Desde a Constituição de 1988, os ruralistas são praticamente imbatíveis

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15 Mai 2011

Mais numerosa e afinada do que os quatro partidos da oposição juntos (PSDB, DEM, PPS e PSol), a bancada ruralista desponta como o principal incômodo para o governo no Congresso Nacional. Na semana passada, faltou pouco para o grupo impor a primeira derrota legislativa à presidente Dilma Rousseff. O revés só não ocorreu porque o PT conseguiu realizar uma manobra de última hora e adiar pela terceira vez seguida a votação do Código Florestal no plenário da Câmara dos Deputados.

A reportagem é de André Gonçalves e publicada pela Gazeta do Povo, 15-05-2011.

A demonstração de força não é novidade. Desde a Constituição de 1988, os ruralistas são praticamente imbatíveis. Nem Lula na melhor fase de aprovação popular conseguiu confrontá-los.

Em 2005, os ruralistas foram preponderantes na elaboração da Lei de Biossegurança, que regulamentou a produção e comercialização de alimentos transgênicos no Brasil. Em 2009, eles barraram parte do texto do Estatuto da Igualdade Racial, que regularizava as terras dos quilombolas. No mesmo ano, frustraram a decisão do ex-presidente de mudar o índice de produtividade rural, critério utilizado para a distribuição de terras na reforma agrária.

"Toda vez que o governo tentar ir contra os interesses do setor produtivo agrícola, vai perder", afirma o deputado paranaense Abelardo Lupion (DEM), figura expressiva entre os ruralistas desde os anos 1990. Entre outros temas prioritários da bancada estão a limitação da compra de terras de estrangeiros, o estímulo à produção de biocombustíveis e, em essencial, a negociação da dívida agrícola.

Mas em outros temas não há necessariamente uma atuação conjunta, já que há ruralistas em quase todos os 22 partidos com representação no Congresso. "Não é sempre que todo mundo vota junto. Às vezes, temos nossos rachas", diz o deputado paranaense e coordenador político da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Moacir Micheletto (PMDB). A FPA é o braço formal do grupo e conta com 215 membros – 202 na Câmara e 13 no Senado.

Dezesseis partidos têm representantes na frente, incluindo 13 petistas e um deputado do PV, o rondoniense Lindomar Garçon. Na avaliação do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), nem todos os integrantes da FPA podem ser considerados ruralistas "plenos". Segundo a entidade, esse grupo mais restrito conta com 160 deputados e 18 senadores.

Ainda assim, os números mostram a força do setor. Tanto pela FPA quanto pelo Diap a bancada ruralista é bem maior do que a oposição, cujas 4 siglas elegeram juntas 111 deputados e 19 senadores em 2010. Embora reduzida, a oposição tem tido dificuldades para atuar em conjunto – como na votação do reajuste do salário mínimo, quando PSDB e DEM defenderam valores distintos.

Ex-ministro da Agricultura do governo Lula e agora liderança ruralista na Câmara, o deputado paranaense Reinhold Stephanes (PMDB) avalia que a atuação da bancada como contraposição ao governo Dilma tem um sentido eleitoral. "A presidente perdeu em quase todos os estados em que o agronegócio é forte, menos em Minas Gerais. Ainda assim, só porque nasceu lá", diz Stephanes.

Dentre os 11 estados em que José Serra (PSDB) bateu a petista no segundo turno, sete são eminentemente agrícolas – Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Rondônia. "Se a presidente não dialogar melhor, o setor agrícola vai ser a grande sombra do governo", complementa o ex-ministro.

 

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