07-2011.

O Jornal Nacional mostra a reunião de emergência realizada em Bruxelas com os Ministros de Finanças da União Européia para discutir a crise da dívida na Europa, e também a preocupação do Presidente dos EUA Barack Obama com a possibilidade de um calote da dívida estadunidense, o que geraria uma nova crise global. Por sua vez, o Portal G1 mostra a queda de várias bolsas em todo o mundo, refletindo a preocupação dos investidores em garantir que os governos cortem mais despesas para pagar a dívida.

Porém, tais notícias não esclarecem os fatos agora reconhecidos pelo BIS: que a culpa pela explosão da dívida é do salvamento do próprio setor financeiro, e não de um suposto excesso de gastos sociais. Obviamente, a grande imprensa reproduz a idéia colocada pelos governos (que representam os interesses dos rentistas) de que, diante desta situação, a saída seria uma forte contenção dos gastos sociais.

Tal idéia parte do princípio de que a dívida é inquestionável, e que o corte de direitos dos trabalhadores seria plenamente justificável, sendo que os manifestantes nas ruas de diversos países seriam "ingênuos" e "inconsequentes" por tentarem impedir a "racional" e "correta" decisão de se pagar a dívida.